quinta-feira, julho 16, 2015

O lado do credor

Esta manhã a vir de carro para o trabalho, já depois de ter deixado o Sebastião na creche, estava a fazer contas à vida, a pensar nos pagamentos que vão cair e como gerir o dinheiro entre a conta aqui nos Países Baixos (a receita, mas também despesa) e a conta em Portugal (só despesa).
E de repente apercebi-me o porquê, em todo estes processos de austeridade em vários países e programas de assistência, que eu costumo estar mais do lado dos credores, pelo menos no início e por defeito (até a situação se desenvolver).

É que também eu sou uma espécie de troika, mas uma troika singular (porque sou só eu), que teve e tem vários programas de assistência a outras entidades.
E de certo modo consigo perceber as reticências ou desconfianças de quem é credor quando depois de ajudar ainda é confrontado com mais pedidos de ajuda.
Certo que para muita gente, tal como no caso das situações na Europa, pode-se pensar que o credor (eu) tem muito dinheiro, pode e deve ajudar, e na realidade está a lucrar com a crise dos outros.

Por acaso não foram ideias minhas


Têm-me vindo à ideia alguns pensamentos curtos sobre as últimas polémicas da actualidade, que por acaso nem foram ideias minhas, mas pronto, partilho com vocês na mesma.

Li a crítica culinária do tal gajo inglês que considera a Cozinha Portuguesa a pior do mundo. Até acho que o gajo tem algum jeito para a comédia mas ainda lhe falta um certo tacto. Quando lemos ainda ficamos convencidos que ele pode estar a falar a sério, mas as muitas hipérboles e repetição confirmam tratar-se de um texto cómico. Ou triste...

segunda-feira, julho 13, 2015

Ficou chateada comigo hoje

Quer dizer, tecnicamente foi ontem que já passa da meia-noite, mas pronto. Foi ao almoço, num restaurante que tem uma zona de sofás que também é a zona de brincar para as crianças (é no Drovers Dog para quem conhece).
A empregada conduziu-nos para a mesa encostada aos sofás onde estava um casal, que como estavam nos sofás, tinham colocado as coisas numa das cadeiras da mesa, que agora seria a nossa (por indicação da empregada).
O homem retirou as coisas e eu coloquei lá pertences nossos.

Passado algum tempo (não sei se muito ou pouco) a Carolina diz-me para tirar as coisas da cadeira para eles usarem, ao que eu respondi que não, que me dava jeito ter as coisas lá, e acrescentei que se as pessoas querem sentar nos sofás para comer ou beber têm de arcar com as consequências, que é ter de comer as coisas no colo.
Devo ter acrescentado uns insultos pelo meio, como que aluindo à parvoíce da escolha só por causa de ser fixe e talvez outras coisas mais.

sábado, julho 11, 2015

Filosofia de WC - VIII

É inútil tentar manter o anonimato ou a descrição quando sentados no cubículo de um sanitário público. Por muito que se tente manter o silêncio, a nossa presença é na maioria das vezes denunciada com grande alarido, toda a pompa e circunstância.
Por isso mais vale assumir e sinalizar sonoramente a nossa presença.

Puxo o autoclismo, lavo as mãos e saio em grande estilo...

sexta-feira, julho 10, 2015

Galochas no solstício

Já passaram quase 3 semanas, mas vim aqui ver os rascunhos que tinha e dei de caras com este. O rascunho era muito básico, apenas o título e a imagem, mas lembrei-me logo do que queria dizer na altura.

Foi o fim-de-semana do solstício de Verão. Para muita gente é nesse dia que começa ao Verão apesar dessa data definir apenas o Verão astronómico. Meteorológicamente varia entre regiões e países, por exemplo aqui na Holanda considera-se que o Verão começa a 1 de Junho, ou quando vem o primeiro dia com temperatura acima dos 25° a partir de Maio.
Mas voltando a este fim-de-semana, tínhamos decidido ir passear até um local que é um destino de Verão para muita gente destes lados, alemães incluídos. A crónica dessa viagem já foi feita pela Carolina, por isso não vou gastar muito tempo de volta disso.
Vou-me dedicar a um pensamento que me surgiu durante o dia de Domingo, o dia do solstício.

