segunda-feira, janeiro 12, 2015

Conduzir ... à noite ... com chuva ... na cidade

São poucas as vezes que adorno os meus textos com imagens da minha autoria, ou das quais detenho os direitos como esta foto aqui ao lado, tirada com a minha máquina mas pela minha esposa Carolina. No entanto esta foto aplica-se quase à perfeição ao tema, pois é sobre condução nocturna em cidade, e apesar de não ser claro, nem a chuva falta, pois lembro-me que chovia na altura em que demos esta volta.

Ora bem eu adoro conduzir. E adoro fazê-lo de noite, apesar de já não aguentar muitas horas seguidas. Costumo dizer que tenho um comportamento anti-natura quando chove, pois quando a maioria das pessoas reduz a velocidade eu tenho tendência a aumentar.
Mas existe um habitat onde todas estas condições reunidas me tiram do sério: na cidade. Sobretudo aqui em Amesterdão onde é preciso ter uma visão de praticamente 360° para evitar os ciclistas, gajos das scooters, peões, os trams, e obviamente os restantes veículos automóveis.

Noutro dia dizia-me a Carolina que não gostava de conduzir à chuva na auto-estrada porque ficava-se com pouca visibilidade, mas na auto-estrada só temos de lidar com carros, motas, e veículos pesados, e só em casos excepcionais eles aparecem noutro sentido que não aquele que vamos.
Mas na cidade com a chuva e de noite é uma bosta.

As gotas de agua e humidade nos vidros revelam qualquer marca de gordura ou outra sujidade nos mesmo o que prejudica a visão. A água nas ruas projecta reflexos das diversas fontes de luz que para além de se confundirem com restante trânsito, impedem também de ver qualquer marcação nas vias e por vezes parece que vamos a andar no ar ou no vazio.
Entretanto em todos os cruzamentos (incluído rotundas e acessos a becos e estacionamentos) tenho de tomar atenção às bicicletas e scooters que se metem à frente de tudo e todos mas os vidros laterais não têm escovas por isso só vemos é muitas gotas mas discernir ao certo o que lá vem tem tanto de instinto como de bruxaria.
Continuo a andar e de repente partilho a via com os carris dos trams. Mas era por aqui que tinha de vir? Não sei porque como disse a sinalização horizontal está escondida por baixo dos reflexos na água que as cobre. Olho para o retrovisor interior para ver se vêm mais carros na mesma via e vejo várias luzes, mas quando olho pelos exteriores e tento discernir a quantos veículos correspondem os 14 pontos de luz que aparecem no espelho visto através de um vidro lateral também ele molhado, apercebo-me que afinal quem segue atrás de mim é um táxi. OK, mudo de faixa, mas não consigo reparar no pequeno degrau que separa a via dos transportes públicos da via normal dos carros. Isto porque entretanto tive de me desviar do gajo que entrega pizzas apenas porque ouvi o som da scooter e uma buzinadela doutro condutor e despoletou o reflexo.
Entretanto com tanta concentração em identificar o que é carro e o que é iluminação pública no meio de tanto reflexo, enquanto tento descortinar lugares vagos para estacionar o carro um pouco mais à frente no meio de tantas luzes vermelhas, tenho de travar porque os passageiros que saltaram fora do tram parado mesmo ao meu lado esquerdo decidem sair por trás da estrutura da paragem a correr para o meio da estrada porque querem procurar abrigo da chuva o mais rápido possível.
E ainda assim lá consigo seguir caminho, sem atropelar ninguém, nem mandar uma bicicleta ao chão, e também muito importante, sem molhar os transeuntes quando o carro passa por cima das poças.

Agora só preciso de saber como me desviar a tempo porque no meio de tanta atenção com os outros em meu redor, não reparei que estão 2 luzes ali à frente a bater-me máximos e que não se pode desviar porque é um tram que vai sobre carris!
Se este texto for publicado é porque escapei por um triz...

França, Nigéria e o diferente mediatismo

Por um lado gostaria de escrever sobre outros temas e ir voltando de quando em quando a este que vai ser assunto dominante durante algumas semanas (digo eu),  mas por outro vão sempre aparecendo assuntos relacionados que despoletam em mim o processo dissertativo quase de imediato. Se estiver no computador com disponibilidade para escrever, começo logo a fazê-lo.

