sexta-feira, outubro 21, 2011

Biclas para todos os gostos

Uma das coisas que surpreende mesmo aqui na Holanda, nem é tanto o número de bicicletas que se vêm todos os dias, mas mais a ampla variedade das mesmas. Sobretudo porque aqui tenho visto coisas que nunca vi em mais lado nenhum.
No Japão eu passava por estacionamentos enormes de bicicletas, sobretudo junto às estações de comboio, diria mesmo que maiores dos que vi até agora aqui, mas nunca vi tantos modelos com tantas aplicações como aqui.

A imagem que escolhi para o post, é uma amostra (roubada) disso mesmo. É das coisas mais frequentes que se vê, a bicicleta de familia, cheia de cadeirinhas (atrás e à frente) para levar os miúdos.
Outra alternativa aos bancos é usar-se a bicicleta de carga, como eu lhes chamo, equipada com uma caixa aberta para transporte, quase ao género das pick-ups.
E popular é também a opção de equipar a bicla com uma caixa de fruta à frente, para diversos usos.


A isto tudo temos de juntar um sem fim de tipos de atrelados e outros acessórios, as bicicletas mais convencionais como as que vemos pelos outros países, e aqueles modelos mais escanifóbéticos como aquela versão onde se vai deitado como a que falei noutro dia.
Tenho pena de não poder tirar fotos instantâneas com os olhos quando me deparo com os modelos curiosos e também não sou muito de tirar fotos aos ciclistas assim do nada quando ando pela rua de máquina em punho porque daria para fazer um belo album das excentricidades a pedais (é que nem se pode falar em 2 rodas pois algumas têm mais) que se encontra por aqui.


Mas o que me fez mesmo escrever hoje sobre as biclas, foi ter me cruzado de manhã com outro modelo com aplicação especifica. Uma bicicleta para transportar alguém que use cadeira-de-rodas. Algo do género disto (são 2 modelos diferentes, mas servem para exemplificar o tipo):

quarta-feira, outubro 19, 2011

Esta manhã foi assim

Acordar de manhã e ir fazer a rotina de verificar se os radiadores estão todos quentes (tinha dúvidas que estavam todos a funcionar pois uns estavam sempre frios) e se o parquet do corredor está-se a aguentar ou vai levantar pela 3a vez.

Depois da higiene diária, comer o pão que a esposa fez na véspera e ver que está ainda muito bom apesar de ser pão da véspera. Isto enquanto acabo de ver o episódio do Chuck que estamos a ver ontem à noite antes de adormecer no sofá.

Na vinda para o trabalho ouvir isto:
seguido disto:
e finalmente isto:

E as musicas servem de banda sonora para o "filme" que é ver gajos a andar de bicicleta deitados completamente. E portanto penso e peço se alguém é capaz de me explicar porque é que alguém vai para o trabalho deitado nisto (é a foto mais parecida com o que vejo de vez em quando que arranjei assim num instante):

Depois chega-se ao trabalho e começam outro tipo de filmes...

quarta-feira, outubro 12, 2011

Fria escuridão

Hoje ao sair do trabalho, mais propriamente do edifício, deparei-me com o escuro da noite e um ar bem frio, quase gélido, na cara. E assim apercebi-me que já estamos nessa fase do ano...
Apenas um pensamento me ocorreu nessa altura:
Ohhhh ... foda-se

terça-feira, outubro 11, 2011

Vinho .com

Sim é isso mesmo. Não é um site vinho.com, é um vinho denominado .com. E é bem bom por sinal.
Na semana passada, em terras Lusitanas, provei este vinho pela primeira vez. Razão da escolha foi simples, um misto de curiosidade e economia, pois era dos tintos a melhor preço na lista do Solar O Condado, e o nome despertou-me o interesse.

Este vinho é um produto do Tiago Cabaço, um produtor da nova geração, natural de Estremoz e que escolheu nomes interessantes para os seus vinhos, como sms, .beb e blog para além do já referido .com.
O blog 2009 foi vencedor da talha de ouro, e considerado como o melhor vinho tinto alentejano da colheita de 2009.

Eu fiquei-me pelo mais simples (e barato) .com. Apesar de apreciar vinho, não consigo ser grande caracterizador dos mesmos. Gosto ou não gosto, sei distinguir algumas coisas, mas nunca posso verdadeiramente descrever um. A melhor coisa que posso fazer é aconselhar a malta a beber, e acho que, considerando que é um vinho acessível, vão gostar.

segunda-feira, outubro 03, 2011

Duas de seguida

Não uma, mas duas rapidinhas de seguida, porque parece que estou em modo de secas, ou diarreias mentais como diz a esposa.
Durante (mais) uma road-trip, que começam a ser cada vez mais uma coisa rotineira, de +2000 kms, cruzo-me com um camião da Renova, e apercebendo-me que o mesmo não apresentava slogan algum para além da marca, pensei logo em soluções para colmatar esse problema.

E assim em menos de 2 segundos, após um período intenso de pesquisa e discussão interna, com brainstormings (ou braincrappings) à mistura e tudo, lá arranhei 2 slogans para meter nos atrelados da Renova:
Renova, limpamos o cu a meio mundo
ou
Renova, a limpar a merda dos outros desde 1943

sábado, outubro 01, 2011

De repente lembrei-me disto

Estava eu a conversar com um amigo meu sobre a sua viagem actual a Madrid quando ele começa a contar uma estória passada no Metro de Madrid. Ora ele começou a dizer "Por falar em Metro" e de repente vem-me esta verborreia à ideia:

Nos States ou no UK o Metro devia chamar-se Jardapolitano, pois eles não usam o sistema métrico!

sexta-feira, setembro 30, 2011

Voltinha pelo parque

Faz 1 semana que tivemos o Equinócio de Setembro, que marca oficialmente o início do Outono, e curiosamente depois desse dia temos tido um tempo porreiro com mais sol e calor que a maioria das semanas do Verão, pelo menos que eu me consiga lembrar. Lembro-me que a Primavera aqui na Holanda foi globalmente boa, muito boa mesmo, no que toca a tempo. E depois de um Verão ranhoso, o Outono promete.

Por isso não é de estranhar que tenha esperado este tempo todo para ir dar uma voltinha pelo Sloterpark, um parque de dimensões consideráveis que fica aqui na zona Oeste de Amesterdão, onde moro desde Julho.
Primeiro tenho de dizer que este parque é excelente para ir dar umas caminhadas, corridinhas e mesmo fazer algo mais, pois não faltam aparelhos ao longo dos bem delineados trilhos que compõem o chamado "circuito de manutenção" do parque. E sendo na Holanda não é de admirar que exista uma via para as bicicletas e outra para os peões, se bem que nalgumas a malta se misture (pelo que me pareceu neste passeio inaugural).

Mas o que nos chamou mesmo a atenção foi a quantidade de malta que vimos numa das extremidades do parque, precisamente junto à estrada que passa aqui em frente ao prédio, a fazer churrascadas com a família.
Já no Vondelpark (centro de Amesterdão) achamos curioso no mapa do mesmo à entrada estarem bem definidas as zonas de barbecue (e as mesmas estavam depois cheias de gente a fazer churrascos) mas sempre era um Domingo à tarde com um sol glorioso, portanto algo esperado.
Mas numa quinta-feira ao final do dia ver assim tanta gente que (imagino eu) sai do trabalho, pega na família, no grelhador e no carvão e vão até ao parque comer umas febras e beber umas bejecas enquanto os miúdos brincam no relvado, é realmente outro nível.

Eu não sei se algum dia farei o mesmo, mas dar mais umas voltinhas pelo parque ao final da tarde, isso sim pretendo fazer mais vezes, pois nessa voltinha dá para fazer um bocado de exercício e bem que nós precisamos dele.

terça-feira, setembro 27, 2011

Cavaco e as Ilhas

Admito que nunca entendi muito bem aquela "confusão" do Cavaco Silva sobre o Novo (na altura) Estatuto dos Açores de há 3 anos. O homem parecia estar muito preocupado com a coisa que até fez uma comunicação ao país em directo na TV a meio das suas férias. Como era coisa que eu não percebia muito bem, nunca liguei muito.

Curiosamente agora penso mais nesse acontecimento. Ainda sem entender muito bem todo o espalhafato do nosso Presidente esse acontecimento merece mais atenção devido à nova versão do Bailinho da Madeira, que seguindo os bons exemplos de Portugal, envolve muita despesa e nenhum controlo (ou seja é uma versão muita cara e que basicamente é cada um a bailar para o seu lado aproveitando o máximo que puder).

Ora o nosso Presidente há uns 3 anos estava preocupado com os Açores, andava preocupado com as contas publicas e o futuro do país, mas pelos vistos os problemas da Madeira (que nos afectam a todos) não merecem grande atenção. Ou pelo menos o máximo que o nosso Presidente consegue dizer é uma qualquer afirmação enigmática que envolve a felicidade das vacas ... açorianas imagino eu (tendo em conta o contexto).

