quarta-feira, julho 25, 2012

O Tour de France foi Inglês

23 dias depois, 3496,9 quilómetros percorridos em 87 horas 34 minutos e 47 segundos (para o vencedor), acabou a prova maior do ciclismo de estrada e pela primeira vez em mais de 100 anos (e 99 edições) foi ganha por um Inglês. E que corria por uma equipa britânica.

Se mais dúvidas houvessem que o Tour este ano é mesmo inglês, o segundo classificado da geral também o é e foram os britânicos (como nação) que mais etapas ganharam, 7. Isto apesar de terem apenas 5 ciclistas a correr (só faltou um deles ganhar uma etapa para terem feito o pleno).

Aqui fica o meu comentário sobre os vencedores e uma atribuição de prémios ao estilo Bakanoide.

Sobre os vencedores não há muito a dizer. Foi um dos anos onde todos os que ganharam uma camisola, ganharam-na bem.
O Bradley Wiggins não era, nem será, o ciclista mais forte do panorama actual, mas aproveitou este percurso mais focado para contra-relogistas. Fica quase a ideia que os organizadores pensaram na Sky e no Wiggins (o designado pela equipa para a vitória) ao fazerem esta prova. Quase como o guião de um filme, onde é finalmente concretizado o projecto e trabalho de 3 anos de intensa preparação. O Wiggins teve o suporte duma equipa que dominou os acontecimentos importantes e teve como braço direito o ciclista mais forte na montanha, que respeitou os desígnios da equipa. Ficará a dúvida se o Chris Froome, livre das ordens de equipa, conseguiria ganhar mais tempo na montanha que aquele que perdeu nos contra-relógios, mas o Wiggins foi o melhor no geral.

O que dizer do Peter Sagan que venceu e convenceu a camisola verde no seu ano de estreia? Pouco há a dizer a não que este gajo é uma maquina. Ganhou 3 etapas e ainda o vimos a chegar em 2º depois de andar fugido numa etapa de montanha com 2 passagens de 1ª Categoria e só a não conseguir responder a um ataque já depois de passada a montanha.
Eu sinceramente pensei que ele ganharia nos Campos Elísios mas não escolheu a melhor roda para seguir e já não teve tempo de apanhar o Cavendish (mas estava a apanha-lo).

A camisola da montanha foi aquela que teve um vencedor menos folgado, mas nem por isso menos merecido. Thomas Voeckler, um, ou mesmo o único, dos actuais heróis franceses do ciclismo, finalmente subiu ao pódio. Desta vez com a camisola da montanha, em principio destinada ao melhor trepador. Ele não é o melhor, mas não se pode dizer que não mereceu, quando ele venceu 2 etapas de montanha e passou em primeiro lugar num terço das subidas principais deste ano (tendo também sido o primeiro a passar em primeiro em 7 subidas consecutivas).

Tejay van Garderen, americano de origem holandesa, venceu a camisola da juventude e venceu bem. Estando na mesma equipa do campeão em título, acabou por ser melhor que este e para além de ter sido de longe o melhor jovem, juntou a isso um excelente 5º lugar na geral.

E então deixo agora a minha lista dos Prémios BaKanos do Tour 2012:

Prémio Melhor Veterano: Jens Voigt sem dúvida. 40 anos e foi figura assídua na frente da corrida, muitas vezes fugido.

Prémio "Detesto a Sky": Apesar de muita gente do pelotão provavelmente amaldiçoar a Sky, é Luis Leon-Sanchez que leva o prémio pois por 3 vezes (ou mais) viu os ciclistas da Sky passarem-no quando tentava ganhar etapas (até no contra-relógio).

Prémio "Não Preciso de Comboio": Mark Cavendish que não tendo o comboio para o levar à meta aprendeu a ganhar fulminando os adversários uns valentes metros antes e acabando bem destacado.

Prémio Melhor Vilão: Sean Yates (director desportivo da Sky) por obrigar o Froome a esperar pelo Wiggins; Christian Prudhomme por ter delineado um percurso tão chatinho; Pierre Rolland por supostamente ter atacado depois das ordens para esperar pelo Cadel Evans (e outros ciclistas) afectados pelo ataque das tachas na etapa 14; os hooligans do futebol (nas palavras do Wiggins) que atiraram as tachas nessa mesma etapa.
Qualquer um destes eram grandes candidatos ao prémio, mas eu dou-o ao Johan Bruyneel, director de uma equipa que tem mais um ciclista de renome apanhado nas teias do doping.

Prémio Melhor Sprint: O do Mark Cavendish na etapa 18 é qualquer coisa de extraordinário.

Prémio Melhor Fugitivo: Tivemos muitos e a organização atribui o prémio de combatividade ao Chris Anker Sørensen mas para mim e daquilo que vi (que não foi tudo) o que mais tentou uma vitória isolado foi o (repetente nos prémios) Luis Leon Sanchez.

Prémio Melhor Trepador: Voeckler subiu este ano como nunca tinha subido na vida dele, mas acho que o Chris Froome era de longe o melhor trepador e só não ganhou outra etapa que terminava num alto porque teve de levar o Wiggins até à meta.

Prémio Melhor Guarda-Costas: Este vai para 2 australianos, Michael Rogers e Richie Porte que tomaram sempre bem conta dos 2 líderes de equipa, impondo ritmos complicados em quase todas as subidas que interessavam.

Prémio Momento Uau: Ultima subida da etapa 11, a 5 quilómetros do final quando o Chris Froome contra-ataca no grupo dos favoritos e o Bradley Wiggins fica para trás. Por momentos parecia que se assistia a um volte-face no guião do filme, mas o "realizador" tratou de meter as coisas em ordem pouco depois.

Prémio Melhor Tuga: Eram apenas dois e a escolha torna-se muito fácil. Rui Costa que apesar de não ter terminado no top-10, nem ter vencido nenhuma etapa, foi o melhor da sua equipa na geral e foi instrumental na única vitória obtida pela Movistar nesta edição.

Prémio "Sou o Maior da Minha Aldeia": Bradley Wiggins venceu e foi o melhor, mas Peter Sagan foi mesmo o maior da aldeia, seja por ganhar ao sprint aos melhores da actualidade, seja por sacar cavalinhos em subidas, seja por fazer 2º numa etapa de montanha, seja pelas celebrações na linha de meta quando ganhou, seja por chamar à bicicleta "Tourminator", seja por dar autógrafos em mamas de moças bem avantajadas. Este Peter Sagan é caso sério de sucesso a todos os níveis.

quinta-feira, julho 19, 2012

Duck Power

Os patos terão certamente muitas coisas curiosas a seu respeito. Terão também muitos comportamentos que a ciência ainda não consiga explicar completamente. E uma pessoa fica realmente a pensar sobre o que poderá pensar um pato que ao ver um veículo a dirigir-se para si a mais de 70 km/h decide parar e abrir as asas como que ameaçando aquela coisa que se intromete no seu caminho. Estaria ele a pensar que assustaria o bicho e o faria parar? Parece estúpido não?
A verdade é que não se pode criticar o pato, pois o carro parou mesmo, apesar de ser necessário um desvio de trajectória para evitar que o pato e a sua família virassem foie plat!
E consegui parar a tempo ao mesmo tempo que evitava que a mochila do computador se esborrachasse contra o tablier...

Foi uma forma positiva de acabar mais este dia de Inverno, que afinal até esta a ser bastante ameno com temperaturas quase sempre acima dos 10°C e com alguns dias de sol ao final da tarde. Mas pronto, como seria de esperar e um Inverno muita agua na forma de chuva e inundações que até já levaram portugueses (uma rapariga pelo menos) a ter que sair de casa e nós a ir buscar algumas coisas para guardar aqui no nosso amplo apartamento (e arrumos na cave).
De qualquer forma se calhar é melhor sair de casa por causa da chuva, do que ter de sair de casa por causa do fogo, como está a acontecer em Portugal. O forno meteorológico que assolava o país parece se ter materializado em forno real com cenários infernais nalgumas partes do país.
Acho que estas coisas são provas das mudanças climáticas cada vez mais drásticas, provocadas pelo impacto do homem na natureza e clima (também designado simplesmente por Aquecimento Global). Enquanto nuns países chove desalmadamente durante uns dias levando a inundações repentinas e inesperadas, noutros bastam 2 dias de calor intenso para começar tudo a arder...

Mas e que mais posso dizer? Querem que vos fale sobre ter de ouvir a aturar desculpas esfarrapadas e argumentos da treta? Se calhar é melhor não...
Posso falar de 2 momentos bons da tarde:
Assistir (através de comentários de texto) a um Thomas Voeckler conquistar a camisola de montanha no Tour de France (e vai manter a mesma senão abandonar subindo finalmente ao pódio em Paris).
Ter um pensamento bastante porco e tão politicamente incorrecto que não tive coragem de o escrever na totalidade no Facebook (ou Twiter). Acabei por publicar uma versão mais soft (não resisti, tinha que escrever algo sobre isso) que me permite uma defesa simples caso seja atacado por puritanos de meia-tigela. Que pelos vistos nem sequer ligaram ou nem viram... Deve ser como a t-shirt que usei hoje, que tem uma mensagem bué da nice, mas obriga-me a ter que explicar porque está em misto de Inglês com Português.
Note to self: Mensagens irónicas em Português em t-shirts não funcionam no estrangeiro...