Várias pessoas têm-se questionado, e questionado os outros até, do porquê dos ataques de Paris desta semana originarem tanta mobilização a nível mundial, e ao mesmo tempo ataques do Boko Haram na Nigéria, sendo os ataques à bomba com meninas suicidas e o ataque total à cidade de Baga os acontecimentos desta semana, passarem para segundo ou terceiro plano.
É uma pergunta que faz muita lógica. Em Paris morreram ao todo 18 pessoas (descobriu-se que uma morte isolada na quarta-feira foi perpetuada pelo atirador de Montrouge e Porte de Vincennes), só no ataque bombista no mercado morreram 20 pessoas. O número de feridos é bem diferente. E o ataque bombista ao mercado foi com recurso a uma menina de 10 anos, certamente obrigada a isto, e quem sabe se não era uma das meninas raptadas pelo Boko Haram e que gerou a onda do #BringBackOurGirls.

Pode parecer indiferença; pode parecer hipocrisia do mundo ocidental e rico que só se interesse por tragédias no seu próprio quintal; ou simplesmente é o que é porque apesar de tudo existem diferenças entre os ataques em França, na Nigéria e mesmo os outros que vão acontecendo quase diariamente pelo resto do mundo. E essas diferenças explicam em parte o diferente tratamento.

Quando procurava uma imagem para acompanhar este post, encontrei este artigo no site da revista americana The Atlantic que aponta 2 diferenças. Listo aqui para quem não percebe bem o inglês, que são a falta de cobertura apropriada pelos media e o tratamento dado pelo próprio Governo da Nigéria ao Boko Haram que tem agido quase impunemente em partes do país e que até chega a ser ignorado em discursos de campanha pois a Nigéria vai a votos daqui a 1 mês.
O mesmo artigo menciona que o mundo não ignora propriamente essa zona do mundo pois gerou-se a onda do #BringBackOurGirls a uma escala nunca antes vista e, acrescento eu, essa onde foi muito maior do que a #JeSuisCharlie, mas também mais lenta a arrancar e mais duradoura.

Mas no meu entender há mais diferenças/justificações: o próprio facto de na Nigéria, como na Síria, Iraque e Afeganistão existir um confronto aberto, uma guerra civil mesmo, envolvendo vários grupos, já desde há alguns anos. Isso vulgariza as tragédias que acontecem nesses países. Ao fim de algum tempo já ninguém considera notícia mortes no Médio Oriente, explosões na Palestina, trocas de tiros no Leste da Ucrânia, execuções de pessoas no norte do México. Torna-se tão vulgar como noticiar um acidente de viação com vitimas mortais; choca algumas pessoas, mas ninguém pára para reflectir sobre a coisa, no máximo abranda um pouco.

Para nós ocidentais, já se tornou habitual as tragédias nesses sítios. Quantos de nós não pensa quando se ouve noticias de mortes, ataques e confrontos em África ou Médio-Oriente "Lá estão aqueles gajos a matar-se outra vez. Andam sempre nisto."?

Mas quando acontece uma tragédia, um ataque terrorista mais perto de casa, em países onde se vive uma vida pacífica e normal com poucos acontecimentos desta natureza, isto choca mais e mobiliza a sociedade. Ajuda também o facto de quase no imediato e mesmo em directo estes acontecimentos entraram nos nossos olhos e ouvidos por um sem fim de meios, como os tradicionais media, e a Internet nomeadamente as redes sociais. O facto de vermos em vídeo, pouco tempo depois de ter acontecido, a execução do polícia Ahmed num passeio de rua em Paris, é como um soco directo que nos atinge com uma violência grande, pois apercebemos-nos mais facilmente que podia acontecer connosco. Paris é logo aqui ao lado!
Mas eu não tenho duvidas que se em França durante uns meses existirem ataques similares de quando em quando, os últimos a acontecer serão tratados quase como um fait accompli, recebendo o mesmo nível de atenção e mobilização pelo resto do mundo, como os ataques recentes da Nigéria.

E ao mesmo tempo que nos queixamos que ninguém fala da Nigéria, já "nos esquecemos" também dos ataques dos talibans à escola no Paquistão (pelo menos 141 mortos grande maioria crianças) que até já foi no ano passado. E já nos esquecemos da situação (que é ainda) de guerra civil no Leste da Ucrânia.
Como humanos que somos, temos quase todos as mesmas falhas e somos também influenciados pelos acontecimentos do agora e do que se fala nos media e pela Internet. Não nos esqueçamos disso.