Existe algo de errado na relação de Cavaco Silva com as ilhas. Provavelmente porque o próprio se assemelha cada vez mais a uma ilha. O Cavaco é como a Ilha do Lost. Só falta a espécie de magia que existia, porque o mistério e os desaparecimentos (no tempo e espaço) lá estão...

segunda-feira, maio 16, 2011

Mudança de linha

Que me desculpem aqueles que gostavam de seguir as crónicas que ia escrevendo, para saber coisas sobre a Holanda ou o como me correm as coisas, mas a partir de agora pretendo não mais fazer o mesmo.

O blog era para dissertar sobre banalidades ou temáticas algo parvas. Poderei continuar a dissertar sobre curiosidades holandesas, mas crónicas sobre mim ou os meus, não creio.

E a ver se deixo de fazer o mesmo com twiters ou Facebooks. O excesso de informação parece ser prejudicial, e qualquer dia corre mal a sério, portanto para já fecho a torneira.

sexta-feira, maio 06, 2011

A 1 mês de desistir?

Estamos já a menos de 1 mês das eleições legislativas. Pelos vistos as sondagens mostram que o PS está em recuperação e será por ventura mesmo o vencedor das eleições, portanto o José Sócrates, a pessoa que disse que não estava disposta a governar com o FMI, será novamente primeiro-ministro de Portugal.

Toda esta confusão com o PEC IV e depois a necessidade do pedido de ajuda, que mete a famosa troika, caiu no colo do PS e do Sócrates que foi uma maravilha. Alias para mim está mais que claro que não caiu no colo. Toda esta situação desde há uns meses atrás, decorreu como decorreu por vontade expressa e planeada pelo Eng. José Sócrates. Só não vê quem não quer. O PEC IV negociado à revelia de todos os outros, que como já foi noticiado e nunca negado, já previa um pedido de ajuda de financiamento externo, a demissão do Governo, a vinda da troika e finalmente um novo pacote de medidas que é mais penalizador e a oposição tem de aceitar quando chumbou um PEC IV menos doloroso. Tudo feito para sacudir a água do capote.
E pelos vistos resulta. Resulta porque imagino que a maralha só se interessa pelos cabeçalhos das notícias e o que transparece que a oposição recusou um PEC IV e depois aceita um pacote "pior" dos estrangeiros, e que ainda por cima o Sócrates conseguiu um bom acordo pois nem mexem em salários nem subsídios nem nada, ou seja "menos mau" (isto no geral obviamente) do que se anunciava. E ainda mais bem jogado, todas as piores notícias serão faladas pela oposição e associadas a esses partidos.

Tudo o resto é ignorado, os sucessivos erros do Governo; PECs atrás de PECs que nunca mudaram nada; esta manipulação que está clara até noticiada e nunca negada; até as recentes declarações de que se o pedido de ajuda tivesse sido feito mais cedo, não era preciso tanta "dureza" agora...
Até se esquece que este senhor disse que não podia governar com o FMI e agora vem todo contente e feliz sorrir para as câmaras porque conseguiu um bom acordo.

As pessoas pelos vistos só olham para estes cabeçalhos. Pelos vistos o que percebem é que a oposição chumbou um PEC IV, por causa disso veio o FMI que é ainda pior, o Sócrates apesar de tudo conseguiu um bom acordo, e como até foi ele que negociou, deve ser ele a continuar a governar.
Junta-se a isso o afastamento do Teixeira dos Santos (do que tenho lido pelo menos), e pronto, o "burro" foi posto fora, e está tudo bem.

Fico chocado, realmente chocado como o país não se apercebeu todo que fomos manipulados pelos governantes para chegar a esta situação e com o único objectivo de garantir que se mantinham no poder mais alguns anos. Preocupação com o estado da nação? ZERO!!!

A 5 de Junho vou a Portugal para tentar contrariar esta situação e manter a esperança que as sondagens estão erradas e uma mudança acontecerá.
Mais uma vez, como tenho dito a tanta gente desde há muitos meses (aliás acho que já tinha vaticinado o que aconteceu aqui no blog, não acertei em cheio, mas estive perto), não é por achar que os outros são melhores ou farão melhor, mas depois deste descalabro e desta manipulação e falta de carácter como nunca antes vi é que não. Tudo, menos o PS.
As pessoas podem votar em qualquer um dos partidos; existem tantos outros para além dos que têm assento, alguns até nunca lá estiveram portanto gozam do benefício da dúvida, portanto não votem PS apenas porque acham que o PSD não serve e escolhem o mal menor, aquele que já é conhecido.

E acabo com o título da dissertação. Estamos a 1 mês das eleições, eu ainda não desisti, mas se obtivermos resultados semelhantes às sondagens, eu desisto de vez de Portugal, e faço o resto da minha vida aqui por esta Europa fora. Com tristeza, mas é o que garanto que faço.

quinta-feira, maio 05, 2011

Holandesices

Hoje é o 25 Abril aqui do sítio. Ou melhor, é mais como um 1 de Dezembro, pois comemora-se o Dia da Libertação (fez-me lembrar o Dia da Liberdade, daí a referência ao 25 de Abril). O Bevrijdingsdag celebra o fim da ocupação Nazi da Holanda e apesar de ser agora comemorado todos os anos, pleo que me disseram só um verdadeiro feriado (não se trabalha) de 5 em 5 anos.
Neste dia normalmente existem muitos concertos de musica, e em Amesterdão existe um concerto especial na Museumplein que a família real assiste e depois muita gente anda de barco pelas redondezas e até é transmitido na televisão e tudo.
Eu não vou ver porque à mesma hora é o jogo Braga-Benfica, a 2ª-mão da meia-final da Liga Europa e quero mesmo ver esse jogo. Falta-me é a cerveja que ela já acabou e estou proibido de beber mais que 1 por semana, não por ser um borracholas, mas por estar o mais gordo que eventualmente alguma vez estive!

Também estou a acordar duma espécie de cyber-coma em que andei nos últimos tempos. Digo cyber-coma porque estive afastado da net, por diversas razões, como um trabalho mais puxado, Páscoa em Portugal, uma gripe que me meteu no estaleiro por 3 dias...
Nem fui aproveitar um dos dias mais marcantes da Holanda, o Koninginnedag, o Dia da Rainha, que é um dia para vestir cor-de-laranja e passear pelos muitos mercados de rua que aparecem nesse dia e beber cerveja, muita cerveja.
O meu chefe por exemplo ainda estava de ressaca na segunda (o
koninginnedag foi no Sábado).

Uma outra coisa que me tem tomado algum tempo é uma procura por nova casa. Apesar de pensar que tinha de ficar aqui por Badhoevedorp até ao final do contrato, a minha senhoria precisa de voltar para este apartamento o mais rápido possível, e assim começou a minha procura por um novo poiso.
Depois da relativa facilidade com que encontrei este apartamento e da anterior pesquisa em Dezembro ter-se passado duma forma normal, no meu entender, agora as coisas tem sido uma bocado para o estranhas.
Basicamente o que vos posso dizer é que se pensam que um gajo aqui contacta uma agência a dizer o tipo de casa que procura e onde, e eles dão-nos uma lista de várias hipóteses e marca-se visitas, esqueçam! Pelo menos agora não tenho tido nada disso. As respostas têm sido sempre "veja no nosso site o que existe disponível e depois preencha o formulário para ver um apartamento específico".
Parece impossível conseguir marcar com a mesma pessoa uma visita a mais que um apartamento, excepto se eles ficarem no mesmo prédio.
A juntar a outras dificuldades no contacto com os agentes, cheguei a conclusão que encontrar casa, pelo menos para alugar aqui na Holanda funciona de uma forma muito diferente, e requer muito mais trabalho da parte de quem procura.
Só para que vejam tive de enviar 2 e-mails e telefonar 3 vezes para conseguir marcar uma visita a uns apartamentos num prédio que gostei. Pelo menos sei que estão disponíveis e sei o preço, se não me desiludirem (como já aconteceu com outros) quando for ver, posso fazer logo apalavrar a coisa.
Fingers crossed (façam fisgas)!

E mais? Por hoje já chega que tou com fome, vou aquecer os restos de ontem, e preparar-me para a bola...

sexta-feira, abril 15, 2011

Em estreia esta semana

Um pouco atrasado pois era para escrever isto no fim-de-semana, mas como andei meio despistado durante o mesmo, acabou por ficar apenas a marinar, sem ter ido para o forno. Entretanto lá meti no forno e aqui vai sair a crónica desta semana (a passada) de estreias.

