terça-feira, julho 19, 2016

Reciclar calendários


O ciclo repete-se, quando alguém vem celebrar um acontecimento recente, sobretudo uma vitória desportiva no desporto de massas, o futebol é o maior exemplo, lá se enchem as redes sociais com fotos e notícias de outras vitórias em categorias menos apoiadas, muitas vezes acompanhadas de textos a criticar a falta de divulgação.
O problema é que em muitos destes casos as notícias são muito antigas. Mas as pessoas não olham a datas, apenas olham a títulos, cabeçalhos e às vezes só olham para os desenhos.
O curioso é que são pessoas a tentarem criticar ou ridicularizar a ralé que se entusiasma com o circo, mas acabam por cair no ridículo elas mesmas. Sobretudo porque quando na data dos tais acontecimentos que eles agora tão apaixonadamente partilham, essas mesmas pessoas nada disseram!

Sabem aquela foto dos atletas com Síndrome de Down agarrados a uma bandeira portuguesa e o texto na imagem a dizer que somos campeões do mundo de atletismo nesta categoria e que ninguém fala nisso? Por acaso nos últimos tempos muita gente tem falado nisso mas a tal foto e o tal acontecimento foi em 2012! Há 4 anos e agora ainda há gente a queixar-se que não se divulga esta notícia.
Já depois desta conquista muitos dos nossos atletas ganharam outras coisas (estes mesmos atletas) mas se calhar ainda não passou tempo suficiente para meio mundo andar a partilhar.

Desde que Portugal venceu o Euro 2016 em futebol, notícias de conquistas noutras modalidades pululam nas redes sociais. E obviamente algumas delas, a maioria digo eu, já são antigas mas é imperativo mostrar que Portugal não é só futebol, E não é só futebol, mas não é só futebol todos os meses do ano, não apenas quando se ganha no futebol e lembramos-nos então que existem outras modalidades, outros atletas, outras conquistas...

Isto não é exclusivo ao desporto. Nos dias mais recentes quando aconteceu um atentado terrorista ou outra desgraça no mundo ocidental, que é bastante noticiado e leva a ondas de solidariedade pelas redes sociais, lá aparecem os defensores dos fracos e oprimidos a queixarem-se que as desgraças nos outros países não têm direito à mesma indignação. Mas novamente metade, senão mais dessas vezes, estas pessoas partilham notícias mais antigas. O que me leva a crer que essas mesmas pessoas também não agiram na altura própria pois certamente se lembrariam das mesmas imagens e mesmas notícias que agora partilham.
Para mim mais uma vez alguns caiem no ridículo ao tentar ridicularizar os outros.

Assim de repente já não me parece tão estranho que os transmontanos tenham ficado indignados com o Nuno Markl e o José Cid 6 anos depois da tal entrevista! Parece ser esse afinal o comportamento habitual, só reparamos nas coisas semanas, meses ou anos depois...

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