domingo, agosto 21, 2016

Uma questão de números


Nunca fui gajo de andar a fazer muitas contas, sobretudo andar a guardar recibos ou facturas e fazer uma contabilidade caseira ou pessoal para variados gastos. Apenas durante uma fase mais apertada, onde ainda por cima andava a pagar empréstimos que não eram na realidade meu usufruto mantive uma folha de Excel para fazer os meus orçamentos e monitorizar a evolução da coisa. Mas agora que já estou mais velho e desde que vim para aqui as métricas, na realidade estatísticas, passaram a fazer parte do meu quotidiano lembrei-me de começar a guardar e fazer alguns estudos de contas.

sexta-feira, agosto 19, 2016

Ele não para


Na terça-feira passada estava a falar com o Bren no trabalho sobre os miúdos pois ele também tem um rapaz um pouco mais velho que o Bastião mas que é do mesmo género.
E contava-lhe eu que num destes dias, talvez no fim-de-semana, a Carolina estava no sofá da sala com a Amélia ao colo, eu estava de pé entre a mesa e o sofá a conversar com ela e o Bastião andava a correr à minha volta, a fazer um barulho qualquer, sem parar. Eu lembro-me de olhar para a Carolina com ar resignado e pensamos os dois ao mesmo tempo: "mas fazer o quê?".

terça-feira, agosto 16, 2016

Saudades de fazer nada


Várias pessoas acham, e eu acho ainda mais, que sou bom a fazer muitas coisas, mas sou ainda melhor na arte de não fazer nada. Não é bem procrastinar, que isso implica adiar o que se tem de fazer, é mesmo não fazer nada. É aliás uma coisa que aparentemente apenas os homens são capazes de o fazer por bastante tempo e gostam mesmo de o fazer.

quinta-feira, agosto 11, 2016

Novamente Portugal a arder


E o primeiro anjo tocou a sua trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada.
Apocalipse 8:7

Acredito que para muito gente, em várias localidades de Portugal nos últimos dias, o pensamento do fim de mundo, como supostamente vem mencionado no Livro do Apocalipse (ou Livro da Revelação) esteve bem presente na mente.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Ik was te snel rijden

Na noite de segunda para terça dormi muito pouco. A Amélia parecia que estava agitada e eu pensei que ela não ia deixar a mãe descansar por isso fui ficando acordando para ficar com ela. Mas afinal não, ela dormiu mais de 4 horas seguidas e de nada serviu eu ter ficado acordado até às 3 da manhã, a não ser tirar-me horas de sono. Que acabaram por ser apenas 2,5 horas porque por volta das 5:30 o Sebastião acordou a chorar.
Estava mijado e com a agitação da troca de fralda não quis voltar a dormir e pediu leitinho. Viemos para a sala e lá fui ficando com ele meio a dormir, enquanto os minutos transformaram-se em horas.

E portanto, como é costume nestes dias em que o Bastião acorda cedo de mais, eram 9:00 e nós não estávamos sequer prontos para sair de casa. Já ia chegar atrasado à creche mas eu queria minimizar o atraso até porque ele perde actividades se chegar tarde (uma cantiga, a fruta e, se a Mireille está na mesma sala com os pequeninos dela, uma leitura de livro).
Assim sendo ia eu pela estrada fora um pouco mais depressa que o habitual.

terça-feira, agosto 02, 2016

Um Domingo de Verão


O dia estava bonito, soalheiro, mas a temperatura máxima prevista era apenas 19° C. No entanto nos dias anteriores a sensação térmica, pelos menos a nossa, era sempre superior e a casa tem estado sempre quente, por isso tratamos os 19° como se fossem 25°.

Pensei que poderíamos ir almoçar a uma churrascaria que existe em Zaandam, mas à boa maneira daqui (acontece o mesmo com o Portugalia) só abre às 17:00 para jantares. Assim acabamos por comer um frango de churrasco do Neves, daqueles que vêm meio-feitos e só levamos ao forno 30 minutos para terminar. Por acaso são bem bons. O que não foi tão bom foi o vinho verde tinto da Adega de Monção que comprei por engano (pensava que era verde branco e como levei o Sebastião comigo nem reparei no rótulo nem na falta de transparência da garrafa).