Então e o pato? Bem, lá deve ter finalmente atravessado a estrada para o outro lado com a sua família e espero que outros condutores os tenham visto e tenham reagido a tempo, como eu reagi, porque senão vai haver menos patos a largar minas de bosta por estes caminhos.

quarta-feira, julho 18, 2012

Arredores

Aqui os nossos arredores são curiosos. Temos os bombeiros em frente, temos campos de futebol, de basebol e de ténis. Um grande ginásio e até um pequeno campo de golfe (acho que é só na Primavera e Verão e alterna com campos da bola).

Mais para o lado temos uma mesquita ou assim nós achamos. Temos um edifício redondo que parece mesmo um cilindro assente num pilar. Temos o Sloterpark que rodeia o Sloterplas (finalmente percebi a diferença) onde vemos muitos coelhos, tem malta a fazer churrascadas e onde podemos ver outra malta a exercitar-se em aparelhos públicos de musculação com um bando de patos bravos e gansos a passar ao lado. Ir para o parque ou sair do mesmo por esta altura é tramado pois o chão está minado com minas de bosta deixadas pelos muitos bandos de gansos que simplesmente acercam-se dos prédios à espera que as pessoas atirem comida da varanda.

E um pouco mais para o outro lado, mais para lá da dita mesquita, temos um edifício onde até fazem excursões. O Oklahoma parece ser um edifício famoso ao nível da Arquitectura, que de acordo com a esposa terá ganho diversos prémios e, como pude confirmar em primeira mão, é atracção turística com autocarros que param perto e a malta sai toda a tirar fotografias. Eu só o vi de frente e de lado (passo lá todos os dias) mas parece que também é curioso visto de trás. E sim, é o edifício da foto do canto.

quarta-feira, julho 11, 2012

Por hoje fecho a loja


Não é muito normal fazer isto aqui no blog. Com as redes sociais, Twitters e Facebooks, costumo fazer este tipo de comentários lá, mas hoje apeteceu-me.

Está a fazer-se tarde e eu ainda estou no computador a gastar tempo com cenas. O pão está feito e cheira bem, mas é só para amanhã. A dourada assada a esta hora já estará digerida e a navegar pelo longo intestino. Agora é só ir ver mais um episódio da série da semana, para acabar com a temporada e passar para outra.

O dia começou comigo a querer estrear o meu IWC look-alike, ou em português, o sósia. Tudo bem que gastei mais de 10 minutos a tentar perceber como usar correctamente o mecanismo de fecho da bracelete, e isso fez-me chegar atrasado pois tinha que começar às 8:00 e a "guarda de serviço" não deixa escapar um atraso, mas estou muito contente com o meu Parnis (é chinês, não é automático, mas é altamente). Ora vejam a minha cara de felicidade a exibir o bicho:

O que não me deixou muito contente foi ver mais umas notícias sobre a extensa experiência profissional do Sr. Miguel Relvas de há 15 anos onde demonstrava já umas habilidades fora do comum para as polémicas e a aldrabice.
Com essas coisas não me deveria admirar que tal como a IGF apanhou em muitas empresas e entidades do estado com os cargos de chefia, muitos assessores do Governo receberam em Junho o subsídio de férias. Foi rapidamente explicado que o mesmo se referia ao trabalho realizado em 2011 mas como tinham começado no segundo semestre só agora o podiam receber. Sim, a explicação parecia correcta até virem vozes dizer que mais ninguém na Função Publica recebeu qualquer subsídio de férias... Olhem para o que eu digo e não olhem para o que eu faço...

Mas pronto, pensar em Portugal para quê? Mais vale sonhar com a Cote D'Azur que sempre tem bom tempo e está num país onde se pode comer e beber como em Portugal. E pelos vistos posso trabalhar ainda menos horas por semana e ter 37 dias de férias pagas por ano...

Mas pronto são coisas que andam aqui por esta cabeça e para não vos maçar mais e finalmente fazer o shutdown, deixo-vos uma foto minha que podia ser um postal de Amesterdão:
visitem o blog: http://athousandbikes.blogspot.com para outras fotos fantásticas de biclas
 E ... carrega no botão ... OFF

segunda-feira, julho 09, 2012

Fim da picada

Comentando uma notícia publicada pelo Argonauta no seu mural do Facebook, acabei por tecer uma comentário que no meu entender deve vir também para aqui.
Para enquadramento, a notícia partilhada era mais uma sobre o caso fétido da licenciatura do Miguel Relvas, um doutorzinho da treta, mas um dos principais ministros do actual Executivo.

A nível político eu actualmente não me consigo descrever. Tendencialmente social-democrata, já me apercebi ao fazer vários "testes" sobre tendências políticas que a minha bússola aponta para ideologias políticas diferentes consoante o assunto. Também o meu acompanhamento destas questões desde tenra idade (sempre fui um interessado pela política) levou-me a concluir que isto de esquerdas e direita, socialismos e liberalismos e outras coisas que mais, são na realidade uns rótulos e pouco mais que isso, e que não há nenhum correcto, pois na prática não vejo nenhum dos regimes funcionar sem ter que ir buscar ideias a outro diferente.
Desta forma acabei por seguir os conselhos do que a SIC chamou de "barómetro político", um site que fazia uma série de questões comparando com os programas oficiais dos partidos, e sem qualquer espanto tenho de acrescentar, o mesmo site mostrou-me que eu sou impossível de definir politicamente, com opiniões consideradas de extrema-direita em alguns assuntos, e outras de esquerda caviar anarquista para outros.
Na realidade o partido cujo programa mais se correspondia ao que eu acredito era o MEP, e assim, seguindo uma outra teimosice minha de que temos de mudar algo ou seja votar em muitos partidos e acabar com a hegemonia dos mesmos obrigando a coligações multi-partidárias, votei neles.

Mas apesar de ter votado noutros, admito que tinha alguma esperança nesta coligação PSD/CDS-PP.
No que toca a governação, minha posição é quase sempre de dar o beneficio da dúvida, posição essa que assumi e assumo até publicamente como agora. E apesar de discordar de algumas medidas tomadas inicialmente por este Executivo, sinceramente pensei que as estariam a tomar devido à urgência e ao pouco tempo disponível para sanear as contas públicas. Sempre tentei me convencer, que tirando uma ou outra jogada e aquelas personalidades que são notoriamente parasitas da sociedade, os membros do Governo tinham as melhores intenções para o país, fazendo aquilo que podiam e sabiam (que como se provou diversas vezes é pouco o que eles sabem).

No entanto esta situação do Miguel Relvas mostrou que lidamos com outros "meninos", do género dos que, tarde e a más horas, tiramos do poleiro. Depois do comprovar que as medidas não trazem os melhoramentos esperados, que a despesa continua a aumentar, que adiam a renegociação dos contractos das PPPs e que criticam membros do TC quando este contraria os seus planos, manterem este Relvas e ainda por cima o apoiarem é o fim da picada.

Para mim o Passos e a sua "corte" só tem mais um passo a dar, o em direcção à porta da saída...

quinta-feira, julho 05, 2012

Deprimido, depressivo, descomprimido ou o diabo a quatro

Os carros também têm destas coisas. Ficam nestes estados.

O meu Laguna, carro que já detestei e mais tarde tive saudades, que já achei que não curvava um peido e mais tarde vi que afinal até era razoável, está deprimido. Ou depressivo, ou descomprimido, ou o diabo a quatro...

Este carro, a que eu chamei de "O Podre" pouco depois de o ter comprado já lá vão quase 7 anos, era para ter ficado por Portugal a servir de carro de férias, ou dar o jeito a alguém da família que precisasse de um veiculo de substituição de repente. Mas os planos são feitos para não serem cumpridos e foi assim que "O Podre" regressou no inicio dos mês de Julho às estradas trans-europeias.

Seja por ter de regressar a tempo inteiro, ou seja por ter voltado pra Holanda onde fazia muito pior tempo, decidiu entrar em depressão. Sem entrar em muitos detalhes técnicos (mas que posso se alguém quiser saber) lá começou a exibir um problema que punha em causa a utilização do mesmo. Depois de um diagnóstico, a cura sugerida era um internamento e tratamento de choque, com direito a cirurgia e tudo.

Eu não concordei. Achei que internar o gajo era mau demais e ele só ia ficar pior. Conversamos os 2 com calma e ele começou a portar-se melhor apesar de ainda não estar com grandes energias.
Mas para grandes males, grandes remédios e vai daí arranjei o equivalente ao Prozac para os carros, ou ainda melhor, um Red-Bull (até vem em latas e tudo).
E a partir daí, acabou-se a depressão. Mesmo que seja à custa de estar pedrado com drogas e/ou Red Bull, "O Podre" quase parece querer herdar o nome do carro que substituiu, "O Bufante".

