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sábado, junho 09, 2012

Memórias do Euro

O Euro 2012 já começou mas é mais logo que Portugal entra em campo.
Por diversas razões este campeonato europeu de futebol traz-me à memória o de há 12 anos atrás, sendo essas razões as muitas comparações que eu posso fazer, nem tanto a nível desportivo mas mais a nivel circunstancial, mais especificamente comigo mesmo.

Há 12 anos atrás estava eu em Inglaterra. Julgo ter sido o primeiro campeonato que assisti de fora e foi também a primeira vez que, como combinado previamente com um inglês, comprei uma camisola oficial da selecção. Isto tudo para ir assistir especificamente o jogo Portugal - Inglaterra, em "casa" do adversário, ou seja, num pub. Éramos 2 tugas, os únicos, eu e o meu amigo Filipe que também lá estava a trabalhar em Inglaterra comigo.

Agora estou novamente no estrangeiro, no país onde há 12 anos se disputou a partida, mas também um dos países cuja selecção está no grupo de Portugal. Tal como há 12 anos estou aqui com mais alguém, desta vez a esposa, e vamos ambos ver o jogo a um tasco e equipados com camisolas da selecção (mas só eu com a oficial deste ano). As horas serão as mesmas 20:45, a diferença é que agora vamos no Sábado e o outro foi numa segunda-feira, depois do trabalho.

A nível desportivo existem algumas semelhanças também: Portugal não parte de todo como um favorito, estamos no chamado grupo da morte tal como há 12 anos estávamos num grupo muito complicado (só não era o da morte porque poucos contavam com Portugal) e vamos jogar contra a Alemanha, uma das grandes candidatas à conquista do título.

A minha memória de há 12 anos vai ser algo que perdurará para sempre e uma história para ir contando a amigos, filhos e netos. Como 2 tugas no meio de um pub festejaram o doce sabor da vitória conquistada com uma reviravolta das mais fantásticas da história do futebol nacional. E eu ainda meti £10 ao bolso duma aposta que fiz, quando aos 0-2 o inglês já cheirava a nota todo feliz. A apoteose dessa noite foi eu celebrar sozinho o 3º golo (poderá ter sido o 2º) pois o Filipe tinha ido ao WC e só se lembra de ouvir um único gajo a berrar no pub e o resto do povo com silêncio de morte...

Mais logo não será bem assim. Primeiro não jogamos (ainda) contra o país onde estou, e segundo, vamos estar num tasco português (Os Lusitanos) no meio de muitos outros tugas, logo os festejos serão sempre diferentes.
Isto obviamente se não sairmos desiludidos com a partida e/ou resultado.
Mas como dizia o Zé Nando, jogador do Alverca S. Pedro da Cova, no futebol são "11 contra 11, homens contra homens" e o que é preciso é "jogar o jogo pelo jogo e danificar a camisola".

sábado, junho 17, 2006

Um país muito à frente - Parte 1

Aqui há 2 semanas atras, estive doente. Uma amigdalite que esteve a chocar no final da semana, despertou no Sábado e obrigou-me a passar o Domingo de cama, falhando a ida planeada ao circuito de Thruxton pra ver o BTCC (British Touring Car Championship). Mas não estou aqui para falar dos meus males.

Em consequência de estar adoentado, fui comprar remédios. Aqui não é preciso ir a uma farmácia, aliás agora em Portugal tb já não deverá ser, com a nova lei dos medicamentos que permitem aos "hipers" venderem medicamentos sem receita medica. E era mesmo esse tipo de medicamentos que eu iria comprar, uma vez que só tomo umas Aspirinas ou uns Paracetamol's qd me sinto mesmo em baixo. Então fui fazer as compras ao sítio do costume, um hiper-mercado da marca Tesco, que está aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana (já um sinal do progresso?), e lá me dirigi a secção dos medicamentos, onde encontrei Aspirina e Paracetamol da marca Tesco. Sim, medicamentos da marca do "hiper". É o mesmo que ir ao Jumbo e comprar uma aspirina da marca Auchan, na vez de ser da Bayer!

Já se sabe que aqui eles usam muito mais genéricos que em Portugal (a acreditar no anuncio que passa nas TV's daí), mas este pequeno sinal (medicamentos de marca branca) a preços da chuva (mais barata uma caixa de 16 aspirinas que um pint de lager!) é mais um sinal que mostra que os tão anunciados 20 anos de atraso pra Europa que nós temos em Portugal tem o seu que de verdade!

Estando aqui a trabalhar nos apercebemos do quanto estamos atrás em muitas coisas que não sobressaiem à primeira vista. Andando por aqui a passear até parece que estamos iguais, aliás melhores, pq temos melhor tempo, melhor senso de moda, melhores mulheres, cerveja mais barata (e melhor), melhor comida, etc...
Mas quando vivemos o dia-a-dia e passamos por experiências de vida aqui, é que a diferença salta à vista!