quarta-feira, julho 08, 2015

A gaveta das meias

De há umas semanas para cá comecei a implicar com a gaveta das meias. A minha gaveta. Nada contra a gaveta em si, mas sim o seu conteúdo. É um facto que tenho poucas meias decentes, de há uns para cá tudo a maioria das coisas que ponho nos pés estraga-se com facilidade; é sinal de 2 coisas: excesso de peso (pés gordos) e fraca qualidade dos produtos (disto já não tenho dúvida). Mas na verdade a minha quezília é contra a palete de cores.
Pretos, cinzentos, azuis escuros, castanhos, verde escuro, uma outra tonalidade mais clara de azul e cinzento mas misturada num mar de cores tristes e taciturnas.
Umas meias curtas brancas, a única mancha diferente, mas sendo brancas uso pouco pois é considerado um faux pas ao nível da moda.

domingo, julho 05, 2015

O desvio no caminho para o Lidl

Já há vários meses que a estrada do caminho para o Lidl onde costumo ir está em obras. Por essa razão é preciso ir por um desvio. No início ia pelo desvio oficial, ou seja o que está sinalizado, mas esse obriga a uma volta maior, então à boa maneira portuguesa lá arranjei um atalho, por ruas mais estreitas e indicadas para quem mora lá.
O caminho faz-me passar por uma rua, esta que vêm na imagem retirada do Street View, e sempre que passo neste cruzamento e vejo esta placa (a que está à esquerda) leio sempre "Top Inceststraat", ou seja algo como "Rua do Incesto de Topo".
Obviamente a rua não se chama assim e agora sei o nome de cor, mas como das primeiras vezes, se calhar mesmo só a primeira vez, pareceu-me "Top Incest..." agora é sempre isso que vejo inicialmente.

sexta-feira, julho 03, 2015

Gosto, mas tem um senão

Há 2 meses escrevi que gostava de trabalhar em feriados e em alturas de férias. Reafirmo o que disse, e é giro trabalhar nas férias mesmo seja preciso aguentar a pirraça que os outros fazem pelas fotos ou comentários ou seja lá o que for.
Mas o período de férias tem um senão. As semanas que o antecedem.
É que com as férias a chegar muita gente tem de terminar as tarefas. E muitas vezes para as terminar têm de as começar (porque andaram a adiar durante a primeira metade do ano, ou andaram a calcar ovos). E por isso somos inundados de pedidos urgentes pois precisam de ajuda, seja porque não sabem fazer certas coisas, seja porque as fazem e corre mal (também pro estarem a fazer sob pressão).
Nestas 2 semanas tem sido complicado, mas nota-se já hoje, a primeira sexta de Julho onde muita gente já não trabalha até por causa das férias escolares, uma calmaria diferente dos últimos dias.

É mesmo o único senão deste período. Mas que não se resolvia se tirasse férias na mesma altura, porque teria um problema adicional que seria o ter eu próprio de acabar as minhas tarefas e deixar o plano para os outros colegas, para além de ajudar os clientes a completarem as deles.
A solução passa por tirar férias no inicio de Junho, escapando assim aos 2 períodos, tal como fiz o ano passado.

quinta-feira, julho 02, 2015

E se a democracia escolher a "anti-democracia"?

Uma das discussões em volta do Dossier Grego é a aparente guerra entre a democracia e o poder das elites, sobretudo as económica-financeiras.
Como muita gente tem posto, sobretudo pessoas ditas mais de esquerda, mas nem só, isto é mais que um arrufo entre diferentes governos com diferentes ideias, mas uma verdadeira luta pela democracia na Europa, onde pelos vistos ela já não existe.

Em 19 países, apenas 1 a Grécia parece ter democracia. Os restantes 18 não.
Isto a mim causa-me grande celeuma por diversas razões. Primeiro porque parece-me estranho que em 18 países, onde tem havido eleições desde há anos, muitos nalguns casos, sem qualquer indício de manipulação, se considere que nenhum governo foi escolhido pelo povo. E segundo porque se isso realmente é verdade então estamos fodidos porque a larga maioria vive sem real democracia, eu incluído.

quarta-feira, julho 01, 2015

É espontâneo - No trabalho

Acabou a primeira metade de 2015, começa a segunda e por isso achei por bem uma tirada mais para o cómica (espero que não seja só eu a achar-me piada).
São mais umas tiradas que eu vou dizendo, desta vez no trabalho, portanto o que está aqui é a adaptação do original em inglês.