Fui ver o meu primeiro jogo de futebol aqui na Holanda. E foi logo um jogo do Benfica, sendo portanto também o meu primeiro jogo duma equipa portuguesa no estrangeiro. Não foi o meu primeiro jogo duma competição europeia, pois já tinha visto um Porto-Olympiacos (com o Mourinho) para a UEFA, assim como jogos do Euro 2004, mas isso sempre em Portugal.
O jogo em si não me pareceu ter sido muito bom do ponto de vista técnico mas valeu pelo bom ambiente no estádio, pois os adeptos do Benfica eram em número significativo e havia gente do Luxemburgo, da Alemanha, da Bélgica, da França, de Inglaterra, da Irlanda e obviamente de Portugal e Holanda. Como o Benfica confirmou a passagem para as meias-finais, foi bom

A ida para o estádio também foi uma estreia na medida que fui com um grupo de portugueses, alguns luso-holandeses que até nasceram cá, e que ainda por cima não conhecia ninguém até minutos antes de abalar para Eindhoven. Mas tudo malta porreira, que já aqui estão há alguns anos (os luso-holandeses estão cá desde sempre) e que têm um conhecimento diferente do nosso (expats mais novos como eu). Pelo menos a conversa foi boa, pois discutiu-se diferenças entre países e trocou-se impressões sobre a Holanda o que até serviu para confirmar algumas ideias que eu tinha. Obviamente nós vamos obtendo opiniões das diferentes pessoas que vamos conhecendo, mas isso por vezes até leva a coisas curiosas como opiniões claramente opostas vindo de pessoas diferentes. Por outro lado eu sempre vou formando, relativamente depressa devo dizer, uma opinião sobre as coisas ou sobre um país e pessoas, que é um misto da minha experiência pessoal e opiniões colectadas de outros.
E esta conversa foi porreira porque serviu para confirmar que ainda não perdi o jeito em analisar situações e a ter uma ideia mais ou menos correcta de como as coisas vão funcionando. Isto aquelas que eu já experimentei, porque ainda falta conhecer muitas outras coisas...

Uma coisa que experimentei logo no dia a seguir foi ser parado pela polícia e apanhar uma multa por excesso de velocidade. Na estrada que apanho frequentemente para o trabalho (não é todos os dias que às vezes decido ir pela auto-estrada) estavam lá uns gajos de bicicleta (mas farda comum, nada como as nossas patrulhas especiais de bicla que vão todos à desportiva) a apontar uma pistola de radar e a medir a velocidade. Eu ainda vinha meio ensonado, nas calmas diga-se de passagem atrás duma carrinha, mas pronto lá me mandaram parar a dizer que me mediram a 63 km/h, que com o corte de 3, deu um excesso de 10 km/h e respectiva coima de €54 que irei em casa (a daqui).
É uma estrada limitada a 50 km/h, que muita gente vai bem mais depressa que isso (até o autocarro vai bem mais depressa) e ainda bem que eu ia mesmo nas calmas porque senão poderia ter sido apanhado mais perto dos 80...
Mas o agente até foi bastante simpático e mesmo eu sendo estrangeiro, acreditou na minha palavra e aceitou a morada que eu dei e tudo. Até agradeceu a minha cooperação, o que me fez pensar que por ventura os holandeses quando são mandados parar, não são bons de aturar...

Esta semana e por 3 ocasiões distintas tive uma pequena conversa com um holandês sem falar nada de inglês. Foi só fazer um pedido de comida, pagar as compras na caixa ou receber uma pizza do gajo que veio entregar, mas ouvir e responder mesmo que com frases simples ao que os gajos me disseram sem eles mudarem para inglês foi giro. Se calhar até enganei e passei por alguém que sabe algo de holandês :-)

E finalmente, descobri na sexta ao final do dia, que tinha andado uma meia do avesso o dia todo! Acho que foi também uma estreia pois não me recordo disso ter acontecido alguma vez antes. Tendo em conta que foi no mesmo dia que fui multado in loco, tomar atenção para nunca mais vestir outra meia do avesso...

terça-feira, abril 12, 2011

Semana de luxo

Tirando uma espécie de piada brejeira que tentei fazer pelo Twitter a meio da semana, que pelos vistos passou completamente despercebida, a última noticia que dei neste mundo cibernético de relevo, e ele agora é bastante variado entre blog, twitter e Facebook foi há uma semana atrás, dizendo que ia até Charleroi (Bélgica) buscar a mulher e o cunhado (irmão dela para quem se pergunta de que lado é o cunhado). Claro está que no Facebook ainda fiz uns comentários e partilhei um ou outro vídeo sobre a situação em Portugal, mas isso são trivialidades.

Portanto a semana passada, a contar de segunda à noite, foi uma semana de luxo. Companhia aqui em casa, um tempo porreiro e muito passeio.
Trabalhei a semana toda, mas com os dias a ficarem maiores e o sol a espreitar quase sempre, mesmo saindo tarde agora dá para ir fazer coisas.
Eles nos primeiros dias andaram a passear por Amesterdão, tendo eu ido ter com eles 3 desses dias. Pela primeira vez andei a conduzir do lado Leste de Amesterdão, por onde nunca tinha passado antes, quando os fui buscar ao lado do Zoo de Amesterdão (Artis), ainda por cima fui às cegas pois não tinha levado o GPS...
Num outro dia eles já tinham vindo para casa, mas estava um sol radioso que peguei neles e fomos até Zandvoort, uma praia que para mim é famosa pois tem uma pista de automobilismo que já recebeu a Formula 1 e tudo!

E o fim-de-semana foi mesmo de aproveitar para passear, apesar de se ter descansado de manhã.
Sábado com direito a roteiro pelos campos de flores entre Haarlem e Leiden, seguindo pelas nacionais mais junto à costa, e com visita a mais uma praia, Noordwijk aan Zee. Almoço e uma voltinha pelo centro de Leiden (pelo menos fica lá bem no meio da cidade). Uma passagem famigerada por Den Haag (Haia) pois a ideia era visitar o centro mas o GPS decidiu não colaborar nessa altura, portanto depois de 2 tentativas falhadas de descobrir um acesso ao Centrum, rumamos a outras paragens que acabou por ser Delft, que terá sido a paragem mais longa do dia e onde até se comprou uns recuerdos...

O Domingo era o dia de regresso para eles, mas como o avião só saia já ao final da noite, o objectivo seria sempre passear, sendo Bruxelas o único destino turístico garantido. Uma tentativa de dar uma auto-volta a Roterdão foi novamente gorada por um GPS pouco cooperante, desta vez a dar uma de Windows e demorar uma eternidade a recalcular o caminho, e sendo assim Bruxelas foi mesmo a única visita turística do dia, pois tínhamos saído tarde de casa (a malta estava cansada de tanto passeio e eu não me queixei pois assim podia ver na totalidade o Grande Prémio da Malásia de Formula 1).
Conhecendo eu muito pouco ou quase nada de Bruxelas, ainda deu para vermos o Atomium ao longe, e eu lhes mostrar Grand Place com tempo para apreciar a sua beleza e ainda vermos a rodagem de umas cenas de um filme qualquer, o Manneken-Pis a mijar e ainda beber uma bejeca sentados cá fora na rua.
Obviamente que a recordação maior de Bruxelas será a coruja (só para quem lá estava)...

E prontos, foi deixa-los no aeroporto, ou no barracão melhor dizendo, de Charleroi, e voltar por uma estrada que já começo a conhecer bem.

A semana de luxo acabou comigo a comer um gelado a pensar em quando terei de novo a minha companheira para continuarmos a passear por estas terras fora...

terça-feira, março 29, 2011

Liga das Nações

Já era para ter falado sobre isto há uns tempos mas o assunto foi ficando na gaveta, mas uma coisa que me aconteceu esta tarde trouxe a temática à ribalta novamente.

Estava eu descansado a acompanhar uma reunião mundial pela net, transmitida a partir da costa leste dos EUA para vários centros espalhados pelo Mundo (já o primeiro sinal da globalidade com que lido agora) quando me aparece um senhor, a perguntar se eu era Espanhol ou Português. Ora bem, o senhor chamava-se Bento da Costa, um nome bem português, e ficou a saber da minha existência pela similaridade dos nossos nomes, que reduzindo à maneira holandesa fica B. Costa. Mas apesar do seu nome tão português ele não o é. É Holandês nascido no Suriname (América do Sul), mas realmente a sua família é de origens portuguesas, Braga originalmente, mas que saíram de Portugal ainda no Século XVII tendo ido para o Suriname antes ainda dos Holandeses lá chegarem e depois vieram parar aqui à Holanda pela mesmo ser a potência colonizadora. Lá me esteve a contar o Bento que a sua família tem muita história e que no cemitério da família no Suriname, onde pelo que percebi estão enterrados todos os descendentes da mesma, as lápides ainda estão escritas em português até aos meados ou finais do Século XVIII, tendo-me ele dito que durante 5 gerações a família ainda usava o português!

E foi esta estória com história, que me deu vontade de contar e de falar sobre a tal Liga das Nações com que eu "vivo" nos dias de hoje.
Já por outros sítios onde andei, lidei com uma grande variedade cultural, étnica e racial mesmo, mas quer-me parecer que aqui na Holanda, e pelo menos no departamento onde estou é onde vejo a maior variedade internacional. E quase que me faz pensar que só aqui na Holanda poderia encontrar um local, nascido na América do Sul mas de origens portuguesas...