Concluindo: sim é injusto que o mundo apenas se revolte com estes atentados quando crimes bem maiores acontecem no resto do mundo que apenas têm direito a um pensamento e uma nota de rodapé. Mas é compreensível que os casos sejam tratados diferentes, porque sendo iguais na essência, são diferentes no resto.

domingo, janeiro 11, 2015

"Voltem para casa se não gostam de aqui estar"

Parece que ainda impera uma certa ideia que o semanário Charlie Hebdo apenas satirizava o Islamismo e por outro lado tinha medo de o fazer com o Judaísmo por causa das acusações de anti-semitismo, que a bem de verdade, surgem muito rapidamente de vários sectores da sociedade quando alguém se vira contra os judeus. Comprova-se é que ninguém se chateia com a sátira ao Catolicismo...
Mas não é bem sobre isto que quero dissertar, isto foi só para começar com polémica.

Uma vez que estou a ver o directo da Marcha Republicana em Paris transmitida pela TV5 Monde, mas imagens da France 2 (canal público francês), é indicado voltar a dissertar sobre temas relacionados que surgiram na sequência dos ataques em Paris desta semana.

Foram perpetuados por franceses, de origem estrangeira. Aparentemente ligados a grupo(s) dito perigoso(s), composto(s) sobretudo por outros franceses de origem estrangeira.
De certa forma é chocante ver pessoas que cresceram e vivem numa sociedade ocidental democrática e livre, mesmo com todos os seus defeitos, virarem-se contra os próprios países. Não é só de agora, basta ver os milhares de europeus que se juntaram às fileiras do Estado Islâmico, trocando uma vida que nos parece boa por outra de violência, intolerância e extremismo.
Perante isto muitas pessoas afirmam, e com uma certa razão, que se as comunidades estrangeiras na Europa não gostam nem concordam com a vida e valores de cá, que regressem aos seus países.
Como disse, é um argumento válido mas que falha um aspecto importante: a maior parte dos jovens que se juntam a grupos extremistas e se viram contra os valores europeus e ocidentais não são realmente estrangeiros. O problema é que não são estrangeiros nem europeus. Na verdade, e sobretudo para eles próprios, não são ninguém.

Eu noto isso pela minha própria experiência, filho de emigrantes em França, e pelo que vejo da familiares meus que estão noutros países, assim como o que vejo aqui na Holanda.
Os 3 implicados nos ataques desta semana eram todos franceses. Sim, a sua origem era em África (Argélia e Mali) mas eles eram nascidos e criados em França. No entanto os seus pais não são franceses (julgo eu) e como muitos outros que eu vejo, apesar de crescerem em França e estudarem no ensino francês, eles deverão ter crescido, como muitos outros, numa comunidade que se considera ainda argelina ou mali ou outra coisa qualquer menos francesa!

Até os filhos de emigrantes portugueses não são nem franceses nem portugueses. Nascem em França mas são filhos de estrangeiros. Crescem, educam e vivem como qualquer outro francês, mas têm sempre o estigma de serem estrangeiros. No entanto de Portugal conhecem apenas as férias, a língua e às vezes nem isso, os familiares distantes, o futebol e com sorte parte da cultura. Conhecem também o símbolo da Federação Portuguesa de Futebol que parecem confundir com o Escudo de Portugal presente na bandeira...
Mas os portugueses e seus filhos são europeus. Partilham muitas coisas em comum com os franceses e integram-se muito bem. Desde há algumas décadas estamos todos unidos na mesma entidade europeia e agora até partilhamos a mesma moeda.
Por isso um franco-português é só uma curiosidade.

Mas aqueles que têm outra cor, outra religião e vêm de outro continente ou qualquer lugar mais distante e diferente, carregam sempre esse estigma praticamente a vida toda. Mesmo passados tantos anos ainda não são vistos como franceses. Mesmo que já o sejam à varias gerações!
Só os bem sucedidos, como os ricos, desportistas, políticos, etc, são vistos como franceses de pleno direito.
Os Kouachi e Coulabily são aqueles que não têm pátria. Por isso são presas fáceis dos radicais que os convencem que eles têm de destruir a casa actual e construir uma nova à imagem deles (deles dos radicais). Isto pelo menos até eles se aperceberem que não podem fumar cigarros ou cenas, ver fotos de gajas nuas, sacar músicas no iTunes ou usar roupas e calçado de marcas ocidentais porque é tudo proibido...

