quarta-feira, março 11, 2015

Adieu, ou au revoir, la France

Tão preocupado andava eu no fim-de-semana com novos blogs e o que fazer durante o mesmo, que nem dei a devida importância ao que se passava no Domingo.
Não foi algo que aconteceu comigo, mas esse dia representa uma mudança muito grande e importante na minha família.

Pela primeira vez na minha vida, desde Domingo, que não tenho os meus pais em França nem casa para lá ir. Os meus pais já passavam férias fora, mas eu tinha sempre a casa lá caso quisesse ir.
Agora não, essa terceira (já foi segunda) casa e esse meu terceiro (já foi segundo) país agora acabaram.

Para quem não sabe eu nasci em França pois os meus pais estavam lá emigrados, mas fui criado em Portugal uma vez que eles pensavam que voltariam cedo e não queriam que o meu irmão, mais velho que eu 2 anos e meio, começasse a vida escolar lá (com a pré-escola) e depois tivesse que a abandonar. Pretendiam eles minimizar o impacto duma mudança, mas os anos foram passando e eles foram ficando. 36 anos e 9 meses para ser exacto, que demorou a finamente abandonarem o país de acolhimento. E agora que regressam a Portugal (que não sei se podem dizer que regressam a casa) um dos filhos está noutro sítio, curiosamente mais perto da antiga morada, do que da nova (que antes era a morada de férias).

Eu disse que não sei se posso chamar Portugal a casa, porque o meu pai esteve em França 50 anos. Foi para lá com 15 ainda adolescente, e sai de lá já reformado e avô. A vida do meu pai foi feita na França. Portugal era só férias e passou uns tempos na Argélia num destacamento do trabalho. De resto a vida que ele conhece é em França. A minha mãe foi depois e a minha mãe já tinha voltado a Portugal há uns anos, para depois regressar a França porque não era vida o casal estar separado (já bastava terem separado a família). Penso sempre que o impacto será mais brutal no caso do meu pai, mas de certeza que vai ser complicado para os 2.

Existem muitos emigrantes que regressam a Portugal quando reformados, mas muitos mantiveram a casa em França e a ela regressam por uns meses, nem que seja para visitar família e amigos que por lá deixaram. Eu acredito também que muitos emigrantes sentem necessidade de voltarem ao país de acolhimento, pois sentem-se mais em casa lá do que no país de origem.
Os meus pais não têm essa salvaguarda, não sei como farão quando tiverem vontade de revisitar a sua segunda pátria.

Para mim também vai ter impacto. Deixo de ter os pais a 500 Km de distância, pois os últimos 4 anos foi o período em que tive os meus pais mais perto de mim. Deixo também de ter o poiso intercalar das viagens para, e de, Portugal de carro. Também já não poderei ir a Paris quando bem me apetecer e sem preocupações pois não tenho mais os paizinhos para me dar abrigo e de comer e ainda pagar o combustível (pois o meu pai fazia sempre questão de pagar o atestar do depósito antes da partida).
O Sebastião vai deixar de ver os avós uma vez por mês.
Enfim, é toda uma mudança a que todos nós teremos de nos adaptar e fazer o melhor das circunstâncias.

Eu sei que vou voltar a França, pois agora até posso ir passear para outros sítios sem sentir a obrigação de ter de ficar em Paris.
Mas para os meus pais, não sei se é um adieu ou um au revoir.
No total foi meio século de uma vida que agora muda, sem se saber se para melhor, para pior ou simplesmente para outra coisa...

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