Só na equipa onde trabalho, tem Holandeses, Franceses, Alemães, Suecos, Indianos, 1 Irlandesa, 1 Dinamarquesa, 1 Italiano, 1 Norte-Americano, 1 Belga, 1 Chinês, 1 Polaco e eu, 1 Tuga!
Mas por exemplo o belga nasceu no Congo, 1 holandês tem origens afro-americanas e outro holandês passou quase toda a vida no Reino Unido.
A irlandesa é casada com um turco, e um alemão é casado com uma sul-africana. Um dos suecos adoptou uma menina directamente da China.

Nas restantes equipa do departamento, temos ainda outras nacionalidades para além das que já falei, como libaneses, marroquinos (bastantes até), camaroneses, espanhóis, egípcios, mexicanos, indonésios, ingleses, turcos (acho eu) e mais alguns africanos e árabes que não sei ao certo o país de onde vêm!

É realmente uma Liga das Nações...

quarta-feira, março 23, 2011

BaKano a Primeiro

Considerando o feedback positivo que tenho encontrado a meus comentários sobre variadíssimas coisas e a aparente concordância que vejo em relação às minhas ideias para a política e governação de Portugal, venho aqui declarar que amanhã telefonarei ao Senhor Presidente da Republica para demonstrar a minha disponibilidade para formar Governo, mesmo com a actual Assembleia.
Estou certo que encontrarei um numero razoável de moças jeitosas para me governar, lembro-me até duma do PS que tinha umas mamas bem jeitosas.
A Sónia Sanfona, também do PS não é nada mal-parecida, e como é lógico não esquecendo a Ana Drago...

Obviamente teria de chamar algumas outras moças com talento, como a jeitosa do BE que já saiu (e cujo nome me falha agora).

Mas estou preparado para me sacrificar em prol da nação.

BaKano For Portugal!

Obcecados com o Tempo

Deixem-me cá partilhar uma dissertação que se formou na minha cabeça enquanto há tempo, antes dos novos tempos que se avizinham a partir desta noite (ou assim eu espero).

De repente apercebi-me que estamos e andamos obcecados pelo tempo. Não o tempo relacionado com momento e duração, mas sim o Tempo da meteorologia.
Porque é que digo que estamos obcecados? Porque estamos sempre a falar do estado do tempo. Dantes pensava que era um desbloqueador de conversa, fazíamos recurso a esse tema para iniciar uma conversa ou para ter algo genérico e intemporal para se falar, mas agora reparo que temos mesmo interesse no estado do tempo e chegamos mesmo a discutir e falar sobre ele apaixonadamente até.

Para além de notar que quando falamos com alguém que se encontra longe, faz-se sempre perguntas do género "E o tempo por aí, está bom?" e na realidade estamos mesmo interessados em saber como está!
Nota-se também deste grande interesse pela quantidade de comentários no Facebook. Várias pessoas publicam no seu mural o estado do mesmo, ou queixam-se ou enaltecem a meteorologia actual.

Presumo que estamos obcecados porque o estado do tempo afecta o nosso estado de espírito, quando está sol ficamos contentes e animados, e quando está chuva e frio ficamos tristes e deprimidos.
Ou se calhar ficamos afectados pelo tempo, porque vivemos obcecados por ele...
Parece ser um caso do ovo e da galinha; o que é que apareceu primeiro, e o que é que realmente influencia a outra coisa?

Pensando melhor, acho que deve ter tudo a ver com o sexo, como aliás não podia deixar de ser (tudo tem a ver com sexo).
Nos princípios dos tempos, a nossos antepassados ficaram obcecados com o tempo pois precisavam de saber se podiam mandar uma real queca ao ar livre, ou se precisavam de arranjar um abrigo para a respectiva, caso estivesse mau tempo. Foi aliás esse o factor percursor da ida as cavernas, e mais tarde originou a construção de abrigos.
Foi tudo por causa das quecas!

Sex makes the world go 'round!

domingo, março 20, 2011

Lados Positivos

Vinha eu no avião, de volta de uma ida a Portugal tipo visita de médico, a pensar que havia um lado positivo de gastar algum tempo em viagens frequentes. E daí veio-me à ideia escrever sobre isso, usando-me como referência, como não podia deixar de ser.

Esta coisa de se dizer que existe sempre algo de positivo no meio das coisas negativas pode até parecer brejeiro, mas é mesmo verdade.

Como comecei eu a dizer, o tempo perdido nas viagens que faço agora regularmente, tem o lado positivo de me fazer voltar à leitura (eu que cheguei a ser um leitor compulsivo em tempos, chegando a ler obras inteiras em horas na vez de dias); o estar longe da mulher amada tem o lado positivo de dar mais valor a ela e aos momentos passados juntos; o lado positivo de ter de cozinhar quase todos os dias, é que cozinho; o lado positivo de não saber neerlandês (holandês) é que tenho de aprender (nem que seja aos poucos); o estar fora de casa tem o viajar como lado positivo; o lado positivo das zangas é o momento da reconciliação.

Até nesta desgraça que é a crise da central nuclear de Fukushima no Japão, tem um lado positivo, o trazer de novo a discussão do nuclear e o fazer muitos países repensar na segurança das (muitas) centrais nucleares que estão por este mundo fora.

E finalmente, o estar para aqui desterrado e a modos que sozinho sem nada para fazer, tem como lado positivo o ter tempo para escrever pela net (Fóruns, Twitter, Facebook, e este blog)!
Bem se calhar isso até é negativo...

terça-feira, março 15, 2011

Correio da Manhã, Jornal Nacional e ainda Nós por Cá

Se fosse a escrever sobre os últimos acontecimentos, e que realmente têm ocupado grande parte do meu pensamento, este blog seria mais uma espécie de Correio da Manhã, ou o Jornal Nacional da TVI.

Primeiro porque são desgraças atrás de desgraças, obviamente começando no Japão, mas o país está também em si numa desgraça com a desgraça deste Governo.
Temos manifestações, notícias do arco da velha e futebol, não podia faltar o futebol.
Também tinha comentários que ouvi e li que são uma pérola, dignos de qualquer grande comentador que aparece nos telejornais e escrevem artigos de opinião nos jornais.

A isto junta-se obviamente o mundo cibernético, com o Facebook cheio de eventos e movimentos com o objectivo de mudar Portugal mas cujo real sentido ou se têm alguma acção concreta por trás não consigo perceber! O da manif de Sábado ainda fez a mesma, o que causou um bom impacto na minha opinião.

Para terminar, ainda teria uma dose de "Nós por Cá" para dizer, com problemas relacionados mais comigo, que tenho de aturar a estupidez e mau serviço de varias entidades portuguesas que às vezes só dá vontade de ir e chamar nomes a todos os envolvidos!
E até mesmo a tão famosa DECO presta uma excelente ajuda dando a entender que a culpa é nossa por o IMTT ou Registo Automóvel demorar umas semanas a mudar o nome do proprietário quando vendemos o carro, mesmo que o pedido de novo registo tenha sido feito no mesmo dia em que o vendemos!

Mas como não quero que o blog pareça um jornal sensacionalista, não vou falar nada disso.

Talvez conseguirei falar mais tarde sobre a tragédia no Japão, que se são meus seguidores de há muito, sabem que me diz muito e onde estava há 6 anos atrás por esta altura ( houve um terramoto grande e pequeno tsunami mas com muito menos estragos!)