Portanto mandar os jovens que se radicalizam de volta para casa não é solução. Eles não têm casa para voltar, e o país onde estão é a coisa mais próxima de casa que na realidade têm.
A solução passa por fazer da Europa, dos seus valores e ideias, a sua verdadeira casa.
Mas como se faz isto? Eu sinceramente não sei e acho que só o tempo vai resolver este problema.
Mas ainda muitos conflitos vão haver e muito sangue inocente vai jorrar até o equilibro aparecer, e os interesses obscuros que manipulam as peças nos bastidores perderem poder.
Mas depois outro qualquer problema social vai aparecer para trazer este tipo de conflitos de volta à Europa ou a outra parte do mundo.

PS - Como comecei a escrever isto antes das 16:00 e estou a acabar às 19:00, devido às interrupções típicas de quem tem filhos pequenos, parece-me que a qualidade do texto decaiu ao longo dos parágrafos pois os pensamentos "brilhantes" que surgiram ao reflectir nestas vicissitudes duma vida actual na Europa destes tempos foram-se esbatendo ao bater do teclado...

Gustavo Santos e Ana Gomes e o direito à idiotice

Comecei a pensar neste texto logo depois de publicar a dissertação anterior pois foi-me surgindo enquanto tomava duche e quando acabei fui escrever o rascunho com os pontos principais. Entretanto já apareceram textos públicos de celebridades maiores que eu que abordam o mesmo tema, portanto ainda sou capaz de ser acusado de plágio. Que assim seja, têm direito a o fazer e me insultar até, sob o risco de receberem um insulto ainda pior de volta.

Sobre o que escreveu Gustavo Santos já quase toda a gente deve saber. Muita gente criticou e até apareceu a hashtag #GustavoVaiProCaralho por não concordarem com o que ele disse. Para mim ele disse uma idiotice, não tão grave como pode parecer pois realmente ele não afirmou que os cartoonistas mereceram o ataque, mas por insinuar que estas coisas acontecem quando se abusa das sátiras. Para mim a idiotice é não perceber que afirmar que as pessoas têm de se conter no que dizem pois vão existir represálias é aceitar pressões externas, neste caso vindo do terrorismo que nos verga pela imposição do medo, e por outro lado dar a entender que temos de ser todos insossos e politicamente correctos quando se fala de alguma coisa para não ofender ninguém pois isso é mau.

Mas teve outra personagem que disse uma coisa ainda mais idiota, e pelos vistos passou bem mais incógnita pois só vi uma publicação no Facebook sobre ela. Foi a Ana Gomes, euro-deputada socialista, que disse que os ataques eram também resultado do excesso de austeridade (é isso que quer dizer austerismo) na Europa! Sim, a austeridade pode criar cisões na sociedade e levar a actos de revolta, mas estes actos terroristas não me parece. Cara Ana Gomes, estes ataques foram em França onde temos um Governo Socialista no poder cujo presidente queria romper com a tal austeridade e implementar políticas de crescimento.
Depois se a austeridade fosse realmente uma causa possível e factor relevante para levar alguém a cometer estas barbaridades porque é que não houve algo similar quando lá estava o Sarkozy a fazer austeridade com força e a gerar mais divisão social? E porque é que algo parecido não aconteceu ainda na Grécia, Portugal Espanha ou Itália, países que parecem ter sido bem mais afectados do que a França?
Acho que a Ana Gomes quis logo fazer um aproveitamento político de um acto terrorista com ligações extra-europeias, perdendo uma boa oportunidade para ficar calada e demonstrando outra grande idiotice.

Mas o ponto fulcral de toda a recente discussão está mesmo aqui. Apesar de achar idiotas os textos do Gustavo Santos e da Ana Gomes, respeito o direito que eles têm a dar a sua opinião. Aliás se não a dessem não tínhamos coisas para criticar a até insultar. E eles podem responder, com todo o direito, a nós que os atacamos. Podem até mesmo levar o caso à justiça se assim o quiserem.
E é mesmo assim que deve ser e se procede numa sociedade de direito, livre e democrática.

Eu tenho algumas máximas, ou dizeres, pelos quais me rejo a maioria do tempo:
  - Respeitinho (por mim e outros) é bom e eu gosto;
  - A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro.
Mas por outro lado
  - Nada é tabu nem imune à piada;
  - Do mesmo modo que perguntar não ofende, não nos devemos ofender pela resposta;
  - As opiniões são como as vaginas, cada um tem a(s) sua(s) e dá-la(s) como bem entender.