E esta história da depressão do carro fez-me lembrar de uma outra também relacionada com estados depressivos. Têm de pedir para vos contar a história do meu cliente que deprime constantemente e (acho eu) tem colegas imaginários e ouve várias vozes na sua cabeça...

sexta-feira, junho 29, 2012

Coisas que me fazem sorrir

Apesar de ter faltado a uma auto-promessa de fazer menos horas e trabalhar menos e voltar a ser o ultimo a sair do andar, desta vez às 19:00 (certamente porque sou um português pouco produtivo e pouco competitivo) hoje tive várias coisas na vinda para casa que me puseram vários sorrisos na cara e me deixaram bem mais disposto (depois da apreensão da manhã).


Foram elas:
- Dar uma vista de olhos nas métricas e verificar que sou (de longe) o gajo que mais trabalha;
- Um sol glorioso no céu e 20º de temperatura;
- Um coelho a correr pela relva num jardimzito da IBM;
- O CD do concerto ao vivo dos Humanos a tocar no rádio;
- Um homem bastante idoso com facto completo de ciclista numa bicicleta tradicional holandesa e que mais parecia parado do que a andar, num verdadeiro número de equilibrismo;
- 2 raparigas bem jeitosas, bardotos vá, com pouca roupa a dançar em coreografia e a simular um microfone em pleno parque de estacionamento;
- Fazer uma ultrapassagem;
- Cantar a plenos pulmões a canção "O Corpo É Que Paga" com o vidro aberto e parado nos semáforos;
- Chegar a casa e ter a mulher e a gata à espera;
- Saber que vou-me lambuzar com um mega-hamburguer do BurgerBar...

O peso da distância

Vejam bem esta foto:
Foto de Fábio Martins

Isto é desta manhã e esta é a minha aldeia, onde cresci e onde está a casa dos meus pais e avós (essa até se vê nesta foto).

Vi esta foto no Facebook e com comentários a falar de "pandemónio" e "várias explosões". Sabia logo a proveniência da coluna de fumo, um armazém de automóveis e peças e sucata, logo sítio com muito material combustível para as chamas e fácil de explicar as explosões.
Tendo sido por volta das 9:30, hora local, estando rodeado por mata e outros pavilhões e tendo casas não muito longe a coisa poderia ficar feia. E por isso mesmo ao consultar as Ocorrências no site da ANPC, deparo-me com o valor dos meios: 53 bombeiros e 17 viaturas, tendo sido reforçados uns minutos depois.
Não era claramente uma coisa menor.

Admito que foi uma das vezes em que mais senti o peso da distância. Estar a mais de 2000kms e ficar a saber desta situação quase instantaneamente deixou-me muito apreensivo. E fiquei preocupado com as gentes que lá moram pois conheço vários, inclusivamente sou amigo de um filho da família proprietária do armazém.
Não consegui pensar em mais nada e tive de ligar aos meus avós apenas para saber ao certo o que estava a acontecer e confirmar que eles estariam bem. Estavam sim, mas assustados pois ouviam constantemente as explosões. E sim havia muita confusão, muitos bombeiros e viaturas subindo e descendo a estrada estreita que rasga a aldeia.
Mais uns contactos com outros familiares, e curiosamente apercebi que era dos primeiros a estar a par da notícia. Havia pessoas da terra que estando no emprego não sabiam ainda do que se estava a passar! Um outro sinal dos tempos...

Dizem que a saudade quando se está longe é muito maior. E já o futebol, sendo um fenómeno social, mostra que as pessoas ganham um patriotismo inédito por estarem mais longe.
Eu hoje descobri que os sentimentos mudam mesmo, e estando a assistir remotamente a uma possível desgraça na minha aldeia, senti medo, apreensão e tristeza como poucas vezes senti na minha vida.

Longe da vista, longe do coração? Errado: Longe da vista mas perto do coração!

quarta-feira, junho 27, 2012

Faltou um bocadinho assim

E pronto, acabou o sonho luso no Campeonato Europeu de Futebol.
Está visto que não tenho ainda o dom completo da adivinhação, ou será que tenho? Curiosamente numa bolsa de apostas lá no trabalho tinha posto a Espanha a eliminar Portugal nas meias por 1 golo. Foi ainda mais renhido, foi nos penaltis.

É triste que o Bruno Alves não tenha aguentado a pressão. Pelos vistos fez como eu, precipitou-se e depois olha...

Mas foi um jogo que se decidiu nos pormenores. As selecções anularam-se bem, Portugal sempre a olhar o contra-ataque e quase no final do jogo tivemos aquele lance de 4 contra 2 mas que infelizmente o CR7 não conseguiu acertar bem.
Faltou um bocadinho assim...

Tenho de admitir que a Espanha tomou conta do prolongamento e fisicamente Portugal parecia estar nas ultimas. Não foi nenhum sufoco, mas na verdade também não conseguimos partir para bons contra-ataques.

Lotaria dos penaltis e pronto, faltou outro bocadinho assim...

Para Portugal acabou o Euro 2012. Vou continuar a ver os 2 restantes jogos porque gosto.

Agora outras batalhas desportivas virão aí, com portugueses envolvidos. Já estão a decorrer os Europeus de Atletismo (onde já tivemos algumas conquistas), este Sábado arranque o Tour de France com (apenas) 2 portugueses no pelotão, e depois hão-de vir os Jogos Olímpicos de Londres (onde sinceramente não espero nada de especial da participação portuguesa).
No futebol é preparar a qualificação para o Mundial de 2014, para daqui a 2 anos no Brasil estarmos a calar os detractores e voltar a dar luta aos campeões anunciados.

Quanto a mim, tenho de ir confortar a esposa que parece estar mais triste que eu, e continuar a praticar o meu dom de profeta.

What management is

terça-feira, junho 26, 2012

Then and now


O Jason Mraz quando "apareceu" era assim:


 Depois viu este episódio do Family Guy:
 

E agora apresenta-se assim:
 

Vamos lá ... com tranquilidade

Bem agora que os quartos-de-final já passaram e a Formula 1 só volta daqui a 2 semanas, vamos lá dissertar um pouco sobre a bola.

Admito que tinha algumas dúvidas se escrevia isto já, ou jogando pelo seguro, escrevia só depois da meia-final. Isto porque vou dizer umas coisas e daqui a 2 dias ter de me retratar. Por outro lado se estiver correcto, posso passar por grande especialista na matéria que até acertou em cheio.

Primeiro uma análise à prestação até ao momento da equipa das Quinas. Eu acho que o Paulo Bento descobriu aqui um truque qualquer, que advém duma das filosofias dele: a tranquilidade.
Tirando o jogo com a Dinamarca que não vi desde o início, tenho visto um Portugal a começar os jogos sempre nas calmas. Diria mesmo até, se a minha memória não me trai, que começa até mal dando a iniciativa ao adversário e parecendo mesmo que sofre um pouco. O curioso é que a equipa vai crescendo e acaba os jogos em grande forma, dominando o adversário. Até contra a Alemanha foi assim, e aí acho que o erro foi ser demasiado cauteloso, diria mesmo que jogaram com algum medo e só quando se viram a perder é que lá arranjaram motivação para ir com tudo.
Mas com isto quero dizer que acho que o começo tranquilo dos jogos é mesmo por vontade do Paulo Bento. Entrar com calma para aguentar uma primeira vaga da equipa adversária, controlar, não cansar e aos poucos e poucos impor-se no jogo. E parece-me que a nível físico conseguem manter-se no topo e superiorizar-se à equipa adversária.

Curiosamente vi isto mesmo no jogo de ontem da Itália. Começou devagar mas acabou a dominar a Inglaterra, pareceu-me que criando até mais chances de golo do que Portugal, que tem sido exemplar neste aspecto.

Juntado este truque táctico com um Cristiano Ronaldo em todo o seu esplendor e temos aqui uma boa hipótese de ganharmos isto. E porquê? Porque até agora nenhuma equipa me convenceu verdadeiramente. Posso vos dizer que a minha aposta nas meias foi um Portugal-Espanha e um Alemanha-Suécia (olhem que não foi assim tão descabido, eles estiverem a ganhar em todos os jogos e contra a França mostraram que eram uma equipa muito sólida). Acreditava que Portugal chegava lá mesmo pensando que não estávamos em grande forma. Depois vinha a inevitável derrota com a Espanha, que para mim estaria imbatível.

Mas então porque é que a minha opinião mudou agora? Porque como disse ali atrás, nenhuma selecção me convenceu, e sinceramente tenho a ideia que a nível geral Portugal é quem está a praticar melhor futebol ... depois de aquecer os motores.
Verdade que os jogos dos quartos mostraram que todas as equipas que passaram estão fortes, resta saber se está alguma muito mais forte.
O que eu penso e acredito é que a Espanha treme um pouco e não consegue se impor sempre. Se Portugal estiver como já mostrou, não precisamos temer a Espanha e temos jogadores de qualidades suficientes para fazer a diferença. Obviamente o Ronaldo pode resolver sozinho, mas temos um Nani que ainda não explodiu, entre outros que podem ter momentos de génio. Espera-se que todos eles se superem neste jogo.
A Espanha aliás já sabe o que a pode esperar, até com o Busquets a dizer que os jogadores estão preparados para parar o Ronaldo à força.