E logo depois de almoço, ainda só passavam 5 minutos das 14:00, já estávamos a arrancar de carro, com as 2 crianças e toda a tralha que vai atrás, para a nossa praia de eleição, Katwijk aan Zee.

sábado, julho 30, 2016

"Põe o menino no penico para fazer cocó"

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Tinha eu acabado de aparar a barba e preparava-me para ir tomar um duche quando a Carolina me grita a frase "Põe o menino no penico para fazer cocó" e o Sebastião vem a correr para a casa-de-banho.
O pânico começou a instalar-se, e uma série de perguntas assolaram à minha mente, "Então mas se ele se borrar todo?", "E se ele ME borrar todo?", "E fica ali o cocó no penico assim sem mais nada?", "E como é que o vou limpar depois?", "Ele vai se levantar a correr e o cocó vai lhe escorregar pelas pernas abaixo e ficando espalhado pelo chão?"...
Entretanto o Sebastião já tinha tirado a tampa do penico e sentado-se em cima enquanto ainda processava o que poderia estar a acontecer.
A Carolina chegou e diz-me "Vá, tira-lhe as cuecas para ele fazer" e a minha resposta natural foi "Não podes vir assim com esta bomba de repente, eu não estou preparado!".

quinta-feira, julho 28, 2016

O homem fez-se para guerrear


O Manoel de Oliveira era sem dúvida uma pessoa inteligente, para além de um grande cineasta, e tinha toda a razão quando escreveu esta frase para o Soldado Salvador, interpretado por Miguel Guilherme dizer, durante a longa conversa inicial no camião do filme 'Non', ou a Vã Glória de Mandar de 1990.
O Soldado Salvador parece ser o mais fervoroso dos soldados, só não é o mais simples porque existe o Soldado Manuel que tem saudades da sua aldeia e lamenta por não se ter mandado para o estrangeiro para fugir à tropa, como muitos outros.
Mas concluindo, o Soldado Salvador afirma que "o homem fez-se para guerrear; para lutar", ou seja para matar.

segunda-feira, julho 25, 2016

25 de Julho em retrospectiva


O 25 de Julho, hoje, é um dia especial e espero eu que continue a ser por muitos e bons anos.

Com a ajuda do Facebook e da sua aplicação "Neste Dia", as memórias que ele agora sugere, eu posso saber que no ano passado, um Sábado, fomos almoçar ao restaurante NAP e por causa dessa dica relembro que houve uma forte tempestade aqui na Holanda toda e eu fiquei sem gasolina em plena auto-estrada por um erro de contas de cabeça.

terça-feira, julho 19, 2016

Reciclar calendários


O ciclo repete-se, quando alguém vem celebrar um acontecimento recente, sobretudo uma vitória desportiva no desporto de massas, o futebol é o maior exemplo, lá se enchem as redes sociais com fotos e notícias de outras vitórias em categorias menos apoiadas, muitas vezes acompanhadas de textos a criticar a falta de divulgação.
O problema é que em muitos destes casos as notícias são muito antigas. Mas as pessoas não olham a datas, apenas olham a títulos, cabeçalhos e às vezes só olham para os desenhos.
O curioso é que são pessoas a tentarem criticar ou ridicularizar a ralé que se entusiasma com o circo, mas acabam por cair no ridículo elas mesmas. Sobretudo porque quando na data dos tais acontecimentos que eles agora tão apaixonadamente partilham, essas mesmas pessoas nada disseram!

A principal razão de gostar do que faço agora

Trabalhava eu apenas há uns meses aqui na IBM, a fazer suporte técnico, quando em conversa com a Sofia, a Andorinha Des-Norteada, ela me perguntou porque é eu estava nesta área e não voltava para o desenvolvimento, ou programação, pois notava-se no meu discurso que era disso que eu gostava?
Eu na altura não sabia responder, ou melhor, devo ter respondido que agora era o meu trabalho. O que eu ainda não sabia era que iria gostar mesmo de fazer suporte técnico também.

Pelo menos este tipo de suporte técnico que continua a envolver engenharia de software, apesar de eu gostar que envolvesse mais um pouco para me sentir mais realizado.
Mas eu sempre gostei de ajudar pessoas e já quando fazia desenvolvimento uma das partes que me dava mais satisfação era resolver problemas, nomeadamente dos outros. Sobretudo porque ajudava os outros e na parte do ego, fazia-me sentir bem saber que conseguia ajudar alguém, que tinha a capacidade de ver e arranjar solução para problemas que outros não conseguiam.
Isto apesar de eu ter os meus próprios problemas e não conseguir sair do beco sem saída. Mas costuma-se dizer que é mais fácil ver os problemas nos outros do que em nós próprios...

segunda-feira, julho 18, 2016

Golpe de Estado ou de Teatro?