Sei que nem toda a gente segue as mesmas regras, mas acho que é bom que vivamos numa sociedade onde podemos seguir (certas) regras diferentes e mesmo assim conviver. Certo que de vez em quando a malta chateia-se e outros metem gente em tribunal por difamação ou agressão verbal. É mesmo assim que funciona e assim deve continuar a ser.

Só um outro apontamento: Tenho notado agora que a coisa arrefeceu o aparecimento de vários textos críticos em relação à onda do #JeSuisCharlie e todas as suas variantes. Tem razão quem diz que não somos todos Charlies. Não sei se tem razão em dizer que muitos são hipócritas ao utilizar estas palavras. Acho que estes críticos estão-se a esquecer que a utilização da imagem e destas palavras é também, e digo mesmo é sobretudo, uma forma demonstrar a sua tristeza pelo ataque e solidariedade e apoio às vitimas e pessoal relacionadas. Da mesma forma que o mundo inteiro escreveu #BringBackOurGirls sem que no entanto fossem pais ou familiares das raparigas sequestradas pelo Boko Haram, nem sequer ponderar ir até à Nigéria e ir buscar as raparigas.
Outros terão também usado a hashtag para dar visibilidade aos seus textos, tal como eu notei ao usar esta hashtag tão em voga, e ter de repente mais seguidores e twits re-twitados em poucos dias depois de anos quase no anonimato no Twitter...
Mas sim, também há aqueles que empunharam as palavras apenas para ter aproveitamento e fazer campanha política. Tal como a Ana Gomes tentou sugerir que com as suas políticas de crescimento, estes atentados não aconteceriam...

PS - Quem está a ler é livre de concordar com o Gustavo Santos e a Ana Gomes e eu sou livre de continuar a achar uma idiotice.

sábado, janeiro 10, 2015

A ausência da coerencia de todos nós

Todo este tema dos ataques em Paris tiveram um impacto um pouco maior do que o costume em mim. Como escrevi por ser 1/3 francês e por achar que a França, com a sua maior comunidade muçulmana na Europa, a sua diversidade e sociedade multi-cultural, e enfrentado já problemas étnicos desde há alguns anos, seria o exemplo do futuro da Europa depois de encontrar o equilíbrio semi-perfeito.

Não sei se algum dia chegarei a dissertar sobre isto, pois vários pensamentos já me passaram pela cabeça, já escrevi várias coisas do momento, seja aqui, no Facebook, em comentários a outros blogs e pelo Twitter que se tornou o principal meio de partilhar pensamentos e notícias.

No entanto quero apenas dissertar rapidamente sobre os comentários que tem surgido por todo o lado, e até o que eu tenho constatado e pensado por mim, pois sou por vezes tão incoerente como os outros.

A Carolina ontem disse-me que estava a seguir pela CNN e que era uma maluqueira porque eles só falavam que nos EUA nunca aconteceria isto porque os gajos já eram conhecidos dos serviços de vigilância, enfim o paleio do costume. Parece que os americanos se esqueceram dos irmãos Tsarnaev que fizeram o ataque da maratona de Boston. É certo que esses irmãos era muito mais low profile, mas estavam também referenciados, pelo menos o mais velho, nos serviços de vigilância.

Uma das coisas que mim me chocou é que 2 dos 3 supostos terroristas (terroristas porque espalharam o terror e não por serem necessariamente afiliados de organizações ditas terroristas) já terem estado presos precisamente por ligações a conhecidos, e condenados, terroristas. Li escrito no Le Figaro que o Amedy Coulibaly, de origem mali, que já tinha estado preso e tentou fugir em 2010, foi condenado em 2013 a 5 anos de cadeia. Curiosamente pouco mais de 1 ano e estava cá fora a matar pessoas. Bonito né? E as pessoas perguntam-se, incluindo eu, como é possível isto? Mas por outro lado, muitas outras vezes, às vezes as mesmas pessoas de agora, queixam-se que se vive num estado repressivo e policial e se prende demasiadas pessoas. Portanto Amedy Coulibaly estar cá fora e ter acesso a armas e continuar em contacto com outros malucos como ele, é normal e apenas o reflexo duma sociedade que acha que não se deve punir. Mas depois a mesma queixa-se que se pune pouco, quando as coisas correm para o torto. Tipo como o caso do juiz que mete um assaltante de carros 4 dias consecutivos cá fora apenas com termo de identidade e residência até que o mesmo assaltante, ironia do destino ou justiça celestial, rouba o carro do próprio juiz à saída do próprio tribunal (aconteceu em Aveiro)!