Então e se ganharmos à Espanha? Vamos jogar com a Alemanha que nos derrotou já? Primeiro não é garantido que a Alemanha vença a Itália que teve um poder ofensivo enorme contra a Inglaterra, mas que se falhar tanto como no Domingo perde porque a Alemanha não perdoa (basta pensar no jogo contra o Portugal).
E se for contra a mesma Alemanha, acho que agora damos a volta, pois o Paulo Bento já não dirá aos jogadores que o objectivo é não perder e mesmo começando nas calmas, o que vai frustrar um pouco os alemães, vamos arrebentar e conquistar o primeiro título internacional de futebol.
Fantástico!

terça-feira, junho 19, 2012

Outra vez a produtividade

Eu admito que sou obcecado pelo tema da produtividade. Não porque quero ser muito produtivo, mas mais devido à forma como este índice estatístico, na sua forma macro-económica, é usado pelos líderes políticos e económicos nomeadamente em Portugal.
E porque parece-me que a maioria dos média cai na "esparrela" e segue na procissão de falar da produtividade e apresentarem teorias para a mesma sem notarem e/ou explicarem como se chega a este valor.

Há uns anos já tentei explicar aqui mesmo neste blog o meu entendimento sobre a infame Produtividade (e até agora ainda ninguém me corrigiu e sempre que pesquiso mais sobre isto, confirmo que o meu entendimento está correcto na generalidade).

Volto ao tema porque deparei-me novamente neste fantástico mundo cibernético, com mais uma discussão em redor do mesmo.
Neste caso no Facebook alguém partilhou uma fotografia com uma tabela do Eurostat sobre o total de dias de férias por ano (dias da lei + dias permitidos sem trabalhar). Não me perguntem detalhes sobre isto que eu não sei. É uma imagem tirada de um artigo da Visão de Dezembro 2011.

A atenção foi desviada para a Produtividade pois a publicação no Facebook referenciava um artigo de um blog onde se discutia a mesma. E aí aparecia a tal tabela de cima e o autor apresenta diversas teorias para a pouca produtividade.

Como comentei, as pessoas continuam sem saber ou aperceber, que esta Produtividade (PPPH - Productivity Per Hour), tantas vezes usada contra os trabalhadores portugueses é simplesmente um índice macro-económico, obtido com a fórmula simples de PIB a dividir por horário de trabalho. Podem ver aqui: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/statistics_explained/index.php/Glossary:Labour_productivity

Em suma é simplesmente o dinheiro gerado por hora no país. Não tem nada a ver com verdadeira produtividade de um trabalhador, se a pessoa produz muito ou pouco no seu trabalho.
Para além do exemplo que dei há 4 anos, posso dizer que agora que estou na Holanda, estou ali no número 2 da tabela de produtividade mas trabalho menos do que quando estava em Portugal. E porquê? Nada a ver com metodologias, processos ou motivação, é simplesmente porque aqui eu gero mais dinheiro por hora do que gerava em Portugal.

Outro exemplo: os índices de produtividade da industria automóvel mais usados, do que me lembro, são estes 2 que estão interligados:
  - Número de carros produzido por ano por trabalhador;
  - Número de horas para produzir um carro.
Um gajo que trabalhe na Ferrari faz muito menos carros e em muito mais horas do que um que trabalha na Renault em Valladolid (uma das mais produtivas da Europa há uns anos) mas gera muito mais dinheiro nessa hora (a PPH*, a tal usada pelos políticos, é superior).
Apesar de não ter valores concretos, do que me recordo de ler a fábrica da Auto-Europa em Palmela é também das mais produtivas, tendo em conta estes índices da industria, mas já a PPH* será inferior (suponho eu).

Infelizmente a filha-da-putice (que não tem outro nome) já dura há muitos anos e parece-me que muita gente acredita piamente que a baixa PPH* de Portugal significa que os trabalhadores portugueses são pouco produtivos, ou seja, malandros.
Curiosamente este Governo mudou um pouco o discurso e fala agora em Competitividade, mais até que Produtividade. Essa sim, é um calculo simples e simples é também o seu objectivo: quanto menores forem os custos para as empresas, melhor (para as mesmas)!

Mas então o que vai acontecer no futuro? Volto a dizer aqui o que já ando a dizer aos meus amigos e colegas desde o início destas políticas: Estas medidas vão levar a uma redução da Produtividade (PPH) pois o PIB está a baixar e o Governo aumentou o horário de trabalho.
Então o que vai acontecer em 2013? Os patrões, tal como já o fazem agora, vão pedir que se baixem salários porque a produtividade está a piorar. E os lideres políticos, nacionais e europeus, vão repetir a lenga-lenga e ninguém vai referir que as medidas adoptadas pelo Governo foram directamente responsáveis por isso.

E usando uma expressão corrente: Quem se lixa é o mexilhão!

* talvez devido à outra obsessão com as Parcerias Público Privadas, designei a Produtividade Por Hora como PPP. Entretanto já corrigi para PPH (BaKano às 17:05CET).

segunda-feira, junho 18, 2012

As cores lusitanas hoje voam mais alto

Hoje é dia 17, uma semana exacta mais tarde que o Dia de Camões, Portugal e das Comunidades Portuguesas. Mas quase que podia ser hoje o dia de Portugal, pelo menos a nível desportivo.

Já se sabia de antemão, hoje haveria vários pontos de interesse. Alguns há meses, outros só esta semana. Curiosamente um dos pontos de interesse luso só soube nas vésperas. E felizmente os 3 pontos de maior interesse a nível internacional (outros menores parecem ter existido) resultaram em vitórias.

O Dia de Portugal Vitorioso começou em França, às 15:00 (14:00 em Portugal) em Le Mans, com Pedro Lamy que, talvez no ano em que corria com as piores condições de sempre, vencia a categoria GTE-Am da famosa prova de resistência, as 24 Horas de Le Mans.

2 horas e 22 minutos mais tarde, mais para Sudeste nas montanhas suíças, Rui Costa, normalmente identificado lá fora como Rui Faria da Costa, chegava ao final da 9ª e última etapa da Volta à Suiça junto com os mais directos perseguidores. Isso significa que tinha conseguido segurar a camisola amarela, conquistada 1 semana antes, no "verdadeiro" Dia de Portugal. E mais surpreendente é que a vantagem para o 2º, um tal de Frank Schelck tinha aumentado 10 segundos nesta semana de competição ciclista ao mais alto nível.

E o dia desportivo terminou umas 5 horas e tal mais tarde, com a vitória da selecção nacional de futebol sobre a congénere holandesa no Euro 2012, confirmando a passagem para os quarto-de-final sem dependencia de terceiros e despachando uma das pré-favoritas ao títutlo. Apesar da derrota com a Alemanha e do sofrimento com a Dinamarca, as exibições da selecção sobretudo quando metem o querer em campo, permite sonhar com mais doces vitórias nos próximos dias.

Hoje foi um bom dia de vitórias importantes e bandeiras portuguesas agitadas em diversos pontos desta Europa pelas melhores razões. Também se confirmou o ditado que não há 2 sem 3.

Deixo um comentário ao meu amigo Diogo: afinal os créditos não se tinham esgotado...

sábado, junho 16, 2012

Mais ligações obscuras

Há uns 2 meses foi o meu colega camaronês a pedir-me ajuda para o negócio paralelo de airport shuttle e agora veio a minha colega nigeriana pedir para a ajudar a traduzir uns sites do Brasil, também relacionado com uma ideia de negócio que ela pretende lançar lá na Nigéria.

Pelos vistos na Nigéria existe muita cana do açúcar, mas ninguém faz sumo da mesma, sumo esse que parece ser bastante apreciado.
Ora a minha colega nigeriana, que já teve um negócio paralelo de catering, está convencida que existe uma nova e grande oportunidade e sem ser preciso grande coisa. Basta comprar umas moendas, que é como quem diz uns moedores manuais de cana do açúcar, levar para a aldeia e meter a malta a dar a manivela para se fazer sumo. Simples e barato e na ideia dela com uma grande chance de alta rentabilidade.

A ligação ao Brasil vem porque lá vende-se as tais moendas baratuchas e em metal, enquanto por aqui apenas se encontra moedores eléctricos oriundos da China, com muito plástico e que ainda por cima são relativamente caros. Eu fui metido ao barulho por causa do português e acabamos a discutir o modelo de negócio e as melhores formas de meter 4 ou 5 moendas originarias do Brasil em Lagos, Nigéria.

E mais uma vez poderei estar ainda mais envolvido dalguma forma, pois pode ser necessário pedir a alguém lá que receba a encomenda original para depois enviar para a Europa, ou a minha colega vai ela própria buscar de avião (os custos numa transportadora são bastante avultados!). E como tenho família e amigos no Brasil, lá vem BaKano to the rescue!

Nesta meu pequeno universo começo a chegar a conclusão que os meus colegas africanos estão sempre à procura de novas oportunidades de negócios alternativos, e para além disso, África chama por mim. Será que a minha vocação e futuro é tornar-me num mediador de negócios africanos?

quarta-feira, junho 13, 2012

Que puto de stress...

Depois da derrota com a Alemanha, um resultado algo esperado, este jogo era aquele em que se apostava tudo. Era preciso ganhar ou estaria tudo acabado (mesmo que um empate deixasse ainda hipóteses matemáticas). Isto era o primeiro factor contribuinte para algum nervosismo da minha parte para este jogo.