Marius: Bruno, uma pergunta.
Bruno: Marius, uma resposta!

Holandês: Quantos anos tens?
Inglês: 43.

terça-feira, junho 30, 2015

Será ao contrário

O miúdo chora por querer limpar (à sua maneira) e nós não deixarmos. Daqui a uns anos será ao contrário, ele chora por não querer limpar e nós mandarmos.

Por outro lado, nós pais não queremos que ele ajude quando ele quer ajudar, e depois será ao contrário, vamos querer ajuda quando ele não a quer dar.

Como eu anseio pelos (espero que muitos) anos de parentalidade, multiplicados pelos outros que (espero que não muitos) virão...

É para rachar mesmo

A 30 de Março e depois novamente a 20 de Julho de 2013, escrevi aqui que a situação económico-financeira de Portugal devia rebentar duma vez por todas, para não se andasse a dar cabo do país às mijinhas.
Chegamos agora a uma outra altura equivalente e vou deixar o mesmo desejo, agora que estamos a menos de 24 horas para se decidir se "ou vai ou racha". Para mim já não vale a pena tentar ir novamente, é para rachar mesmo.

Estou a ficar farto de toda este dossier Grego, e da ameaça que paira sobre a UE devido ao Grexit e à aparente guerra entre o Bem e o Mal em que foi transformada toda esta situação.

segunda-feira, junho 29, 2015

Pai desleixado ... ou pai à Holandesa

Não me lembro se já contei esta história, mas se já conto novamente.
Logo nos primeiros tempos aqui nos Países Baixos deu para perceber imediatamente que os pais são diferentes dos pais portugueses. Por pais quero dizer ambos, pai e mãe.
Estava para pagar o estacionamento numa zona comercial e à minha frente estava uma senhora a pagar na máquina e com 2 filhos pequenos (ou seriam 3) mais ao lado à espera. Por trás da máquina era a parede de vidro que separava a área comercial do estacionamento e existiam umas barras de ferro baixas antes da parede, certamente para evitar que as pessoas batessem na parede com os carrinhos de compras. Uma das filhas da senhora tropeça nessa barra e cai de cu batendo com as costas da cabeça no vidro. A mãe apenas olhou para ela. A miúda parecia ser ter aleijado mas acima de tudo estava a ter dificuldades para se levantar por estar presa entre a parede de vidro e a barra. A mãe continuou a olhar, sem se abaixar e dizendo apenas uma frase curta que soou a "Demoras muito?".

sábado, junho 27, 2015

O efeito abacate

Certamente já ouviram falar do Efeito Borboleta, um termo dentro da Teoria do Caos que popularmente se diz que o bater das asas de uma borboleta pode mudar o rumo, ou mesmo causar, um tufão no outro lado do mundo.
Pois eu venho-vos falar do Efeito Abacate, que é algo parecido mas mais específico.

O Efeito Abacate diz-nos que quando uma rapariga come de manhã umas sandes de abacate, o dia de um rapaz conhecido vai correr mal. Qualquer coisa entre o complicado e o caótico mesmo.

quarta-feira, junho 24, 2015

E de novo o Médio Oriente

Nas minhas divagações escritas sobre os exemplos dos males dos líderes e (ir)responsáveis da sociedade actual, falei de Israel e do Hamas. Como me foquei na questão do relatório sobre o conflito mais recente, nem mencionei outra notícia que tinha visto de manhã, sobre uma nova flotilha de barcos privados que planeiam entrar em Gaza com mantimentos e medicamentos e outras coisas assim, furando o bloqueio em vigor (já já longa data) de Israel.
Sem ir confirmar na net, creio ser já a quarta tentativa, e lembro-me de outras anteriores que falharam, uma das quais onde as forças de segurança de Isreal intervieram mesmo, ao tomar alguns dos barcos de assalto tendo havido mesmo troca de tiros E isto feito em águas internacionais e mais uma violação do direito internacional, mas algo que países poderosos ou com as costas quentes fazem com alguma frequência sem que nada aconteça para além de um protesto qualquer público na ONU.

terça-feira, junho 23, 2015

Isto assim não se resolve

O Isto refere-se de forma geral a muitos dos problemas que afectam a nossa sociedade e o nosso mundo actualmente, e o assim refere-se aos líderes e responsáveis da nossa sociedade, sejam os políticos sejam os religiosos sejam os económicos; e se calhar nem é só aos líderes mas sim às pessoas, todos nós, a sociedade; e se calhar é mais do que a sociedade é toda a civilização actual.