Temos também o caso das pessoas acharem que existe muita pressão sobre os media, e falta de verdadeira liberdade de expressão pois alguém que fale contra o poder estabelecido arrisca-se a perder o emprego ou a ser alvo de investigações e ameaças, mas depois quando 2 palermas levam essas ameaças por diante, muitas das mesmas pessoas já acham que tem de se ter cuidado no que se diz e que não se pode ofender certas entidades ou grupos.
Ao mesmo tempo que se pede liberdade diversas vezes ao longo do ano, estamos dispostos a abdicar de parte dela e ficar caladinhos e quietinhos em relação a certos temas dito polémicos, com medo de sofrer represálias. É esta a verdadeira vitória do terrorismo; basta nos impor o medo e com ele conseguir vergar as pessoas de bem.

E o reverso da medalha de todos estes ataques é que volta novamente a ganhar força as ideias que tudo tem de ser escrutinado e controlado. Falo mais especificamente nas comunicações, incluindo a Internet, e até mesmo da vida privada das pessoas. Já existe um abuso na monitorização das vidas privadas de certas pessoas, e muitos de nós sabemos disso e falamos sobre e contra isso, mas agora, como houve merda, lá vêm os "vira-casacas", que só andam ao sabor da maré, dizer que é preciso controlar, vigiar e escrutinar ainda mais.
Mas os mesmos que agora dizem isso, estarão daqui a uns meses a brandir aos céus a sua revolta por terem de demorar ainda mais tempo a passar a segurança nos aeroportos, que o Google e o Facebook controlam tudo e sabem tudo, e que os Governos estão a ser cada vez mais um Big Brother e ninguém é realmente livre...

Termino com o pensamento que me surgiu logo que li os primeiros relatos que os assassinos gritaram Allāhu Akbar quando atacaram a redacção do Charlie Hebdo.
É conveniente e simples que os atacantes sejam extremistas islâmicos. Da mesma forma que é natural em muitas cidades que um vulgar assaltante seja um negro. Mas o que pensei mesmo é que iriam surgir em pouco tempo as típicas teorias da conspiração que estes actos, tal como os 2 voos da Malaysia Airlines, tal como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico (ISIS), tal como o conflito na Ucrânia, são obra dos Americanos e Judeus (Israel). No caso da Al-Qaeda e do ISIS é verdade até certo ponto. Mas continuando, já era de esperar essas teorias. E na realidade têm pontos válidos, como o conveniente que foi um dos irmãos ter deixado o seu cartão de identidade no carro, eles terem sido cordiais com as pessoas que assaltaram e terem deixado instruções claras para dizerem aos media que eram da Al-Qaeda do Yemen, e como os 3 entraram em contacto com a BFM para repetirem a mesma mensagem, apesar do gajo na Porte de Vincennes dizer que era do Estado Islâmico. E depois são os 3 mortos para que não haja azo a negações e contradições durante o interrogatório (e mais tarde julgamento).
É tudo verdade e verosímil, mas não podemos deixar de notar que num caso como este as autoridades conseguem encontrar muitos indícios e existem várias testemunhas e vitimas que deram declarações. Todas estas pessoas tiveram de ser compradas e se o golpe é dos Americanos, temos de ter franceses e muitos deles críticos do poder, a fazer o joguinho de estrangeiros e do poder estabelecido.
Não se esqueçam que os membros do Charlie Hebdo já criticavam tudo e todos e duvido seriamente que os sobreviventes agora vão ficar calados e pactuar na maior com uma conspiração internacional.

Costuma se dizer que a explicação mais simples e que responde melhor a uma questão é, na grande maioria dos casos, a correcta. É fácil e é conveniente para muitos interesses, mas acredito por enquanto que os principais responsáveis por estes ataques foram os 3 palhaços mais os que os suportavam e influenciaram. Que há interesses maiores e obscuros por detrás de tudo isto, também não tenho dúvidas nenhumas.

O pior disto tudo foram as 17 vítimas mortais, os 12 no ataque ao Charlie Hebdo, a polícia municipal em Montrouge no dia seguinte e ontem as 4 no super-mercado kosher na Porte de Vincennes.
Paz à sua alma e que as suas mortes não sejam em vão e sejam infelizmente um passo triste na direcção correcta que é a vivência cordial e pacífica entre credos, etnias, raças e classes.
Mas até lá chegarmos vão continuar a haver mais vitimas, como continuaram durante estes dias na Nigéria, Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia e tantos outros países onde as pessoas matam pessoas porque ainda não evoluímos o suficiente.