Por essa razão e até para ver melhor o jogo em si, tinha pensado em ver este jogo em casa. Só que o meu amigo Daniel, que nos visitou durante 1 semana, tinha de ir para o aeroporto na altura do jogo.
Pensei então que sairia mais cedo, via a primeira parte no aeroporto com ele e depois vinha para casa no intervalo. Esqueci-me foi de verificar os turnos e obviamente tinha turno para fazer, ainda para mais como dispatcher, o que significava que só podia sair depois das 18:00.
Pronto, pensei que iria perder os primeiros minutos, mas como o Daniel podia ir de autocarro o plano mantinha-se. Só que ele atrasou-se nas compras de recuerdos e assim passou a ser mais conveniente vir a casa e levá-lo ao aeroporto no intervalo, deixando-o junto do terminal das partidas.

E acabou por ser mesmo assim. Apesar da camisola vestida (como tem sido tradição) durante toda a tarde, perdi ao todo mais ou menos 40 minutos de jogo, mas vi o 0-1, o 0-2, o 1-2, no ecrã gigante em Schiphol o primeiro falhanço do CR7, o segundo falhanço do CR7 já em casa, o 2-2 e finalmente o 2-3!

Foi muito stressante, berrei um bocado, insultei os vizinhos que passam o dia a mandar pancadas sabe-se lá onde mas que fazem um chinfrim do caraças, enervei-me com os semáforos, enervei-me com o jogo, afugentei a gata e assustei a mulher, mas já passou...

ESTE JÁ CÁ CANTA, CARA...HO!!!

PS - A Alemanha já ganha, mas seja como for a ultima ronda vai ser uma batalha com pelo menos 3 equipas (senão mesmo as 4) com tudo em aberto. Vai ser mesmo de morte!

sábado, junho 09, 2012

Memórias do Euro

O Euro 2012 já começou mas é mais logo que Portugal entra em campo.
Por diversas razões este campeonato europeu de futebol traz-me à memória o de há 12 anos atrás, sendo essas razões as muitas comparações que eu posso fazer, nem tanto a nível desportivo mas mais a nivel circunstancial, mais especificamente comigo mesmo.

Há 12 anos atrás estava eu em Inglaterra. Julgo ter sido o primeiro campeonato que assisti de fora e foi também a primeira vez que, como combinado previamente com um inglês, comprei uma camisola oficial da selecção. Isto tudo para ir assistir especificamente o jogo Portugal - Inglaterra, em "casa" do adversário, ou seja, num pub. Éramos 2 tugas, os únicos, eu e o meu amigo Filipe que também lá estava a trabalhar em Inglaterra comigo.

Agora estou novamente no estrangeiro, no país onde há 12 anos se disputou a partida, mas também um dos países cuja selecção está no grupo de Portugal. Tal como há 12 anos estou aqui com mais alguém, desta vez a esposa, e vamos ambos ver o jogo a um tasco e equipados com camisolas da selecção (mas só eu com a oficial deste ano). As horas serão as mesmas 20:45, a diferença é que agora vamos no Sábado e o outro foi numa segunda-feira, depois do trabalho.

A nível desportivo existem algumas semelhanças também: Portugal não parte de todo como um favorito, estamos no chamado grupo da morte tal como há 12 anos estávamos num grupo muito complicado (só não era o da morte porque poucos contavam com Portugal) e vamos jogar contra a Alemanha, uma das grandes candidatas à conquista do título.

A minha memória de há 12 anos vai ser algo que perdurará para sempre e uma história para ir contando a amigos, filhos e netos. Como 2 tugas no meio de um pub festejaram o doce sabor da vitória conquistada com uma reviravolta das mais fantásticas da história do futebol nacional. E eu ainda meti £10 ao bolso duma aposta que fiz, quando aos 0-2 o inglês já cheirava a nota todo feliz. A apoteose dessa noite foi eu celebrar sozinho o 3º golo (poderá ter sido o 2º) pois o Filipe tinha ido ao WC e só se lembra de ouvir um único gajo a berrar no pub e o resto do povo com silêncio de morte...

Mais logo não será bem assim. Primeiro não jogamos (ainda) contra o país onde estou, e segundo, vamos estar num tasco português (Os Lusitanos) no meio de muitos outros tugas, logo os festejos serão sempre diferentes.
Isto obviamente se não sairmos desiludidos com a partida e/ou resultado.
Mas como dizia o Zé Nando, jogador do Alverca S. Pedro da Cova, no futebol são "11 contra 11, homens contra homens" e o que é preciso é "jogar o jogo pelo jogo e danificar a camisola".

quinta-feira, junho 07, 2012

Saltimbanco ou barquinho apagado

Andava eu na quarta-classe e fiz uma redacção sobre o que eu queria ser um dia quando crescesse:
Quero ser uma marinheiro, sulcar o azul do mar, vaguear de porto em porto até um dia me cansar. Quero ser um saltimbanco, saber truques e cantigas, ser um dos que sobe ao palco e encanta as raparigas.

A professora chamou-me ao quadro e deixou descomposto: "Oh menino atolambado, que partida de mau gosto".
Lá fiz outra redacção:
Quero ser um funcionário, ser zeloso e ter patrão, deitar cedo e ter horário. Ser um barquinho apagado sem prazer em navegar, humilde e bem comportado, sem fazer ondas no mar.

A professora bateu palmas e deu-me muitos louvores. Apontou-me como exemplo e passou-me com 15 valores.

Esta história não é minha e tenho quase a certeza que é fruto da imaginação do Carlos Tê mas que muito provavelmente se inspirou em eventos reais e fez mais um belo retrato duma realidade, que pretendia ser em 1964. Não sei em que ano exacto terá Carlos Tê escrito esta letra, mas eu conheci-a pela música "O que eu quero ser quando for grande" do mítico álbum do Rui Veloso "Mingos & Os Samurais", gravado e editado em 1990.

O certo é que para mim este simples texto ainda hoje tem muito de verdade em parte do território de Portugal, senão na grande maioria. Um miúdo que ande na escola e tenha ideias diferentes (neste caso mais de artista o que é normal no caso de quem escreveu) é puxado para baixo e pretende-se que o mesmo seja apenas mais um gajo mediano como muitos. Isto acontece na escola, na família e na sociedade também.
Carlos Tê conhece muito bem a realidade portuguesa e acerta em cheio em poucas palavras, tecendo uma bela caricatura pela boca de um miúdo de 9~10 anos.

E aproveito para fazer a ponte para um outro miúdo, este de 15 anos oriundo dos Estados Unidos e de seu nome Jack Andraka. Este miúdo foi o vencedor da edição deste ano da Intel International Science and Engineering Fair tendo desenvolvido um teste que permite detectar de forma precoce 3 tipos de cancro. E sendo esse teste bastante mais fiável que os actuais e extraordinariamente mais barato (para saberem mais cliquem no nome do rapaz para lerem um artigo sobre isto).
Ora o Jack Andraka não deve realmente querer saber cantigas e subir ao palco (se bem que deve gostar de encantar as raparigas) mas seria certamente um saltimbanco pensando em grande e fora dos padrões habituais, como dizem os anglófonos think outside the box, muito mais além do que é expectável nesta altura, o 9º ano de escolaridade.
Eu pergunto-me se por acaso o mesmo Jack Andraka em Portugal algum dia teria oportunidade de fazer o que fez. Eu sinceramente acho que não porque seria alvo de gozo dos colegas, de inveja de professores, já para não dizer que a industria ou outros cientistas nunca permitiriam que um miúdo de 15 anos inventasse esta coisa!

De certo modo sei que estarei a ser um bocado exagerado nesta transposição da metáfora do Carlos Tê para a sociedade de hoje, mas quanto mais penso no assunto mais me convenço, e adoraria estar errado, que infelizmente a maioria da sociedade preferiria que o Jack Andraka fosse apenas mais um zeloso barquinho apagado, com um patrão e horário.

terça-feira, junho 05, 2012

Empty shell

O Oita já foi o centro comercial de Aveiro. Durante muitos anos o maior com vários andares de lojas, muitas delas míticas como o Patinhas Burguer, a Croissanteria, a Zara, salão de jogos, lojas de informática e várias relojoarias. Tinha também uma sala de cinema que estava quase sempre cheia.
Como muitas outras coisas de um outrora relativamente recente, não aguentou a mudança dos tempos onde o shopping está intimamente ligado a um super ou hipermercado e a lojas grandes. Grande só tinha mesmo a Zara mas até essa se mudou para outro shopping mais moderno.

E o Oita assim foi ficando, vazio, cheio de pequenos e baixos espaços em branco com papeis nas portas a dizer "ALUGA-SE" ou "TRESPASSA-SE". Alguns negócios se mantiveram, outros novos se criaram (ou mudaram) lá. É engraçado que o Oita manteve o seu traço de inovação em Aveiro, sendo sede da primeira loja legal relacionada com drogas em Portugal (dizem eles) e das primeiras sex-shops da região.
Mas apesar disto continua muito vazio, uma sombra do que já foi. De vez em quando vou até lá, sobretudo para ir à costureira a quem recorremos e fico sempre um pouco triste por ver no que se tornou.