Deixo uns exemplos pra verem como as mentalidades sobretudo a das "instâncias do poder" estão muito à frente:

Exemplo 1
No mês de Abril, foram anunciados despedimentos aqui na NEC onde estou a fazer o meu destacamento. Claro que eles não dizem que são despedimentos, aqui tal como aí, agora dão nomes "bonitos" às coisas más. A empresa foi alvo de uma reorganização e em causa disso alguns postos de trabalhos foram tornados redundantes. Mas não é por darem estes nomes "floreados" às coisas, que eu considero o Reino Unido um país mais à frente. É pela maneira como fazem as coisas. Os despedimentos (gosto de chamar as coisas pelos nomes) foram anunciados numa Quinta-feira, numa reunião geral (aqui chamada de All Staff) por volta das 11 da manhã. Todas as pessoas da empresa receberam autorização pra irem pra casa e "digerir" as más noticias. Todos, mesmo aqueles que não estavam afectados, pq "apenas" 60 e tal pessoas (das perto de 150 que compunham a empresa) estavam em risco e "só" na ordem dos 35 iriam perder o emprego. Mas aí está uma empresa que percebe o choque que estas notícias podem causar. Uma prova disso é que no dia seguinte, Sexta-feira, esteve presente nas instalações da empresa uma psiquiatra ou psicóloga (fiquei sem saber ao certo o que era) para atender quem quissesse ir desabafar. Dava portanto uma "consulta" de borla, confidencial e dentro das proprias instalações da empresa. Mas tem mais. Pra além disto e mais importante que estas 2 pequenas "ofertas", a empresa pôs ao serviço de todos os que assinaram a rescisão de contracto, uma empresa de recrutamento e aconselhamento profissional. E dentro das proprias instalações e durante uns dias antes das pessoas sairem definitivamente da empresa, quem apresentou a rescisão teve consultas e entrevistas com uma empresa que lhes prestou apoio a preencher CVs, lhes apresentou possbilidades de trabalho, inclusivé poderá ter arranjado novos empregos a quem foi despedido! Portanto vejam bem que apesar de "despedir" trabalhadores, eles aqui pagam para uma empresa arranjar trabalho a quem despede, e durante os dias em que ainda se encontram na empresa!
Estão a imaginar serem despedidos, e a empresa que vos põe na rua a arranjar-vos novo emprego?

Exemplo 2
A ir de carro pro trabalho noutro dia, oiço a seguinte noticia na radio: o parlamento britanico aprovou uma nova lei da emigração, cuja aplicação iria fazer com que centenas, senão milhares, de jovens médicos formados na India e que trabalham em hospitais ingleses, fossem obrigados a regressar à sua terra natal. A associação britanica de médicos, o equivalente à Ordem dos Médicos daí, veio reclamar a alto e bom som, que esta medida devia ter sido repensada, para excluir da lei estes médicos, uma vez que eles a irem-se embora, provocariam uma grande falta de médicos no sector da saúde, uma vez que não ha medicos britanicos que chegue, e as pessoas iriam ser prejudicadas pelo baixar do número de médicos disponíveis. Estão mesmo a ver a Ordem dos Médicos de Portugal, preocupada por existirem menos médicos a operar (e logo estrangeiros formados no estrangeiro!) e preocupada com o bem-estar de quem no fundo os mantém. Eles até podem dizer que sim, mas os seus actos ao longo dos anos falam por si...

Exemplo 3
Este exemplo que vou dar não se nota só aqui, mas por toda a Europa do Norte. Como dizia no principio qd andamos pela rua ou falamos com as pessoas, não dá pra ver a maior riqueza deles, ou essa tal diferença de 20 anos no desenvolvimento que se fala "à boca cheia". Eles vestem roupas iguais ou até piores. As diferenças nos carros (há quem diga que pra se ver a riqueza de um país olha-se para a qualidade das estradas e do parque automóvel) não aparenta ser muito grande (mas isso é até vermos a cilindrada dos carros deles e a dos nossos). Nas casas eles realmente até estão atrás, pois tem casas muito mais pequenas e muito mais caras (e nem por isso mais luxuosas). Então pq é que eles são mais ricos ou estão mais à frente? Simples, eles viajam muito mais do que nós portugueses. Praticamente todo o inglês com salário médio (não é preciso mais) viaja com regularidade para o estrangeiro. E muitas vezes para fora da Europa. Até a Australia ou Estados Unidos. E não é pra visitar a familia e ficar em casa deles, como nós muitas vezes fazemos. Vão para hoteis, alugam carros, e fartam-se de passear e gastar dinheiro.
Pois nós conseguimos ter um carro ao nível deles (se bem com um motor de metade do tamanho) e conseguimos ter casas bem melhores, mas enquanto eles viajam por meio mundo pagando tudo, nós vamos a uma França ou uma Alemanha, pq temos lá familia e aproveitamos o alojamento de borla, que senão nem íamos. Um fenómeno recente e crescente é as pessoas viajarem para um país mais pobre, onde o nosso dinheiro parece que multiplica e permite fazer um pouco da vida que estes gajos aqui fazem em países ricos.
Este ultimo exemplo parece ser mais a falar do atraso de salários do que de mentalidade, mas na realidade mesmo com salários mais elevados, nós ainda temos a ideia que o que é preciso é um carro bom e uma casa grande. Estar a passear por sitios diferentes, exprimentado novos odores e sabores e conhecendo novas culturas, não está propriamente embrenhado na nossa mentalidade. Isto pq o pouco dinheiro que sobra depois de pagar carro e casa, são pra ir pras "belas" praias do Algarve apanhar o "belo" do bronze. Quem é quer saber de passeios mais ecléticos com o mar ali tão perto?