segunda-feira, março 07, 2011

The Chronicles of Paris - The Shower, the Internet and the Train

Não, não estou a pensar em escrever um épico com histórias do fantástico e de mundos incríveis. Se bem que tenho algumas estórias incríveis que poderão ser fantásticas. Simplesmente fui este fim-de-semana até Paris, melhor dizendo até Val-de-Marne, passar o mesmo com os meus pais. Mas vamos por partes, porque isto contado aos bocadinhos pode ter mais piada: Part One - The Shower Curiosamente a minha rapidinha anterior era sobre a temática da bosta, e assim quase como propositado esse tema continua no inicio desta aventura. Cronologicamente não será o inicio mas apetece-me que "crónicamente" o seja. Estava eu a mandar uma real cagada no WC dos meus pais, a pensar em sabe-se lá o quê (talvez em merda mesmo) e ouvia o vizinho de cima (julgo) a tomar um duche na sua casa de banho. Tem de compreender que é um prédio para aí com 200 anos com paredes de madeira por dentro portanto é normal que se oiça tudo muito bem. Toca um telefone e sem deixar de ouvir agua a correr oiço isto (em Francês): "Pode me ligar daqui a alguns minutos? Estou a tomar duche". Eu não sei como é que com vocês, mas um gajo levar o telemóvel para o duche e atender chamadas durante o mesmo é um conceito que me parece incrível. Se um gajo não pode falar tem algum problema deixar tocar? É que imagino que atendendo a chamada para dizer para ligar mais tarde acarreta em custos no originador. Se calhar era esse o plano, atender sempre e dizer que não pode e o gajo assim gasta alguns cobres em chamadas que para nada servem! E já agora que telemóvel será? Será resistente à agua?
Part Two - The Internet
O meu pai lá arranjou um computador e ao mesmo tempo internet lá para casa. Penso mesmo até que arranjou primeiro a net e só depois o computador. É um portátil. E obviamente cabe aqui ao je ensina-lo a mexer naquilo e criar contas e configurar programas, e o diabo a quatro. Coisa que faço de bom grado aliás. Ter os meus pais ligados ciberneticamente até me vai permitir reduzir custos e falar com eles de forma mais interactiva. O problema é que ainda é um pouco difícil para o meu pai, e a minha mãe, assimilarem todos os conceitos deste novo mundo. O meu pai inscreveu-se num curso de informática, mas basicamente só tem trabalhado no Office. Tinham um dia para iniciação à Internet e o formador faltou e esse sessão ficou por dar. E logo a que mais interesse teria de todas. Mas pronto, depois de um passeio no Sábado à tarde por terras de castelos e palácios, onde o que mais vi foi motas e motards, lá criei tudo ao meu pai. Google e Skype já estavam da anterior passagem por lá há 1 mês. Agora foi MSN e Facebook. Até compramos uma impressora e imprimiu-se logo umas fotos tiradas no próprio dia que também já foram parar ao Facebook. Pais, bem vindos à Internet!
Part Three - The Train Viajar no Thalys é sempre uma emoção. Ou por ser a primeira viagem e ficarmos admirados do tão relaxante que é e rápida apesar de tudo (já tinha andando há muitos anos e o Eurostar é praticamente igual), ou porque andam por lá trupes manhosa e somos roubados, ou porque nos divertimos a micar o resto do pessoal (e gajas também). Ainda temos a opção do comboio bater em blocos de gelo e ter de ir a metade da velocidade e termos um atraso brutal! Desta vez o comboio reservou-me 2 surpresas. E tudo na vinda para cá. Primeiro chegamos a Brochelas e o revisor anunciou que a composição estava com problemas técnicos e teríamos de sair todos na estação para mudarmos para um comboio de substituição parado logo à frente na mesma plataforma. Nada demais este percalço porque a operação foi rápida e simples, e sentou-se tudo nas mesmas carruagens e mesmo lugares. O que demorou mais foi o abastecimento do bar. Depois antes de Roterdão o comboio pára. As luzes apagam-se e diz o revisor que o comboio tinha sofrido um "problema engraçado" e que o maquinista ia reiniciar o mesmo para resolver. Dito e feito, depois de um reset ao TGV (os comboios do serviço Thalys são TGVs) lá voltamos a andar! Parece que o Thalys usa Windows! Microsoft: Where do you want to stop today!

sexta-feira, março 04, 2011

Full of shit

É uma expressão inglesa muitas vezes usada em sentido figurado, mais para dizer que um gajo está a dizer mentiras, ou só diz asneiras/bacoradas, ou ainda para dizer que um gajo só tem merda na cabeça (a tradução mais literal para português).

Para mim esta expressão por vezes é mesmo literal. Às vezes I'm so full of shit porque vou ao WC defecar e nunca mais acaba. Nesses casos estou mesmo cheio de merda...

quarta-feira, março 02, 2011

The Brazilian conection

Já tinha eu recebido 2 casos hoje para tratar, e o dia estando a chegar ao fim (o nosso horário acaba às 18:00) quando toca o telefone e eu lá tenho de atender um cliente.
Era um brasileiro. Veio parar a nós porque ele trabalha para uma empresa cuja sede é no UK e assim é a Europa (nós) que trata dos problemas deles.

E assim usei o Português pela primeira vez no trabalho propriamente dito! E o mais curioso disto é que devido a esse cliente brasileiro, entrei em contacto com a equipa de suporte lá (em São Paulo). Ora essa equipa é relativamente recente e gostaria de conhecer a equipa aqui da Europa e tratar de haver mais sinergia entre as 2. Eu sou o único daqui que fala Português para além do mais fui pelos vistos o primeiro elemento daqui a falar com eles.
Estarão abertas as portas a relação com a equipa de lá, desempenhando eu um papel principal nisso? Isso pode ser muito interessante para mim...

Interessante também é que hoje foi dia de eleições aqui nos Países Baixos. Foi para as províncias (aqui onde estou é a Noord-Holland, ou Holanda do Norte) e pelos vistos aqui vota-se em dia de semana e de trabalho. Tal como nos Estados Unidos, a malta faz a vida normal e vai votar ou de manhã, ou ao almoço ou no final do trabalho!

De resto estou muito distraído com o jogo da Taça da Liga que tou a ver que vai aos penaltis...

PS - Afinal não foi que o Javi Garcia marcou quase no final! Estava muito animado o final deste jogo :-)

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Faraway, so close!

Título de um filme do Wim Wenders, será por ventura mais conhecido por ser o sub-título duma música dos U2 (Stay).

Isto foi o termo que me veio à ideia quando decidi escrever sobre as minhas voltinhas aqui pelas redondezas. No entanto o termo é mais ao contrário: Close, so faraway!

Estando habituado a dar corda ao carro em Portugal e andar de Norte a Sul com alguma frequência e sem ter medo de fazer centenas de quilómetros mesmo quando era só para dar uma voltita num Domingo, aqui acho que é tudo muito perto, mesmo ir ao estrangeiro. Um gajo vai ao Google Maps, vê a distância e pensa "isto é perto; chega-se num instante; vou até lá".
O curioso é que ainda ontem, a ir para Maastricht (que era apenas um ponto de passagem da viagem planeada) ainda comecei a pensar que as distâncias nos sinais eram em milhas, pois nunca mais lá chegava.
É o problema da velocidade, ou falta dela.
Existem muitos quilómetros de auto-estrada que estão limitados a 100km/h, às vezes a 90 ou 80. E como pelos vistos a malta daqui gosta de cumprir e do que me disseram a polícia é rigorosa e pouco tolerante, um gajo não abusa. Ainda por cima ontem estava a conduzir um carro de matricula holandesa, e portanto de certeza que a ser apanhado a minha amiga Andorinha iria receber a multa em casa. Portanto ia quase sempre na velocidade máxima (ligeiramente acima considerando o erro do velocímetro).
No meu carro estava a usar uma prática que consistia ir à mesma velocidade do carro mais rápido que passava por mim que não fosse claramente depressa demais.
Ontem não , por isso que a modos que uma viagem de 225kms (ainda menos que Aveiro-Lisboa) nunca mais acabava.
Ou pelo menos assim parecia.
Admito que não me lembro a que horas saímos de Den Haag (Haia) mas eu pensava que era coisa para 2 horas no máximo e parece que demorou mais. às tantas foi mais impressão...

Bem a ideia é que apesar das coisas aqui estarem todas perto (de Maastricht, grande cidade mais a Sul, até Groningen, grande cidade mais a Norte, são apenas 330kms), demoramos um bocado mais de tempo do que estamos habituado, porque as velocidades são um bocado mais baixas; chegando a andar longos trajectos de auto-estrada a 40~50 km/h menos do costume em Portugal)

Portanto apesar de estar tudo perto, parece estar tudo mais longe.

E só para concluir, as Ardennes são uma zona altamente. É uma zona de floresta e montanha, que mesmo apesar de não ser alta é uma muita apreciada diferença das paisagens baixas e planas do resto do Norte de França, Belgica e Holanda.
Apanhar uma descida/subida com 12% de inclinação e umas estradinhas estreitas com sequências de curvas e contra-curvas serviu para pôr um sorriso parvo na minha cara.
Isso e ter estado na entrada de Spa-Francorchamps a ver a Raidillon ao fundo!

Passeamos por uma zona rica de história e estórias; cenário de vários confrontos militares, o mais famoso eventualmente a Batalha do Bulge, a última ofensiva alemã da Segunda Guerra Mundial e cujo fim deitou por terra as últimas esperanças de Hitler chegar a um acordo de paz na Frente Ocidental e assim poder dedicar todos os recursos alemães a combater o Exército Vermelho...
Mas deixando a História, sem dúvida que as localidades daquela região ficaram, "congeladas no tempo" como disse a minha companheira de viagem. Como se ainda estivéssemos no inicio do século 20 como acrescentei eu depois...

Voltando à temática do automobilismo: depois de ter passado em Assen, só falta numa próxima continuar pelas Ardenas fora e entrar na Eifel (Alemanha) e dar uma voltinha pelo "inferno verde" também conhecido pelo Nordschleife!


PS - O Le Bon Bassin em Maastricht, na/no Bassinkade, é um excelente restaurante, que se deve ir pelo menos uma vez ... por ano (não convém ir muitas vezes que sai caro) ;-)

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

A sentir a falta de...