Se calhar um dia saberemos ao certo o que realmente se passou entre os dias 15 e 16 de Julho deste ano. Talvez tenha sido uma verdadeira tentativa de golpe de estado, levada a cabo por alguns militares um pouco ao estilo do nosso 25 de Abril (nem toda a gente estava por dentro) mas que correu mal porque o povo saiu às ruas mas para defender o Governo, ou então terá sido um verdadeiro golpe de teatro, uma encenação para na verdade promover (mais uma) limpeza a vários níveis. Uma limpeza de vozes contestatórias a Erdogan, o presidente que parece ser eterno, e que também parece ser um ditador de facto apesar de ainda não ser um em pleno.

A cena na ponte do Bósforo que se irá certamente tornar uma imagem da história parece indicar que é mesmo um golpe de teatro. Militares fortemente armados, incluindo 2 tanques pesados, largam as armas e rendem-se a forças de segurança civil que por mais corajosos que são dificilmente teriam hipóteses contra o dispositivo ali instalado em caso de conflito.
Por um lado é bom e positivo que os militares ao verem que os civis não estão do seu lado desistem e rendem-se pacificamente de forma a evitar mais baixas. Também o poderão ter feito ao perder contacto com o Posto de Comando dos golpistas e sem ordens para agir entregaram-se ao poder civil. Existe ainda uma outra hipótese, os soldados ao saberem o que se estava a passar e que se calhar tinham sido enganados, rendem-se às outras forças.
Mas vários destes cenários não invalidam o golpe de teatro.

quarta-feira, julho 13, 2016

Filosofia de WC - XI

Encara uma mudança grande na tua vida não como um terramoto que faz rachar as fundações ou manda mesmo tudo abaixo mas sim como uma viagem de barco em alto mar que pode trazer-te de volta ao mesmo sítio ou outro parecido, que pode encontrar tempestades e até mesmo afundar-se, mas também que pode levar-te a um destino paradisíaco, para lá ficar ou para lá passar um bom tempo.

Puxo o autoclismo, lavo as mãos e confirmo que levo colete salva-vidas para a viagem de barco...

terça-feira, julho 12, 2016

O Euro 2016 no meu Facebook


O Facebook é a rede social de eleição e que uso para partilhar tudo o resto. Portanto as crónicas e dissertações que escrevi aqui no blog e os tweets que fui mandando durante os acontecimentos estão todos lá.
Este é o apanhado daquilo que escrevi em exclusivo sobre o Euro 2016 na minha cronologia, sem contar com os meus comentários, seja em posts meus ou de outros, excepto o primeiro de todos porque foi uma espécie de profecia.
Como o Instagram pertence ao Facebook, vai incluído aqui.

Nota: Apesar das publicações serem todas Públicas, não deu para incorporar (código HTML) todas aqui, por isso algumas são imagens recortadas da Cronologia...

segunda-feira, julho 11, 2016

O Euro 2016 no meu Twitter


Não consigo trabalhar nada de jeito hoje. Como este Europeu é para ficar para os anais da história, deixo aqui um apanhado do que fui dizendo durante o torneio no Twitter por ordem cronológica.

Ainda antes de começar

Campeões Europeus e bipolares


Não é fácil escrever depois duma vitória como a de ontem. O primeiro título da selecção de Portugal.
É verdade que a selecção representa apenas parte de Portugal e muitos outros atletas conseguiram grandes resultados, inclusive ontem mesmo com 2 atletas femininas a sagrarem-se também elas campeãs europeias mas temos de ver uma coisa: a selecção é uma equipa e o futebol é o desporto-rei. Ou seja A Selecção das Quinas acaba por representar uma fatia maior de Portugal e portugueses, por isso o título tem outro peso e os festejos são realmente grandiosos.
Certamente os atletas individuais e outras equipas de Portugal percebem o que eu quero dizer, e que de forma alguma lhes tiro todo o valor que eles merecem. Mas não tenhamos ilusões, nem sejamos utópicos, o resultado de ontem é colectivamente o feito maior e mais abrangente do desporto de Portugal.

Agora avancemos para uma espécie de análise.
Eu vi um Portugal algo bipolar nesta fase final do Euro 2016. Na fase de grupos Portugal foi a equipa dominadora no que toca ao controlo do jogo. Nos 3 jogos tivemos mais posse de bole, mais ataque, mais passes. Como escrevi antes do jogo dos oitavos, se Portugal tivesse ganho os 3 jogos como esperado e normal tendo em conta o volume de jogo, teria sido considerado a equipa mais forte dessa fase, tendo em conta as estatísticas.
Tanta gente diz agora que Portugal praticamente só defendeu e parecem esquecer que findos os 3 primeiros jogos dos grupos, Portugal era a equipa com mais remates de todas as 24.
Portanto tivemos um Portugal que assumiu o jogo com posse de bola, muitos passes e atacando bastante (mas com pouca eficácia) que só conseguiu empatar.