Como disse, os papeis abundam, mas ainda nos podemos surpreender com o que lá vemos. Nomeadamente na porta do antigo "Manhas & Manias" que de acordo com os responsáveis, não está para alugar nem trespassar. Está somente "temporariamente encerrado" apesar de não se saber o motivo. Mas é uma interpretação muito própria do significado de "temporariamente", pois o mesmo papel que pelos vistos ninguém mexeu, está datado de Julho de 2002!
Temporariamente encerrado há 10 anos e se calhar por 10 anos mais...

domingo, junho 03, 2012

A malta que me desculpe

É verdade que estive de férias, 2 semanas e estive por Portugal, mas apesar disso só passei mesmo 5 dias completos em terras lusas. E com as visitas obrigatórias à família directa, compras a fazer e este ou aquele assunto que era preciso resolver, esses 5 dias foram curtos para usufruir da companhia dos amigos.

Faltou uma jantarada, uma noite de copos e muitos dedos de conversa a falar-se de tudo e mais alguma coisa.

Fica a promessa, espero que não de político, de novas oportunidades lá para Setembro. Serão também 15 dias (para ter férias várias vezes por ano, tem de ser menos tempo de cada vez) e se a mulher quiser ir fazer praia para o Algarve ficamos mais limitados (mas permite visitar os amigos meridionais), mas tenta-se planear melhor para a malta que mora mais no setentrião.

Mas as portas da casa de Amesterdão também estão abertas e espaço não falta para quem nos queira, e possa, visitar...

segunda-feira, maio 28, 2012

A BaKano le gusta el México

Há uma semana atrás, praticamente a esta hora, imitamos Colombo e rumamos a Poente mas tal como Cortés chegamos a território Maia, mais precisamente na Península de Yucatán.

Não foi nada de muito exótico, uma simples viagem para um destino comum de férias, a Riviera Maya, com um pacote de tudo incluído e a ideia de aproveitar sol, praia e o mar das Caraíbas sem preocupar com comidas, bebidas e outras coisas mais.
Como nunca tínhamos tido essa experiência antes achamos que era tempo de experimentar.

Obviamente isto não dá para conhecer o México, país que sendo o menor da América do Norte (o resto são ilhas e América Central) parece ser o mais diversificado, mas daquilo que me foi dado a conhecer eu gostei.

A ideia do vir fazer praia e nada fazer, não foi exactamente concretizada. Era obrigatório ir a Chichen Itza (a Boca do Poço dos Itzae) e não passear um pouquinho seria desperdício. Ainda éramos para visitar uma ilha parte duma grande reserva natural do Caribe mas o que nos venderam não era exactamente o que ofereciam e voltamos para trás.
Mas ainda acabamos por nos cansar a passear, apesar de ainda aproveitar uns dias de lazeira completa, regados com vários coktails, mas nada de bebedeiras que eles carregam pouco no álcool.
Sobre o "tudo incluído" é um pouco como os seguros contra todos os riscos. Nunca é bem assim e sempre tem alguma coisa a pagar. Mas a malta tem de viver e o turismo é uma enorme fonte de receita (senão a única importante) para esta região. Os preços até são bastante em conta mas isso também leva a que se gaste por ser barato.
Mais impressões ficam para as conversas com a malta e o álbum de fotos.

Vou contente e satisfeito, e tal como nos dito na chegada, com vontade de ficar mais tempo e regressar. Mesmo nos contratempos se aproveitou para conhecer algo, nem que seja apenas a conversa com o motorista no regresso ao hotel depois de desistir duma excursão e ver o exército na estrada.

E levo na memória as coisas fantásticas, como Chichen Itza, nadar com golfinhos e a enorme simpatia desta gente.

Viva México!

segunda-feira, maio 14, 2012

Grécia fora do Euro

Anda tudo a falar quando é que a Grécia sai do Euro, mas para mim isso é super-fácil. Sai no dia 16 de Junho aquando do ultimo jogo do Grupo A pois não acredito que chegue aos Quartos!



Outra coisa que não acredito é que ainda ninguém tenha começado a fazer chalaças entre o Euro e o €uro.
Ainda por cima o seleccionador deles é Português daí a relação que fazem entre os 2 países.

LOL

sábado, maio 12, 2012

Xôr Ministro

Não quero estar a defender ninguém mas lembrei-me de repente duma cena. E acho que se aplica sempre, mesmo em tempos mais favoráveis, mas sobretudo nestes tempos de crise e austeridade não tenho dúvida alguma que seria verdade:

Se eu fosse o Ministro das Finanças, até eu insultava a mim próprio repetidas vezes!

sexta-feira, maio 11, 2012

Voltas e voltas

Ontem um amigo partilhou uma história no Facebook. Sem vídeo apenas com uma fotografia e um texto em português um bocado simplificado. O "original" não era dele, ele simplesmente partilhou duma daquelas páginas de comunidade onde alguém mete coisas e textos idealistas e generalistas.

Fui logo comentar, "Isto já tem uns anos, não?". E tinha. A minha memória ainda não foi toda pró galheiro e lembrava-me realmente de já ter lido a história e visto até o vídeo (pois isto aconteceu em 2007). E não tinha sido no Facebook, teria recebido por outra meio social ou por e-mail mesmo pois há uns anos atrás estas estórias bonitas ou relatos fantásticos viajam por e-mail.

E viajavam tanto que tinham o dom de voltar à baila, certamente depois de darem a volta do mundo.
Muitas vezes repassávamos um e-mail curioso, como este artigo do Washington Post e passados uns meses voltávamos a receber ou oriundo de outras pessoas, mas muitas vezes das mesmas pessoas a quem tínhamos repassado antes.
Para além do fenómeno das estórinhas andarem sempre a viajar pelo mundo, havia por vezes outro factor curioso associado. Algumas pessoas davam-se ao trabalho de mudarem datas e nomes e locais para dar a entender que era uma coisa nova ou mais credível. Isto acontecia muito com mails a avisar de esquemas de burla ou séries de roubos em que de vez em quando recebia o mesmo texto base mas com datas mais recentes e dizendo que tinham acontecido em Poiares, Baião ou Freixo-de-Espada-à-Cinta, com o Manuel das Couves e a Tia Maria das Dores! Admito que nunca percebi exactamente a motivação por trás desta necessidade de adulterar uma estória já por si fabulástica.

Agora com o aparecimento de todos estes meios sociais, como o Facebook e outras redes similares faz com que ressurjam coisas que muitos já nem se lembram. Um dia qualquer alguém vê uma estória que ainda não conhecia e partilha no meu mural (ou envia para todos os contactos de e-mail). E assim começa uma nova cadeia porque existem aqueles que partilham sempre sem sequer ler tudo, os que se esqueceram que já viram aquilo há uns meses (às vezes ainda menos) e os que realmente nunca viram e partilham com as melhores das intenções.
And so on, and so on...

E é por isso que existem estórias, imagens, textos, powerpoints que estão constantemente às voltas e voltas, e lá voltam a aterrar no nosso computador regularmente. E nós como bom mensageiros que somos, toca a repassar para toda a gente.
Mais uma ficha, mais uma voltinha... 

segunda-feira, maio 07, 2012

Nouvelle Révolution?

Ontem a França escolheu a mudança. Este país responsável por tantas outras revoluções científicas, ou mudanças de paradigma, como a Revolução Francesa e o Maio de 68, palco de tantas batalhas ao longo da história da Europa (e consequentemente do Mundo) será de novo um actor principal numa verdadeira mudança de ideologias, ou estaremos apenas a assistir a uma mudança do nome do ocupante do Palácio do Eliseu?

Sinceramente não posso afirmar, nem conheço muito bem François Hollande para ter ideia do que ele pensa. O que eu sei é que os últimos anos, com crise financeira a levar a crise mundial que sobretudo abalou a Zona Euro e a Europa unida em geral, mostraram-me que existe algo de muito errado no modo de se gerir empresas, finanças e países. Crises são cíclicas é verdade, mas parece-me que nos dias de hoje as ideologias de gestão, que parecem ser as mesmas quer a nível de negócios quer de governação politica, esgotaram-se e só levam a uma repetição de episódios de crise cada vez mais frequentes.

Eu acho que o tempo é agora de aparecer uma mudança de paradigma e deixar-mos de repetir os mesmos erros dos últimos tempos. Como disse em tempos o meu amigo Baltazar, não exactamente por estas palavras: São os gajos que nos levaram à crise que dizem que vão tirar-nos dela.
Bem, um deles já não vai fazer mais nada em relação a isso (acho eu!).