Ontem a sair da IBM dei por mim a meter a mochila às costas e a pensar em ir para a paragem do autocarro. Estarei com saudades da espera e do tempo "perdido" no autocarro? Não, sinceramente parece que é mais sentir falta do caminhar, da simplicidade desse acto que fazemos isoladamente mesmo que tenhamos pessoas ao nosso lado.
Começo a temer que agora que deixei de fazer os mais de 2 kms a pé que fazia diariamente, volte aos velhos tempos em que não perco peso. Isso e associado ao facto de andar a inventar nos cozinhados pois parece-me que exagero nos ingredientes e por ventura na quantidade também. Esse pormenor requer um voltar ao básico... Mas voltemos agora é ao assunto inicial.

2 kms por dia pode não parecer muito, pode nem parecer nada, mas sempre é uma forma de exercício. É melhor do que não andar porra nenhuma. Que é o me acontece nas ultimas 3 semanas. Comer bem e nada fazer.

Então ontem lá estava a pensar em caminhar até ao autocarro. Tinha estado um bocado durante a tarde a falar sobre bicicletas e a pensar que poderia arranjar uma mesmo que não a usasse para ir para o trabalho (continuo a ter na ideia que se usar a bicicleta como meio de transporte normal, vou-me aleijar a sério um dia destes), pois podia dar umas voltas nem que fosse ao fim-de-semana, e ir mesmo até Amesterdão ou outro sítio nas redondezas para suar um bocado...
Esta manhã quando cheguei decidi subir até ao 9º pelas escadas (no 6º andar decidi apanhar o elevador que tava a ficar sem fôlego). Mas a vir embora, desci pelas mesmas (custa menos).
Até saí mais tarde porque estive a falar com a minha colega dinamarquesa sobre o ginásio que a IBM têm no outro edifício.
Até têm aulas de spin bike de manhãzinha e tudo, tal como aquelas que eu ia no Knock-Out!
E só custa €15 por mês...

Resultado, a verdade é que sinto mesmo necessidade de fazer qq coisa para queimar energias, para suar, para tentar voltar a perder peso, de maneira a que volte a ter de apertar mais os cintos e sentir as camisas, as camisolas, os casacos um pouco mais folgados.

Continuo a achar que não vou passar a andar de bicicleta para o escritório tão cedo. Isso ainda me parece um conceito demasiado holandês para mim, e até quero manter certos traços bem portugueses...

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Receitas BaKanas

Decidi começar uma nova rubrica aqui no blog. Tenho crónicas, dissertações, rapidinhas e imagens. Agora apetece-me começar a falar de receitas, ou cozinhados vá.
É o que dá um gajo ficar novamente solo, e não ter assim à mão de semear uma Telepizza, um McDrive, um Dom Rogério, e uma outra panóplia de restaurantes, nem todos com take-away...

Eu sinceramente até gosto de cozinhar, experimentar e tal. E posso afirmar que quase sempre o que gosto mais é mesmo de comer o que faço. Só não cozinho mais frequentemente porque sinto que muitas vezes o acto de preparação do prato é demasiado trabalhoso, and Lazy it's my middle name...

Aqui na Holanda começo a redescobrir o prazer de cozinhar. Sobretudo porque aqui tem muita coisa facilitada. Vai-se ao Albert Heijn e compra-se os diversos ingredientes, alguns deles mais exóticos, já completamente embalados e preparados para se usar em doses individuais ou para 2 pessoas.
É só comprar, desembalar e meter directo. Ainda para mais que aqui uso com frequência o estilo wok, de misturar as coisas, saltear tudo no wok (com um poquinho de azeite, ou mesmo só usando a gordura natural do produto) e depois pronto comer assim uma misturada...

Noutro dia já deixei uma receita original BaKana. Quer dizer, pode nem ser original, mas eu fiz as coisas de cabeça e instinto. Se por acaso recriei uma receita de alguém, olha, lá calhou.
E hoje voltei a inventar uma porcaria qualquer, por isso aqui vai:

Umas tiras de bacon, uns cogumelos quaisquer da família Pleurotus ou parecidos pelo menos, um bocado de natas, guacamole, um ovo e queijo Emmental ralado.
Mete-se o bacon no wok temperado com pimenta (variada), alho e umas gotas de limão. Deixa-se ganhar um pouco de cor e bota-se os cogumelos depois de cortados às tiras também. Assim mais ou menos a meio da cor desejada, 2 colheres de chá de guacamole lá para o meio. Deixar apurar mais um bocado, meter um bocado de salsa e as natas. Quando as mesmas engrossarem um bocadinho (sim porque comprei natas liquidas) desliga-se o gás, abre-se um ovo e deita-se tudo lá pra dentro (sim, gemas e claras), mexe-se tudo muito bem, e bota-se por cima da massa que se esteve a cozer só em agua e sal entretanto.

Arremata-se a coisa com o Emmental ralado e acompanha-se com um Côtes du Rhône tinto.

Faltou a salada que vai ficar para amanhã, que vai sair mais um novo prato salteado no wok, mas desta vez baseado em marisco e certamente mais simples.
Mas lá vou ver o que vou inventar desta vez...

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Business as usual

Well, actually not quite...

O que quero eu dizer com esta frase em inglês? É que as passadas 2 semanas não foram "normais". Normais no sentido da minha nova vida pelos Países Baixos.

Como poderão ter reparado pelo que escrevi no último dia de Janeiro, estive em casa (ainda aquela a que chamo da verdadeira casa) a semana toda. Ainda cheguei a trabalhar pois o plano inicial não era passar a semana completa em Portugal, mas acabou por assim ser.
Entre tratar dos diversos assuntos e encontrar-me com alguns amigos, mais as visitas à família mais próxima, a semana passou-se que foi um instante.
E depois porque o fim-de-semana foi feito a viajar entre Aveiro e Badhoevedorp (arredores de Amesterdão) de carro, com passagem e paragem pelos arredores de Paris onde pernoitei em casa dos pápás.
Cumpri assim um velho desejo que era fazer a viagem Portugal-França de carro, seguindo o exemplo dos meus pais.
Admito que depois de a fazer, achei que o feito é coisa pequena. Mas também nos dias de hoje, dispondo de navegação por GPS, carros confortáveis e com cruise-control, e com auto-estradas por todo o lado e estações de serviço nas mesmas, a coisa está muito facilitada em relação aos anos 70 e 80 e quiçá mesmo 90 onde estas viagens seriam mesmo uma mini-odisseia!
A viagem em si, foi muito rápida. Qualquer coisa como 14 horas e meia. Claro está que a família imagina que fui sempre de gás, tendo eu aliás fama de street-racer (como gosto mesmo até de espalhar), mas a verdade é que fui sempre apenas 10 km/h acima do limite máximo imposto pela sinalização, e nas zonas com radares frequentes ia mesmo dentro do limite. Apenas uma ou outra vez deixei o carro ir a 150 km/h quase sempre devido a deixar embalar numa descida antes de corrigir a velocidade!
A explicação para fazer a viagem nesse tempo é simples: paragens sempre curtas, não mais de 10~15 mins apesar de frequentes.
É preciso ver que saí cedo de Aveiro para tentar viajar o máximo possível de dia, e só apanhamos a noite já estávamos bem dentro de França.

Depois do descanso, no Domingo viemos então para aqui, que é a coisa mais banal de todas, pois é ainda menos que ir até ao Algarve. E paga-se também menos de portagens, pois apenas paguei menos de 15 euros entre Paris e Lille, ou seja menos do que Aveiro-Lisboa para uma distância semelhante.
E ainda eu pensava que as portagens em França eram carotes!

Depois, esta semana anterior, a Carolina esteve comigo. E como agora tenho o carro, os meus hábitos mudaram. Assim como fomos a um hiper ao bom estilo português fazer compras em maior escala (onde a Carolina constatou que muitas coisas são mais baratas que aí) e até fomos ao IKEA e tudo!

Este sábado fomos dar um giro pelo Norte da Holanda, que eventualmente descreverei melhor em post próprio.
Posso apenas adiantar que o nome Países Baixos é apropriado, mas se fosse Países Planos não era mal aplicado, não senhor...

E ontem lá fui levar a mulher a Eindhoven, ao mini-aeroporto que lá têm, pq ela foi na Ryanair (a companhia supostamente mais barata, mas que muitas vezes quando comparamos o nosso caso específico até sai mais caro do que numa regular).
Dessa viagem apenas posso dizer que ir a 100 km/h numa auto-estrada com 5 faixas é muito frustrante pois parece que vamos parados, sobretudo porque o transito não era nada de especial.
Mas ao menos as 2 faixas da esquerda vão quase sempre livres e anda tudo certinho parece que vamos todos num funeral.