sexta-feira, maio 19, 2006

Bateu por trás

Qq coisa entre as 17:45 e as 18:00, ia eu na Oxford Road aqui em Reading, no sentido Oeste, na minha busca por uma loja de peças e acessórios para motas e motards. Seguia devagar, pois a Oxford Road, assim como muitas outras ruas principais de Reading a esta hora, comportava uma grande quantidade de tráfego rodoviário.

Seguindo devagar atrás de um jipe, paramos num semáforo vermelho, mesmo antes da Reading West Station (estação de comboio secundáriade Reading), qd de repente
......PUM......
levo uma sacudidela e penso pra comigo ao mesmo tempo que instintavamente (e felizmente) pisava o travao: "Foda-se! Que caralho de merda?!?!?"
Sim, tinham-me batido por trás. Um Renault Laguna (1ª série, 2ª fase) vermelho, conduzido por um individuo que vim a saber mais tarde ser de raça africana, e doravante designado por O Preto, "esqueceu-se" que ia numa fila e não travou!

Começo logo a pensar: "Brincadeira do caralho! Estou bem tramado com isto agora, estrangeiro com carro alugado e sem franquia zero. Foi o gajo que bateu, mas como é que um gajo faz aqui neste país?"

Saí do carro e O Preto (mesmo africanao, falava mal e tudo) tb, e ele começou logo a dizer que precisávamos tirar dali os carros que estavam a estorvar e começou a dizer que me ia dar o nome e os dados dele e do carro e que eu precisava de lhe dar os meus. Eu disse logo que era estrangeiro, o carro era alugado, e como é que a gente fazia.

Bem, pra não estar aqui a encher com o paleio intermédio que existiu entretanto, resumo a coisa. Atão aqui na Inglaterra funciona assim: os condutores trocam os dados pessoais e do carro. O Preto disse-me que aqui as seguradoras só precisam da matricula do nome e morada do condutor/dono pra resolverem as coisas, e como ele tinha batido por trás, a culpa era dele, a seguradora dele pagava ambos os danos. No entanto ele insistiu que precisava de ter os meus dados e consultar a minha seguradora, para que a seguradora dele pagasse tb o arranjo do carro dele!

Eu estava ali um bocado desconfiado, pq a gente sabe o que acontece aí, até mesmo com Declarações Amigaveis bem preenchidas por ambas as partes, às vezes corre mal. Mas passado uns 5 minutos se tanto, apareceu um policia, que devia estar de passagem e parou, que se limitou a perguntar se estavamos bem, e qd viu que estavamos a trocar os dados, disse que estava tudo bem e foi embora. Obivamente que eu perguntei se era só preciso isto, e ele disse que sim que estava tudo certo. Nem pediu papeis, nem viu seguros, nem mandou arrumar os carros, nem mediu alcool...
Parece que por aqui por defeito tomam-se as pessoas como seres civilizados, que podem resolver as coisas calmamente entre si...

E pronto depois de trocarmos os dados, limitei-me a dizer aO Preto pra ter cuidado porque a ventoínha do radiador parecia estar afectada, e lá arrancamos os 2.

O Peugeot 307, que conduzo agora até á proxima semana, apenas apresenta umas mossas e riscos no para-choques traseiro, apesar da mossa por baixo da placa da matricula ser "grandita".
O Laguna dO Preto ficou com a pior parte do bolo: partiu os farois; o para-choques da frente ficou com algumas partes partidas e tinha uma grande mossa no capot, sobretudo na zona onde esta o losango da Renault.

Acabei por prosseguir a minha busca pela loja, que só depois de 2 voltas encontrei e afinal é muito pequena e não tem o aspecto de loja boa como referido na net por alguns motards em fóruns, e qd voltei pra casa, fui ler o manual da AVIS a ver o que eles diziam pra fazer em caso de acidente (onde fiquei a saber que só devemos/podemos chamar a policia em caso de feridos) e acabei por lhes ligar pra relatar o sucedido. Eles não pareceram muito preocupados, apenas dizeram que se eu quisesse podia ir trocar o carro, e pra depois nessa altura ou qd o entregar preencho um relatório do acidente e deixo-lhes os dados que O Preto me deu. Vou manter o carro nem que seja pra mostrar as feridas de combate ao pessoal no próximo fim-de-semana.