A França foi o primeiro país que no pós-crise votou mudança em condições normais. Hollande promete muito, mas arranca logo com as mãos atadas (já foi convocado pela Madrinha Merkel e tudo!). Pode no entanto assentar as fundações da mudança. E o que a sua eleição e posterior governo podem levar é uma verdadeira revolução à grande e à francesa, daquelas bombásticas, caso as promessas caiam em saco roto.
E essa revolução, tal como as outras que mencionei, terão eco em toda a Europa e Mundo.
Por isso mesmo é que ontem em plena Praça da Bastilha se agitavam bandeiras francesas, polacas, romenas, egípcias, etc... O Mundo está de olhos postos na França. E eu também.

domingo, maio 06, 2012

Caminhos turtuosos

Não deixa de ser curioso que nos dias de hoje consiga haver tantas diferenças, mesmo que pequenas, nas casas (e apartamentos) entre países.
E nem estou a falar sequer das casas no centro das cidades, como as de Amesterdão, com as suas escadas estreitas e íngremes e salas enormes mas restantes divisões minúsculas.

Um desses exemplos de diferença é mesmo o desenho interno dos edifícios. Como por exemplo aqui no meu, que até é daqueles mais convencionais (para nós portugueses) em que todos os corredores e escadas são internos, mas não deixa de ter o seu quê de estranho.

Se eu quiser ter um comportamento mais saudável e descer pelas escadas, tenho logo um dilema: Vou por qual? A que está mais perto ou mais longe?
A resposta depende para onde vou, porque a que está mais perto vai dar directo à rua por uma porta que só abre por dentro, e a outra escada dá no hall de entrada do edifício no rés-do-chão e permite o acesso à garagem (outra escadaria diferente).

E depois isto dá tantas voltas que à primeira parece um labirinto. Se eu quiser ir à garagem e não usar o elevador tenho de abrir 8 portas de corredor. Se por ventura precisar de ir aos arrumos, são mais 2 portas para abrir (fora a do próprio arrumo) no mínimo, pois depende se corto pela garagem ou vou pelo labirinto de corredores iguais.
Uma coisa é certa, é preciso algum tempo para se habituar ao caminho e se por ventura mandar alguém novo is buscar algo aos arrumos, garantir que leva telemóvel, pois pode perder-se pelo meio e ser necessário ir buscar.

quarta-feira, maio 02, 2012

Rapidinha do dia

Qual a diferença entre o Pingo Doce, a Apple e o Harrods?
O Pingo Doce gera mais confusão com uma simples promoção...

terça-feira, maio 01, 2012

1º de Maio - Dia do Comprador

Neste dia de feriado (em muitos países mas não aqui na Holanda) não posso deixar de escrever sobre a situação do Pingo Doce. Escrevo este texto convencido que a maioria que o vai ler está a par da situação caótica que se passou um pouco por todo o país (penso eu de que) com a promoção de 50% em compras acima de €100 ou coisa parecida.

Admito que este texto não foi criado agora, e é mais uma recolha de comentários que já deixei pelo Facebook.

Ao longo dia seguindo o Facebook de várias pessoas, apercebi-me desta promoção e da loucura geral que a mesma gerou, lendo estórias de discussões entre clientes com porrada e tudo, consumir produtos sem pagar a aproveitar a confusão, horas de fila, lojas fechadas antes de tempo por não haver mais espaço para entrar, roubos de carros de compras, etc... Até li que pessoas deixaram os filhos durante a correria ao Deus de Ará!

Eu não condeno as pessoas tentarem aproveitar o desconto. É um desconto muito grande e acredito que tenha havido quem realmente tenha encontrado nesta promoção uma ajuda preciosa nos tempos difíceis. Mas muita gente parece ter ido naquela de comprar por comprar. Por exemplo parece-me estranho as pessoas filmarem/fotografarem os acontecimentos com os seus iPhones e colocarem logo online porque era giro... Mas os comportamentos que mencionei em cima não fazem sentido para pessoas normais!
Eu se aí estivesse e tendo um Pingo Doce à porta de casa, talvez tivesse tentando lá ir, mas ao ver a loucura desistia porque não estava para perder horas e juízo numa doideira destas. O mais certo é que veria a confusão da varanda da sala e passaria o dia a amaldiçoar o Pingo Doce por trazer aquela confusão...

Alguém caracterizou tudo isto como um cenário deprimente. Concordo em parte, mas só é deprimente porque as pessoas assim o fizeram!
Uns decidem "gozar" com a malta e o povo adere em força... mas diz que não concorda!
Para mim isto foi um gozo aos trabalhadores do Pingo Doce (tendo em conta o dia que foi) que devem ter passado por um tormento e que não terá acabado tão cedo quanto isso (as lojas têm de estar limpinhas e prontas para abrir amanhã, mesmo que tenham poucos clientes, não é?).
Alguém me disse que os trabalhadores até estariam contentes porque receberam a triplicar, mas mesmo que assim seja ele terão tido o triplo ou mais do trabalho. E a isto junta-se as notícias de que muitos foram ameaçados de despedimentos caso recusassem trabalhar hoje!

Mas na verdade não se pode apenas culpar os patrões ou as autoridades que criaram e permitiram isto: se problemas aconteceram foi devido aos portugueses em geral, portanto é só mais um reflexo que temos o país que merecemos.

segunda-feira, abril 30, 2012

BaKano en de Koningin


Pois como já tinha dito ontem, hoje foi a grande festa aqui da terra das tulipas, o Koninginnedag (Dia da Rainha) onde se festeja oficialmente o aniversário da mesma, apesar dela ter nascido em Janeiro. Mas como em Janeiro não faz bom tempo, a Rainha Beatrix manteve a data da sua mãe, a Rainha Juliana, para que as pessoas pudessem vir para a rua festejar como senão houvesse amanhã, ou então fazerem do país um gigantesco vrijmarkt (feira da ladra).

O ano passado foi num Sábado, só que eu estava de cama (entre a cama e o sofá) doente com gripe e não tinha muitas forças para ir festejar (ou ver as modas). Este ano tive de trabalhar, porque temos de garantir "serviços mínimos" no nosso departamento.
No entanto estava decidido a participar dalguma maneira.

Começou de manhã ao cumprir com a regra de vestir laranja, mesmo estando fechado em casa. Na hora de almoço fomos fazer uma compra rápida. Não numa das muitas feiras ladras que existem pelas ruas fora, apesar de as termos visto, mas ao Ikea (what else?) comprar umas Billy a 1/3 do preço.
E como tinha turno até às 18:00, e depois ainda fechar as coisas e tal, só deu para sair de casa pouco antes das 18:30, rumo ao centro para tentar ver qualquer coisita.
No entanto eu tinha um plano, talvez um pouco imprudente tendo em conta o dia, mas que eu achei que funcionaria: pegar no carro e ir até onde não podia ir mais, estacionar onde desse e ter sorte em experimentar um pouquinho do que é este dia.

Funcionou em pleno. Com os transportes a ir por percursos diferentes do normal e com a maioria dos foliantes já mais para lá do que para cá, chegamos bem perto do centro e tentando a minha sorte, estaciono mesmo ao lado da Leidseplein. E a cereja no topo do bolo é que hoje o estacionamento em Amesterdão é gratuito.
Foi mais rápido e mais barato do que se fosse de transporte público e fiquei mais perto da acção.

Sobre a festa, já vimos o rescaldo, mas ainda muita gente na loucura. Alguns barcos também ainda andavam com musica aos berros e malta a abanar o capacete.
Uma espécie de cortejo de Queima das Fitas, mas sem cortejo e com toda uma cidade a participar por todo o lado. É mais ou menos assim o cenário com que nos deparamos.
Fica-se com uma enorme vontade de aproveitar o próximo em pleno.

Dentro de algum tempo (pouco ou muito não sei ao certo) podereis ver aqui ao lado o álbum das (poucas) fotografias que tirei nesta hora e pouco que andamos na rua...

domingo, abril 29, 2012

Rei Pinto

Amanhã festeja-se aqui nos Países Baixos o Dia da Rainha (Koninginnedag) que é a maior festa aqui do burgo e arredores, toda a gente sai à rua vestida numa cor (laranja) e festejam o que bem entenderem.

No Porto, e um pouco por todo o país digo eu, já se começou a festejar o Rei Pinto, que também é um bocado parecido com a festa daqui, pois a malta sai à rua vestida numa cor (azul e branco) e festejam um pouco à semelhança dos holandeses ;-)

Parabéns ao FC Porto pelo 26º título de campeão nacional. Admito que estava a contar que podia ir até à ultima e o Porto vencer com 1 ponto de vantagem, mas o Benfica nem teve capacidade para isso.

E o Porto vence a 2 jornadas do fim com um Vítor Pereira a treinador, muito criticado pelo menos na primeira metade do campeonato e que parecia não ter o nível necessário para uma equipa com o pedigree do Porto. Acho que muita gente não acreditaria ser possível (eu um deles durante uns tempos) mas foi!
Mas não tenho a certeza que ele fique. Mas já tem um título no currículo (tantos quanto o JJ) e isso ninguém lhe tira.

Agora é só ver como fica "oficialmente", ver quem ganha a Taça e esperar pelo Euro 2012.

quinta-feira, abril 26, 2012

Método Holandês VS Método Português

Agora que "A Crise" também chegou aqui, o Governo caiu e discute-se medidas de austeridade, a malta já começa a falar de exemplos de dinheiro mal gasto.
Então queixava-se uma colega que aqui haviam vários exemplos de maus gastos com as estradas, como no caso onde ela vive onde não construiram correctamente uma e todos os anos fazem obras de reparação mas nunca o fazem bem (obrigando a voltar no ano a seguir).