E assim que chegamos a uma segunda-feira, fim do dia já, e estou de novo sozinho e de volta À rotina do costume, ou como se diz em inglês business as usual...
Só que agora não vou apanhar o 145 para casa. Nem sequer vou já para casa. Vou pegar no Laguna e dar um salto até ao centro comercial Vier Meren (Quatro Lagos) em Hoofddorp para trocar uma peça da máquina de café (modelo errado) e comprar um cartão de memória para o GPS (ao mesmo tempo dar uma olhada nas máquinas fotográficas pois ainda não tenho uma nova nem tampouco me decidi sobre o que vou comprar)

Tot ziens

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Esta semana não...

... vou escrever muito, ou mesmo nada (para além disto que escrevo agora) porque a semana passa depressa e há assuntos de maior importância a resolver.
Eles são documentos a tirar, divergências a esclarecer, contratos a renegociar, cenas para comprar, enfim, coisas para fazer!

Até está a correr bem, os assuntos mais urgentes, já foram tratados e as compras estão a 50% mais coisa menos coisa. Mas quando reparo no que ainda falta para fazer, vejo que apesar de tudo, os dias são poucos. É que conciliar tudo com a vontade de ir tomar uns copos e uns jantares com a malta, mais passar algum tempo de qualidade com a mulher (nem que seja sozinhos os 2 em casa a "gozar" o sofá) parece algo complicado!

O que vale é que me levanto por horas holandesas, ou seja super-cedo e posso tratar das cenas da net, logo a começar o dia...

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Fim de ciclo

Amanhã é um dia importante. É um dia com algum significado. Vão-se completar 2 meses que vim para Amesterdão ao mesmo tempo que representa o dia em que volto a casa para passar uns dias a tratar de assuntos importantes e espero eu aproveitar as coisas boas que a minha terra tem para oferecer.
Mas sobretudo o dia da amanhã representa o fim de um ciclo, ou pelo menos assim eu espero.

O ciclo de integração ou habituação sinto que está a terminar desde o último fim-de-semana. Converso mais com a malta do trabalho, trabalho esse que me parece já surgir mais natural. Começo a parecer mais eu também, mandando umas bocas aqui e ali, e já começando a mostrar sinais de "dominar o esquema". Hoje até tive um colega meu a dizer "you're good!" depois de eu ter atendido um telefonema sobre um problema de alta prioridade que o cliente estava a pedir o suporte por telefone (eu estou mais habituado a receber os pedidos de suporte por e-mail).

Também espero que o ciclo da espera também termine amanhã. Nada tenho contra andar de transportes públicos, e no centro de Amesterdão é praticamente a única forma racional de um gajo se deslocar. Quer dizer a bicicleta ainda é mais racional, mas adiante. Mas só o tempo de ir para a paragem será o tempo que demoro a chegar de carro à IBM. Portanto quando voltar na outra semana, trazendo o carro para usar aqui, vou conseguir aproveitar mais meia-horita de sono, ou nem que seja na ronha. Assim como poderei sair do trabalho à hora que quiser, sem precisar de ficar mais um bocado porque não vale a pena ir esperar o autocarro para o frio.
Ao todo conto ganhar mais de 1 hora por dia para fazer o que me apetecer.

Portanto espere que ao final do dia de amanhã, me possa despedir definitivamente do BaKano mais tristonho e desmotivado, e abarque definitivamente o BaKano à moda antiga, em versão Holandesa.

E para já me despeço que tenho de ir acabar de arranjar a mala para amanhã. Até para mais que apanhei o turno da manhã, logo tenho de estar na empresa às 8:00 e quem me conhece sabe que ir trabalhar às 8:00 é cedo demais!

Até à proxima, já por terras lusitanas (I hope!)

terça-feira, janeiro 25, 2011

Diário de um BaKano

Meu querido diário,

Hoje fiquei muito contente. Saí de casa já em pleno dia, e quando saí do trabalho ainda se via um resquício de azul no céu. Já andava um bocadinho farto de passar a maior tempo no escuro, ou fechado em 4 paredes quando havia luz.

O dia não correu mal, já vou a 130% de produtividade para o mês de Janeiro e já estou mais à vontade com o mesmo, com os clientes, e com os colegas. Até já falei de motas com um alemão com quem ainda não tinha trocado 2 dedos de conversa... Ainda por cima ele é músico e toca numa banda qualquer, portanto mais uma razão para confraternizar com ele. E ainda, a mulher dele vende vinhos e faz umas provas volta e meia, e isso sem dúvida nenhuma que é coisa em que estou interessado, vinho!

Continuo sem entender muito bem porque caraças demora tanto tempo a mandar um cartão bancário de substituição. Pedido há quase 3 semanas e nada de cartão! Isso deixa-me frustrado porque não posso confirmar a recepção do maior salário que recebi até hoje, assim como tenho de andar a levantar dinheiro a crédito (pagando as comissões)...

E pelos vistos é mesmo verdade que eu transmito uma imagem de gajo simpático, boa pessoa e prestável, porque novamente fui abordado por turistas a pedir informações, mas deste vez em plena "terreola" (Badhoevedorp) e por uns alemães de carro que andavam à procura de um Hotel. E mesmo só aqui estando há umas semanas, lá os mandei para o sítio certo. Quer dizer, espero eu!

E hoje comi uns bifes de porco, com massa com o formato de perceves, e uma saladinha mais à portuguesa (acrescentei uns tomatinhos cortados) e kitada com queijo de cabra.

Por isso, feitas as contas, hoje estou contente

Estivesse a cena das portagens nas ex-SCUT resolvida (ando a pagar portagens a outro gajo que ficou com o antigo carro e a Via Verde diz que tenho de esperar) e estaria muito contente...

Até amanhã meu querido diário!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Análise numérica


A análise numérica é um ramo da matemática que estuda métodos construtivos (na forma de algoritmos) que convergem para entidades matemáticas cuja existência foi demonstrada. Mas não é isso que eu vou fazer.
Hoje decidi falar das eleições de ontem, mas olhando quase em exclusivo para os números, e ignorar as análises políticas que muitos gostam de fazer e devem ter feito desde o fecho das urnas e ainda as farão durante alguns dias vindouros.

Cavaco Silva ganhou com 52,91% dos votos, uma margem ainda maior que na eleição anterior. Isto é um facto inegável. Assim como é inegável que Cavaco ganhou em todos os distritos e nas Regiões Autónomas. Até mesmo nos redutos da esquerda, e apesar de resultados mais renhidos, Cavaco ganhou.
Assim à primeira diria-se que foi mesmo uma vitória a todos os níveis.

Mas por acaso daquilo que li pelo menos nos títulos (admito que não segui esta eleição com atenção até porque sou da opinião que ela tem pouca importância para o futuro de Portugal a curto prazo) a malta não deixou de notar que Cavaco teve muitos menos votos. Uma abstenção de praticamente 52,5% não pode ser tratada com leviandade. Sobretudo qd há 5 anos ela foi de 38,4%.
E para mim olhando para os números completos, é ainda mais grave quando havia praticamente mais 600000 eleitores inscritos este ano que há 5 anos atrás.
E mesmo assim foram votar aproximadamente menos 110000 de pessoas. Sim, quase um milhão e cem mil pessoas votaram este ano, existindo mais de meio milhão de eleitores novos.

E se considerarmos os votos à luz da totalidade de eleitores, vemos que o Presidente da República, a figura mais elevada do Estado, foi escolhido por 23,5% das pessoas inscritas para votar em Portugal, ou seja apenas 23,5% da população adulta de Portugal escolheu o nosso Chefe de Estado.
Há 5 anos atrás, e apesar duma menor percentagem de votos no final, o Cavaco foi escolhido por 31% da população adulta de Portugal.
Para mim é curioso, agora o que realmente significa não sei ao certo.
Como disse inicialmente não quero fazer desta crónica uma análise política.

No entanto, depois de ter lido um comentário num fórum de discussão dirigido a quem foi votar em branco, e que também se aplica a quem se absteve, fiquei com uma frase para dizer.

Na realidade Cavaco apesar de ter tido apenas 2.223.269 votos, foi eleito por 7.444.374! Na realidade todos os votos em branco, nulos e quem se absteve, só contribuem para a eleição de quem tem mais votos.
E isso é triste porque estes números (e estão todos a aumentar, o número de votos em branco e nulos) revelam claramente que as pessoas estão desiludidas, já não se revêm nos políticos e não encontram ninguém (ou muito poucos) nessa classe que valham alguma coisa.
E se eu dantes não achava bem que as pessoas não fossem votar, e que não votar era pura e simplesmente um "não quero saber", agora estou convencido que é realmente a única forma de protesto que temos.
Se calhar em próximas eleições, se votarem apenas 25% dos eleitores registados pode ser que as eleições sejam impugnadas e a corja que lá está seja obrigada a dar lugar a uma outra vaga que talvez traga alguma coisa de novo e de bom... Talvez...