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Carta aberta a 2 palermas

Ola palermas homicidas,

Ainda não sei quem são vocês, mas tenho agora quase a certeza absoluta que são sobretudo 2. Falou-se em 3 e mais pessoas poderão estar envolvidas, mas as imagens, vídeos, testemunhos e outros relatórios claramente apontam para 2 burgessos que se armaram em Rambo ou em Expendables mas na vez de entreterem o pessoal, como esses filmes, entretiveram-se vocês a meter balas em perto de 2 dúzias de seres humanos, tendo morto metade eles.

Cabrões, filhos da puta. Como disse o meu pai, deviam pegar na AK-47, ou na bazuca que é maior, que vocês usaram contra os outros, e enfia-las pelo cu acima, o mais que puder. E depois disparar as mesmas a ver se gostam.

Cabrões, filhos da puta, suas bestas. vocês acham que mataram o Charlie Hebdo como berraram na rua, tipo vacas com cio? Mataram é o caralho! O que vocês mataram foi pessoas, pelo menos uma delas um outro seguidor do mesmo Profeta e do mesmo Deus a quem vocês bradaram, que defendia a liberdade dos outros, enquanto lhe enfiavam uma bala na cabeça a sangue frio quando o coitado se encontrava ferido no chão. Essa choca mais porque foi filmada, mas de acordo com testemunhos fizeram o mesmo dentro da redacção, chamando uma pessoa de cada vez e executando-a.

Cabrões, filhos da puta, suas bestas do caralho, imbecis da merda. O que vocês ajudaram a matar é a tolerância religiosa (entre outras) e mataram um pouco mais da convivência ente povos diferentes. "Olho por olho, dente por dente" dizem muitos textos religiosos, e temo que muita gente comece a seguir cada vez mais esta ideia.

2 nomes foram dados pelas autoridades. Não sei se são realmente vocês, os grandessíssimos animais anormais que tiveram esta brilhante ideia de bosta de ir matar uns cartoonistas satíricos e outros. Eu gostava que vocês fossem apanhados vivos, que se ouvisse bem a vossa história para se perceber melhor tudo o que passou pela vossa cabeça oca cheia de ódio. Mas acho que vocês, seus cabrões, vão se ver encurralados e entre gritos de Allāhu Akbar vão acabar por se matar (indirectamente), num tiroteio com as autoridades.
Por outro lado era giro que fugissem (novamente) para a Síria ou Iraque, e andassem lá com os outros estúpidos como vocês, porque mais tarde ou mais cedo, ou iriam fumar um cigarrito ou ver umas fotos de gajas nuas e depois cortavam-se-lhes a cabeça porque lá, apesar de toda a gente adorar o Profeta, ainda há menos liberdade do que aquela que vocês querem impor.

Cabrões, filhos da puta, suas bestas do caralho, imbecis de merda, anormais e animais escumalha. Palermas estúpidos. Vocês já "morreram", não há lugar para vocês na sociedade de hoje. Vocês parecem ser cada vez mais mas o dia do ajuste de contas chegará e as vossas ideias e supostas ideologias irão morrer. Mas não o Charlie Hebdo e tudo o que ele representa...

Cabrões, filhos da puta, suas bestas do caralho, imbecis de merda, anormais e animais escumalha. Palermas estúpidos.

Assinado,
Bruno #JeSuisCharlie BaKano

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Je suis Charlie (Hebdo)


Aconteceu esta manhã, ainda não se sabe bem o que foi, mas obviamente e devido a todas as circunstâncias e aparentes provas circunstanciais já recolhidas, terá sido um atentado terrorista, quer dizer que foi um acto terrorista não temos qualquer dúvida, para retaliar os vários cartoons satíricos que o Charlie Hebdo publicou ao longo de muitos anos, nomeadamente os que visavam o fanatismo islâmico.

A seu tempo este acto selvagem e mesquinho será reflectido com mais ponderação, apenas queria deixar umas palavras do porquê este acontecimento marcar-me seriamente, mais do que outros que aconteceram.