quinta-feira, julho 07, 2016

A problemática do carro estrangeiro


Quando circulamos num país com um carro estrangeiro, carro de matrícula estrangeira, somos facilmente distinguidos. Não somos apenas mais um a andar na estrada com um carro igual a tantos outros. Somos diferentes, somos um estrangeiro, ou seja um turista ou um imigrante. E pensando até na atitude habitual em Portugal, eu incluído, para com carros estrangeiros, para mim fica claro que aqui existe o mesmo estigma. Estigma para quem é o estrangeiro, como é o meu caso.

Os outros condutores identificam-nos logo e parece-me que a maioria rotula como um caso especial. Para alguns é a inveja de que anda ali um carro que não paga os mesmos impostos (o que é mentira pois eu pago o mesmo imposto de circulação aqui que os holandeses). Para outros é o carro de turista que transporta bagagem, logo um alvo para roubo- Há também aqueles que acham que sou um polaco (o P na matrícula). Para muitos fica a ideia que um estrangeiro conduz pior ou não sabe bem o que faz. E ainda existem aqueles para parecem julgar que sendo estrangeiro tem menos direitos!

quarta-feira, julho 06, 2016

Primeiras de Julho

Já alguma vez viram a imagem aqui à esquerda partilhada na net? Ou uma imagem com mensagem similar?
É mesmo verdade! Eu até agora, só com um filho, não tinha sentido ainda o mesmo espírito mas agora que tenho 2 e depois de 2 semanas de férias para ficar em casa e ajudar a tomar conta dos 2, estou exactamente assim.
Segunda-feira passada voltei ao trabalho, apesar de ter trabalhado em casa e ao enviar o mail a dizer que na terça (ontem) voltaria ao escritório acrescentei que vinha para descansar e é mesmo verdade. Como está agora muita gente de férias e as cosias estão bem calmas, quer a nível de ambiente no escritório quer a nível de trabalho (os clientes) as horas aqui passadas afastado do ambiente familiar são um descanso...

Mas avancemos que o desabafo de cima era apenas uma das coisas que queria dizer (escrever). Daí o título, primeiras de Julho, que é logo falso porque já partilhei aqui o meu comentário sobre o Cristiano Ronaldo precisamente no dia 1 de Julho. Portanto este post (ou artigo, ou texto ou whatever) não é o primeiro de Julho.

sexta-feira, julho 01, 2016

Sobre o Cristiano Ronaldo no Euro 2016


Escrevi o seguinte texto no Facebook, depois de ler comentários e reacções ao jogo de ontem, juntado à minha vontade de partilhar o que sinto sobre ele e a sua prestação até agora durante o Euro 2016.
Deixo agora aqui na íntegra, sobretudo para manter um registo para uma ocasião futura.

Quem me conhece sabe que eu não sou de atacar o Cristiano Ronaldo e enerva-me até a perseguição que lhe é movida por tanta gente (portugueses e estrangeiros). Mas eu percebo alguns comentários menos abonatórios sobretudo depois do jogo de ontem, porque eu também os tenho, mesmo que os guarde só para mim.
Mas o problema neste caso é que todos nos habituamos a um nível muito elevado no Cristiano Ronaldo. Ele joga muito, marca muito, resolve muito. Por isso ficamos admirados, e tristes também, quando ele falha mais que o normal em determinado jogo.

quinta-feira, junho 30, 2016

Le Tour 2015 BaKano Awards


Eu sei que hoje temos jogo grande daqui a 3 horas e é para esse jogo que está virada a atenção da maioria dos portugueses que gostam de desporto em geral e futebol em particular.
Mas a esta hora está a decorrer a cerimónia de apresentação das equipas da edição de 2016 do Le Tour de France, ou a Volta à França em Bicicleta como se usava em Portugal no antigamente.
Por essa razão eu decidi ressuscitar o meu texto de há 1 ano atrás, que publiquei no meu blog internacional (em inglês) do qual entretanto desisti pois era mais uma carroça para puxar e os burros mal conseguem dar conta das outras carroças.
Aqui vão portanto os Prémios BaKanais, em inglês BaKano Awards, para a edição 2015 do Tour:

Prémio "Não Quero": Teve aquele ciclista que não queria liderar o grupo dos fugitivos numa subida então desviou-se para a direita bruscamente e quase embateu numa mota. E teve aquele outro ciclista que não queria a sua musette de comida então caiu quando lha deram.