E pronto e afinal sempre acabei com uma espécie de análise política, mas é mais a minha opinião

PS - Eu também foi um dos que se absteve, mas admito que foi sem querer, porque na altura de marcar a viagem a Portugal não me lembrei de ir ver a data das eleições e sendo assim não tinha viagem a tempo para o fazer.

domingo, janeiro 23, 2011

Alguns apontamentos


- Pelos vistos eu tenho cara de gajo simpático e de boa pessoa. Fiquei a saber isso ao almoço com 2 colegas de trabalho (1 galês e 1 italiano) quando lhes dizia que até era bastante abordado por pessoas aqui que se punham a falar comigo (ou perguntar coisas) e em Holandês. Eles disseram que eu parecia um nice guy e que eles provavelmente se me vissem na rua e precisassem de fazer alguma pergunta também se dirigiriam a mim porque pareço uma boa pessoa.

- Acho que os gajos aqui conduzem um bocado mal. Em montes de cruzamentos entram logo pelo lado mais perto, ou seja, pela outra faixa de rodagem às vezes com carros lá e tudo. Os gajos das scooters (que podem andar nas vias das biclas e sem capacete) acham que é boa ideia ultrapassar pela direita um carro que está a virar à direita e pelos vistos ficam surpreendidos por não terem espaço para passar depois. Pode ser uma impressão precipitada por apenas reparar nos maus exemplos (que me parecem ser frequentes)...

- Uma noite de sexta-feira passada num bar a beber cerveja e a falar (e conhecer) vários portugueses, seguido de um sábado passado fora de casa mesmo ressacado, a falar com outros portugueses também, serviu bastante para levantar a moral. E sim foi só a moral que levantou mesmo (não passei no Red Light District)...

- Ando indeciso entre comprar novamente uma compacta (do tipo super-zoom como a que tinha), uma Digital SLR de baixa gama (entry level), ou uma "híbrida". As híbridas ainda não tem um nome definitivo, há quem chame de Mirrorless (proveniente de MILC - Mirrorless Interchangeable Lens Camera), EVIL (Electronic Viewfinder Interchangeable Lenses) ou Micro 4/3 como a Panasonic e Olympus chamam, aliás os primeiros fabricantes deste tipo de câmaras.
Como teoricamente as híbridas combinam o melhor dos 2 mundos (das compactas e das SLR) começou a crescer na minha cabeça que era uma destas. E quando vi as funcionalidades e aparente qualidade (por reviews em sites da especialidade) da Panasonic GH2, achei que era mesmo esta que ia comprar. O problema foi quando vi o preço, que chega a ser bem superior a muitas dSLR (e as lentes então como são sistemas diferentes, ainda fazem piorar a figura!).

- Decidi no entanto que vou comprar um GPS. Agora resta saber qual. Estava tentado a comprar um N-Drive (sempre é produto nacional em teoria pelo menos) mas tenho de ter uma versão com mapa da Europa (ou permitir meter) porque ele é mesmo para isso, servir quando andar a passear por esta Europa fora, que é o que conto fazer a partir de inícios de Fevereiro.

- Esperava eu o 145 na Museumplein às 23:30 depois de ter vindo da casa de um conterrâneo pelo 12, quando se aproxima um gajo com a cara manchada que ao ficar à luz da paragem do autocarro consigo perceber tratar-se de sangue. O homem encosta-se à paragem e calmamente saca de tabaco de enrolar e começa a preparar um. Não sabendo bem o motivo das feridas na cara, decido que se calhar é melhor esperar o autocarro um pouco mais à frente e não estar ao lado dele...

- Um bocado antes de ter começado a escrever isto, tinha mais 1 ou 2 apontamentos curiosos a fazer, mas o avançado da noite acho que me fez esquecer o que queria dizer. Também fiquei um bocado desconcertado depois de ter estado a ver a Caroline Wozniacki a apurar-se para os quartos-de-final do Australian Open...

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Tem sido muito diferente.

Para a semana vai fazer 2 meses que vim para cá. Vai ser na sexta, dia 28 e curiosamente vai ser o dia de um regresso a Portugal. Regresso com data marcada de volta, obviamente, mas pronto. Não foi intencional, lá calhou. Aliás se me tivesse lembrado das eleições presidenciais teria marcado para este fim de semana que aqui vem, e assim lá iria depositar o meu voto. Quer dizer, se calhar não, porque com o roubo dos documentos não sei se a mesa aceitaria o meu voto... Adiante...

O que acontece é que claramente esta estadia no estrangeiro teve um efeito muito diferente em mim do que as anteriores.

No Japão estive "apenas" 2 meses, mas no entanto tinha crónicas diárias carregadas de conteúdo. Aliás basta ver o blog do Japão e os posts, para notar que vários dias chegam a estar dividos em Manhã e Tarde. Alguns até em 3 partes!
No Japão todos os dias era uma aventura. Não propriamente aventura, mas o ritmo das coisas, fazia com que eu tivesse vários apontamentos a fazer.
Aqui o mesmo podia acontecer, mas simplesmente os apontamentos não me surgem.
Certo que volta e meia vejo coisas que são curiosas e merecedoras de serem escritas tipo crónica, ou verdadeiras "dissertações" ao bom estilo BaKanal. Mas não...
Mesmo comparando com os 3 meses que passei em 2006 no UK, onde escrevia neste mesmo blog, a coisa é muito diferente.

Mas o que aconteceu comigo? Sinceramente não sei. Uma coisa é certa, não tenho andando a passear ou à descoberta como antes. A minha estadia aqui também não é como as outras coisas, claramente temporárias e com viagens regulares para Portugal e tudo pago.
Aqui é uma mudança. Emigrei. E ainda não me consegui adaptar a esta nova realidade.
Da mesma forma que não gosto de estar aqui sozinho, de ter deixado a minha casa, as minhas coisas e a minha mulher em Portugal. Deixado mesmo (não abandonado), sem saber quando volto e pensando que se calhar o futuro é aqui. E pensar num futuro aqui para já deixa-me triste.

Isso associado à aventura de começar numa nova empresa, uma nova carreira (ainda técnica mas diferente) e ter uma série de coisas a aprender e outras tantas a que me habituar, e o ainda me faltar uma série de coisas, como o carro (que virá qd eu voltar da visita a casa) e o que me roubaram na época natalícia, deixou-me num espírito bem diferente.

Portanto, nem disserto, nem faço crónicas sobre como a Holanda tem tratado o BaKano.

Vamos lá ver se recupero o estilo do costume, e as ideias e as palavras fluem com mais regularidade e qualidade

Mas sem dúvida que a minha vida para já tem sido muito diferente das experiências passadas...

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Continuando na mesma onda...

Da última vez que aqui escrevi foi para contar a minha má sorte e um dia em que fiquei bastante lixado com isto tudo.
A verdade é que tenho continuado mais ou menos pela mesma onda.

O mau tempo e o estar agora a morar numa terra pequena trouxe alguns contratempos. Assim como exacerbou um problema que já tinha experimentado antes: a pouca certeza nos horários nos autocarros.
Basicamente e para resumir porque não estou muito inspirado para escrever, se vou em cima da hora prevista para o autocarro, o gajo vem uns minutos adiantados (já vi o autocarro passar mais de 7 mins antes da hora); se eu vou 5~10 mins antes para acautelar o chegar antes, o mesmo autocarro vem atrasado.
Ou seja, estou a 4 kms da empresa, uma viagem de 10mins de carro, e chego a demorar 45 mins qd tudo corre bem, sendo que muito tempo estou à espera. Se tenho o azar de me atrasar 1~2 mins a sair de casa, e grande o risco de perder o autocarro e ficar mais meia-hora à espera do próximo.
Espero que tudo melhore e deixe de ter tantos "tempos mortos" assim que tiver o carro cá, mas para já é mais 3 semanas nisto.

Mas esta má onda, não é nada comparado com o que me aconteceu a meio duma semana de festas e que estava a correr muito bem com uns dias de descanso em família e com a companhia da minha querida mulher.
A "regressar" a França para a passagem-de-ano, fui assaltado em pleno comboio, sem saber ainda muito bem ao certo como, mas a verdade é que praticamente tudo de importante (algumas coisas com valor sentimental) foram-se.
Ainda tive a sorte de ter deixado o passaporte aqui na Holanda, senão tinha mesmo ficado na merda.

Portanto agora preciso de uma máquina fotográfica nova, um novo leitor MP3, uma nova mochila, um novo necessaire, um novo Cartão de Cidadão e uma nova carta de condução, fora outras coisas menores.
Algumas das coisas que me roubaram já tenho substitutas...

O que posso dizer é que estatisticamente, algum dia tinha de acontecer, ser roubado, ao menos não tive sequelas fisicas nem foi uma experiência traumática.

Vamos a ver se a má onda desaparece depressa...

É que ainda por cima ando a pagar as portagens na A25 e A17 a alguém que ficou com o antigo carro da mulher ... apesar de termos o identificador na nossa posse!
Enfim, é só mais uma para juntar à onda...