quinta-feira, junho 08, 2006

Inteligências e Intelectos

Estava eu a conversar com a minha amiga Susana pelo Messenger, quando às tantas veio à baila o assunto Inteligência. Isto porque a Susana diz que eu não a considero inteligente, e como me considero muito inteligente, acho que ninguém consegue chegar ao meu nivel muito menos uma mulher.

São palavras dela, não minhas. Não quero fazer desta dissertação uma exaltação ao meu intelecto, mas admiti à Susana, que de acordo com a minha definição de inteligência, me considerava mais inteligente do que ela.

Para mim ser inteligente não significa saber muito. Para mim a inteligência de um individuo é muito mais a forma como raciocina, do que o tamanha da sua "base de dados" de conhecimentos. Um exemplo disso pode ser dado entre um jovem principiante que começa num trabalho de gestor de armazém, e partilha o trabalho com um senhor que já o faz para mais de 20 anos. Obviamente que o experiente colega sabe muito mais que o jovem principiante sobre o armazém e os produtos, mas isso não o faz ser o mais inteligente dos 2.
Este é um exemplo básico, que todos concordarão.

A forma de testar o raciocínio de uma pessoa, logo a forma de testar a sua inteligência, é feita à base de problemas lógicos, situações simples e novas nas quais a previa experiencia da pessoa é irrelevante, e o que importa e' saber como a pessoa raciocina de modo a resolver o problema. Foram desse tipo de problemas que me puseram numa entrevista de emprego na Alemanha. Problemas simples, em que a minha experiencia profissional (a "base de dados” de conhecimentos que construí ao longo do tempo) de nada me servia. Os testes apenas serviram para testar a minha forma de raciocinar e resolver os problemas. E é isso que eu considero inteligência.

Acho que todos nós conhecemos exemplos de pessoas que são capazes de estar 3 ou 4 horas a debitar informação disto ou daquilo, passando a imagem de que são pessoas muito inteligentes pois sabem muitas coisas. Mas quando pedimos a essas pessoas pra resolver problemas que eles ainda não conhecem, não dão conta do recado!

Voltando a falar de mim agora, considero-me eu uma pessoa muito inteligente? É uma questão realmente complicada, porque muitas vezes me julgo "o maior", que sei quase tudo e resolvo quase tudo, mas outrastantas vezes reparo que afinal falhei no meu raciocínio e afinal não sou tão bom quanto isso. Por exemplo, na entrevista na Alemanha, falhei redondamente nos problemas logicos que me deram, no meu entender. Dois problemas resolvi mas um bocado "tremidamente", e o terceiro fiquei sem saber nada da resolução! Não fui capaz de propor uma solução, e o homem que me pos o problema também não me deu a resposta!

Então se eu afinal sou fraco a resolver os tais problemas que testam a inteligência, como me posso considerar inteligente?
Simples. Os problemas logicos apenas testam uma forma de raciocínio, o cientifico. E também existe, quer se goste quer não a componente humanistica: as artes, a historia, a filosofia, etc...

Sim, o pensamento logico e cientifico é para mim mais importante. Acho que qualquer pessoa que diga que pode viver sem logica nem ciência, é utópica. Nós precisamos da logica e da ciência pra vivermos no dia-a-dia. Mas as humanidades trazem outra cor à nossa vida. É muito mais dificil testar o raciocínio humanistico de um individuo. Não é uma ciência exacta. Ao contrário dos problemas logicos em que a pessoa ou resolve ou não, nesta área nao existe o certo ou o errado. Mas podemos avaliar esse raciocínio atraves de uma boa conversa. A pessoa pode não ter lido os livros de Kant, pode desconhecer as teorias de Freud, pode nunca ter visto uma obra de Miguel Angelo, mas pode discutir as coisas, e percebe-las e rebate-las. E se o conseguir fazer, seguindo um pensamento constante e fluído, seguindo uma ideia concrecta, então essa pensamento tem raciocinio humanistico.

Voltando a mim, penso eu ser esse um dos principais atributos do meu intelecto. Posso não conseguir resolver os problemas todos logicos, posso não ter apreciado muitas obras de arte, mas consigo compreender, assimilar e discutir sobre quase tudo. Acho que (mais) uma prova disso foi que, apesar de eu, no meu entender, ter falhado nos problemas de logica que me fizeram na entrevista na Alemanha, gostaram muito de mim, acharam que eu seria uma optima mais-valia na empresa e deram-me logo um contracto pra eu assinar (quenão assinei por razões que, quem sabe, um dia detalharei)!

Sou muito inteligente? Acho que não, mas certamente diria que sou "especialmente" inteligente.

Especialmente, porque juntando à minha forma de raciocinar, temos esta parte obscura da minha mente capaz de imaginar coisas do mais absurdo ou ridiculo que seja. Uma insanidade bastante complexa. Ou seja: penso bem e sou maluco da cabeca!

Não são essas as principais caracteristicas dos grandes génios?
Minhas senhoras e meus senhores, acabei de vos apresentar aquela que será a minha maior caracteristica: A Presunção!

1 comentário:

  1. Presunção e água benta cada qual toma a que quer

    Uma das tuas principais características é a modéstia, agora falta-me saber se é por excesso ou por defeito...
    Eu também sofro do um mal parecido, sou muito modesto. :)

    A inteligência é mensurável, e podemo-lo fazer em vários campos e de formas variáveis. Se observar-mos alguns testes psicotécnicos (testes avaliadores de personalidade e inteligência) verificamos que parte dos problemas apresentados ou são perguntas “simples” de escolha múltipla (em que nalguns caso não concordamos com nenhuma das opções propostas mas temos de sinalizar a resposta que mais se adequa ao nosso pensamento) ou então são pictogramas que tentam avaliar ou o nosso sentido lógico, ou outras questões que eu apenas poderia especular já que os meus conhecimentos de psicologia estão muito aquém do esperado.
    A inteligência depende muito da sociedade em que vivemos, e antes de depreciarem esta primeira parte da afirmação deixem-me acabar. Se vivermos rodeado de pessoas com o mesmo nível de conhecimento e inteligência somos pessoas banais e não sobressairemos. No entanto, quanto maior for o desnível conhecimento/inteligência (eu não queria por agora separar estes dois, por muito diferentes que sejam) mais diferentes nos sentimos e mais inteligentes nos supomos. Agora questiono, será que somos?

    Conhecimento vs. Inteligência. Foi a inteligência que nos fez sermos quem somos, caso contrário seriamos, ou talvez não, um bando de hominídeos perdidos algures no planeta. Ao contrário do conhecimento, que alguns animais passam de geração em geração, ou que está geneticamente codificado, a inteligência permite-nos evoluir. Isto é, com base em alguns pressupostos (conhecimento) conseguimos obter conhecimentos mais abrangentes, ou mesmo ideias novas.
    "O conhecimento é como um círculo, em que o desconhecimento é o que está para lá da circunferência. Quanto maior for o nosso conhecimento, maior será o desconhecimento", esta citação, que por acaso está longe de ser minha, e outras como a conhecida "só sei que nada sei" insinuam uma certa influência do conhecimento na inteligência. A meu ver o conhecimento estimula a inteligência, mas, há sempre um mas, tem de se estimular o que existe. Se “não” existir inteligência por muito conhecimento que se tenha este não evoluirá.

    Há quem diga que há vida inteligente na Terra, mas eu volto a afirmar: eu estou de passagem...

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