Este meu pessimismo é consequência de várias notícias que tenho seguido nos últimos dias, mas uso apenas 3 exemplos que para mim mostram porque é que nada se resolve.

quinta-feira, junho 18, 2015

Tem muito de inspiração

Na quarta-feira passada, no meia das (re)lembranças que fiz, escrevi que o meu funcionamento podia variar entre 50% a 150% e só com essas alternâncias eu conseguia manter uma média de 100%.
Nesta semana tem sido sempre acima dos 100%, chegando pelo menos ao final do dia. É verdade, tenho feito mais do que o esperado, a nível do trabalho pelo menos e por isso que só hoje, quinta-feira de manhã consegui arranjar um tempo para vir aqui escrever.
E devido precisamente a isso o tema diverge do planeado, para se tornar numa elaboração duma ideia que me veio quando esperava o elevador num dia destes.

sexta-feira, junho 12, 2015

Summer Friday again!

Precisamente há uma semana escrevi eu que essa sexta era considerado o dia de Verão aqui por muita gente. Como é óbvio são os exageros comuns das pessoas, que adoram hipérboles e dramas, e tal como podem ler no meu texto, outros dias de Verão aparecem. São poucos e espaçados, raramente seguidos, mas não é só 1.
Aliás na semana passada a quinta-feira tinha sido excelente, apenas a temperatura do ar era supostamente baixa, mas o dia foi mais bonito até que a sexta e conheço gente que foi fazer praia na quinta. Ontem o dia esteve também muito bonito mas com temperatura máxima do ar de 23°. Hoje é que farão 28° (e mais calor noutros pontos da Holanda). E tal como na semana passada o dia está um pouco mais feio que ontem e prevêem alguma nebulosidade ao final do dia.
Aqui o calor de Verão atrai nuvens. Não se pode ter tudo.

quarta-feira, junho 10, 2015

Lembro-me como se fosse ontem

Hoje é dia 10 de Junho, o Dia de Portugal (e de Camões e das Comunidades Portuguesas) mas não vou bater muito nesta tecla. Quando estava em Portugal era só mais um feriado mas agora que estou no estrangeiro sinto um pouco mais neste dia. Até mudei as minhas fotos de perfil e capa no Facebook só para aludir ao dia. É aquela coisa, um gajo fica mais patriota quando está fora da pátria.

Mas quero falar de outras coisas, ao fazer uma viagem pela estrada da memória, que é uma tradução em cima do joelho da expressão anglófona take a trip down memory lane.

Lembro-me como se fosse ontem, até porque foi na sexta-feira passada, de quando entrei no elevador no rés-do-chão mais um colega depois do almoço. A porta fechou-se mas o elevador não saiu do sítio.

segunda-feira, junho 08, 2015

Sou um pai assim-assim

Spoiler alert para quem ainda não viu a Temporada 4 do Homeland, pois vou falar de uma cena.
No 2° episódio a Carrie está em casa a tomar conta do bebé e durante o banho a criança escorrega-lhe e fica debaixo de água. Durante uns instantes ela nada faz e olha para a filha claramente pensando em deixá-la afogar-se.

Esta cena é chocante, pois é nua e crua e toda em silêncio o que a torna mais real, mas não por ser um pai a contemplar matar um filho, coisa que se vê bastantes vezes nas notícias, mas sobretudo porque é um pensamento que passa pela nossa cabeça enquanto pais. Ou seja choca, porque já pensamos no mesmo.
Sim, eu sei que ninguém pode admitir isto, sobretudo em escrito, e vivemos numa sociedade do politicamente correctamente em que só se escreve sobre as coisas positivas, mas eu também sei que não sou o único que já teve pensamentos filicídios.