Ora eu disse que mais valia então usar o método português: Nunca acabas realmente uma estrada, mas também nunca fazes obras porque os carros podem passar por isso serve! Assim gastas menos dinheiro em tudo.

Dito isto, fiquei a pensar que apesar de não se acabar nem reparar as coisas, o Método Português deve sair mais caro aos contribuintes que o Método Holandès, certamente...

quarta-feira, abril 25, 2012

25 de Abril, Sempre!


Qualquer que seja a ideologia, qualquer que seja a educação, qualquer que seja a origem ou o sítio onde estamos, este é e será sempre O Dia da Liberdade para todos os portugueses recordar e celebrar (mesmo que sem grandes manifestações públicas).
Lembro-me de há uns anos estar muito em voga este dizer (ver mais abaixo), mas continua a fazer todo o sentido e a aplicar-se aos dias de hoje e certamente ao futuro. Faz certamente mais sentido do que o saudosismo de uma determinada pessoa e regresso a esses tempos (que eu não experienciei por mim mesmo):

O que precisamos é de mais 25 de Abril!

terça-feira, abril 24, 2012

Flatulências

Tinha algumas dúvidas de como titular esta dissertação, mas decidi ir com a definição médica deste fenómeno tão comum em todos os animais, mas que nós os humanos podemos transformar em verdadeiros fenómenos.
Diz-nos a Porto Editora que a Medicina define flatulência como "expulsão mais ou menos ruidosa de gases acumulados nos intestinos pelo ânus". Ou seja, estou a falar de peidos (que o meu corrector com Acordo Ortográfico diz ser uma palavra incorrecta!).

A inspiração para este tema pode-se dizer que vem do dia-a-dia pois um gajo peida-se a toda a hora e instante, por assim dizer, mas admito que hoje tive mais vontade de escrever pois de manhã no elevador um gajo bufou-se alto e bom som.
É sempre constrangedor o peido público não é? Para alguns mais desenvergonhados as tantas é como outra coisa qualquer e não estão minimamente preocupados, mas julgo que a maioria das pessoas tem alguma vergonha deste acto.

Eu por mim sou fã do fenómeno. Tem alturas que sabe tão bem, mas mesmo tão bem que parece que um gajo tem um orgasmo. Já ouvi alguém dizer, na primeira pessoa, que tinha tido orgasmos a beber café ou mesmo a cagar, mas a peidar não tenho a certeza!
O que acho que curioso no peido, é que existe tipos pré-definidos para o mesmo, desde os nomes que descrevem a intensidade, como os que descrevem a circunstância.
Curioso também é a definição da palavra pela mesma Porto Editora: "ventosidade, ruidosa ou não, expelida pelo ânus".
Que máximo, se há coisa que eu nunca me lembraria de chamar a um peido era ventosidade!

O peido é um dos actos renegados do ser humano. Passado muitas vezes para segundo ou terceiro plano a malta tende a esquecer a sua importância. Até mesmo como facto de divertimento. Quando não estamos presos pelas regras da sociedade, toda a gente se diverte com os seus ou os peidos dos outros. Quem nunca se meteu debaixo dos lençóis depois de um peido mais inesperado para sentir o seu odor?
Admito que não é das coisas mais favoritas, mas curiosamente com os peidos aplica-se o provérbio "Os filhos nunca cheiram mal aos pais". Quando por acaso um peidos que damos até para nós é insuportável, imagino como será para os outros que o sentem.
Tem peidos que deveriam ser considerados uma arma química de destruição maciça, se bem que às vezes tem o efeito desejado, de fazer dispersas a malta que nos rodeia.
E quando se reprime os peidos, costuma-se sofrer bastante, e depois custa solta-los, sendo necessário diversas técnicas especiais, diferentes de pessoa para pessoa.

Não neguem o poder que advém do peido, e como diz a imagem, peide feliz!

Confuso, não?

Ora bem, por causa de eu ter estado no Japão, arranjo um negócio de venda de um autocarro usado em Portugal para ir para os Camarões. Isto, estando na Holanda e a falar em francês com um camaronês que tem passaporte britânico, que depois telefonou para Portugal a falar em inglês.
Confuso não?

Tudo tem uma explicação. O irmão do meu colega camaronês quer comprar 1 ou 2 mini-bus (de aproximadamente 20 lugares) usados para iniciar um negócio lá em África. Eles queria comprar um modelo Toyota por causa da fama dos mesmos, mas o que eles procuram é fabricado no Japão e China e não se vende normalmente na Europa. Ele sabia que eu tinha estado no Japão e veio-me perguntar se tinha conhecidos para ajudar a procurar. Isto fez-me lembrar que a Salvador Caetano fabrica mini-buses com chassis e motor Toyota e depois duma pesquisa lá lhe mostrei o modelo da Caetano é que é "igual" ao tal Toyota que eles procuravam. Segunda pesquisa por usados e encontro um à venda, o gajo fica todo entusiasmado com o preço e liga logo para o vendedor, uma empresa de venda de veículos de trabalho usados. E ficou felicíssimo e muito entusiasmado com o possível negocio.

E tudo veio de eu ter falado sobre o Japão durante um almoço...

sexta-feira, abril 20, 2012

A Múmia no museu

Davido ao choque da exibição erótica-pornográfica da Oude Kerk, nem sequer me lembrei de comentar outro fenómeno que vi no mesmo num outro museu.

Ao reflectir sobre 2 coisas fico a pensar se estamos a assistir a toques de ironia dos Holandeses, se é derivado ao curioso sentido de humor destes gajos, ou se simplesmente uma pequena estupidez sem muito sentido.

Dos quadros já falei, falta falar do outro fenómeno. Ora bem esse está no Allard Pierson Museum, que é o Museu de Arqueologia da Universidade de Amesterdão, mais especificamente na exposição dedicada ao Egipto. Lá pelo meio da desorganizada e confusa visita, havia um grande cartaz do filme A Múmia, tal como este da imagem.
Eu tenho de dizer que para mim parece um bocado ridículo numa exposição histórica de um museu, fazer-se referência a ficção cinematográfica que ainda por cima não tem ponta de rigor histórico!
Pode ser só de mim, mas eu acho que associar uma exposição sobre o Antigo Egipto ao filme A Múmia, tem ares de piada de mal gosto.
É aquilo que na internet se chama de um FAIL!

segunda-feira, abril 16, 2012

À volta da velha igreja

Sempre que passo por aqueles lados, e não vou esclarecer se é muitas vezes ou poucas, o mesmo pensamento vem-me à ideia. Julgo mesmo que partilho em voz alta este pensamento com a pessoas que me acompanha.

É curioso como o Red Light District, a prostituição, surgiu à volta da Oude Kerk (Velha Igreja) que é a mais velha igreja paroquial de Amesterdão. É que as vitrines das meninas estão mesmo ao lado da Igreja. Não estão todas lá, mas as primeiras montras que aparecem aos visitantes que vêm da Dam (talvez o sentido por onde vêm mais pessoas) estão logo ali ao lado e literalmente à volta da Igreja.

Ainda mais curioso é que a Oude Kerk ainda é lugar dalgumas celebrações e eventos famosos como a entrega dos prémios do World Press Photo!
Neste domingo passado fomos visitar o interior da Oude Kerk e lá dentro estava a cereja no topo do bolo: uma exposição de quadros onde a pornografia reinava!

Pensando melhor, isto é do mais simbólico que pode existir; a prova viva de que o profano e o sagrado andam de mão dada, ou ainda melhor, o pecado mora mesmo ao lado!

Pelos vistos as autoridades ao fim destes anos todos lá acharam que situação era um bocado estranha, o sexo e as drogas à porta de um dos mais antigos símbolos religiosos da cidade, e existe o plano de retirar toda a prostituição e cofeeshops da zona em redor, para substituir por restaurantes, lojas e ateliers de arte. Se bem que esse plano já data de 2007 e para já poucas mudanças são visíveis.

No entanto presumo que arte de teor menos sagrado como quadros pornográficos possam continuar a ser exibidos no interior da velha igreja.

quinta-feira, janeiro 26, 2012

De vez em quando acontece

Estava eu aqui sentado ao computador a trabalhar a pensar nos dias tristes que temos tido, cinzentos, enublados, molhados e olho para Oeste, o meu lado esquerdo que é também a direcção de Schiphol e vejo uma bola laranja a tocar o chão entre 2 edificios mais altos de Schiphol. Incrível como o sol decidiu aparecer mesmo no final depois de todo o dia (e os anteriores também) escondido.
Que bela imagem me proporcionou e aos colegas com quem partilhei o momento.
Agora já se foi, foi mesmo só aparecer no momento do pôr-de-sol. Ainda se vê uma cor rosada por trás de Schiphol mas tudo está cinzento e triste em todo os outros lados.
Não tenho imagem para este post. Ou tirava uma foto do momento, ou usar uma qualquer imagem parecida sacada da net seria insuficiente.
De vez em quando estes momentos de rara beleza acontecem e eu assisto e ao contrário de outras pessoas não saco logo do telemóvel para os registar, ficando apenas a contemplar em interna satisfação...