Eu nasci em França, na região de Paris. Os meus pais ainda moram na região parisiense. Apesar de criado e educado em Portugal sempre senti grande proximidade e afinidade com a minha terra natal. Considero a França como a minha segunda pátria (a Holanda é a minha segunda casa). Devo por exemplo ao ter nascido em França e a proximidade com o país o meu actual emprego (conhecimento do Francês). Considero que da França já saíram coisas muito boas para o resto do Mundo, e apesar de todos os defeitos dos franceses continua a ser um dos pilares fundamentais da união europeia (em minúsculas porque não queria confundir com a UE).
Este ataque e homicídio bárbaro deixou-me muito sentido, também porque é um ataque à comédia e à critica social, que o Charlie Hebdo representa e que tanto eu gosto de ler e mesmo de fazer.

Por todas estas razões: aujourd'hui Je Suis Charlie!

terça-feira, janeiro 06, 2015

Afinal é preciso ter super-poderes no mundo financeiro

Os depoimentos na Comissão de Inquérito ao BES das pessoas envolvidas no Banco e no Grupo chegam a ser hilariantes.
Não fosse a situação ser séria e prejudicial para quem lá trabalha, os clientes, as empresas com quem tinha negócios e até mesmo os portugueses que arriscam-se a ter que financiar esta trapalhada toda, isto que estamos a assistir dava para fazer uma comédia, ou vários espectáculos de stand-up comedy.

Hoje ficou-se a saber que para realmente se poder trabalhar no mundo financeiro, tem de se ser bruxo. Portanto é preciso ter super-poderes. É curioso que muitos administradores e gestores quase que afirmam tê-los quando é hora de pedir honorários ou vangloriarem-se dos bons resultados obtidos, mas quando algo está a correr mal, eles ganham o poder da ignorância ou invisibilidade, e depois quando arrebenta e vem à tona que está tudo f*dido, afirmam que nada poderiam fazer pois, e citando o contabilista do grupo, "não sou bruxo, não podia adivinhar o que se passava"!

Esta é só mais uma frase no meio de tantas outras similares, onde os mandantes do Banco e Grupo afirmam que não podiam prever o que aconteceu, que nada sabiam dos problemas ou que tal como todo o resto do mundo, tinham confiança plena, e cega, em Ricardo Salgado.
Como um deputado da comissão já se queixou, ninguém assume responsabilidade de nada. Quer dizer, o gajo do BES-Angola assumiu, portanto ao menos tem isso a seu favor, mas parece-me que só depois da derrocada é que assume erros.

A coisa mais fantástica que retiro de toda esta situação é que estes grandes gestores e empresários, que quando tudo corre bem chamam a si os louros todos, pagam-se à grande e à francesa e ainda gostam de mandar recados a outros, afinal assumem a sua incompetência nestas alturas.
Era bom que os accionistas, aqueles que realmente são empreendedores e querem que o negócio corra bem e dure muito tempo, se lembrem disto para no futuro manter os administradores e gestores que eles nomeiam com rédea mais curta e não lhes dar mundos e fundos mais carta branca.
Ou então que arranjem alguém com verdadeiros super-poderes, e não apenas alguém que afirma tê-los.

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Fascina-me mas já não tenho pachorra

Diz-nos a Porto Editora que política é a "ciência ou arte de governar". Como acredito na ciência, gosto de artes e sei que todos nós temos que nos governar, a política fascina-me.
Ainda para mais quando política é também "conjunto dos princípios e dos objectivos que servem de guia a tomadas de decisão e que fornecem a base da planificação de actividades em determinado domínio". Ora como o nosso dia-a-dia requer planificar actividades e tomar decisões, precisamos de uma política.

No entanto nos dias de hoje nós associamos Política (com P maiúsculo) sobretudo a "orientação administrativa de um governo" e "princípios directores da acção de um governo". E na realidade para muitos de nós, Política confunde-se com Sistema Político, e isso nem se pode sequer considerar um erro. É o que é.

Das coisas mais caricatas são 2 sentidos figurados que atribuímos a política. Ela é a "habilidade para lidar com qualquer assunto de forma a se obter o que se deseja", uma estratégia e uma táctica para esse efeito. É também sinónimo de "astúcia, esperteza e maquiavelismo" e temos de ler estes 3 juntos, para se compreender que não é propriamente uma (boa) qualidade.

É precisamente o casamento entre o Sistema Político com estes 2 sentidos figurados que damos ao termo, que faz com que não acha pachorra para a política da actualidade.
E isto praticamente a nível mundial, apesar do exemplo português ser o que melhor conheço, ou julgo que conheço.

Como já tantas vezes disse, ou escrevi, anteriormente, certos partidos e sistemas são para mim agora obsoletos e custa-me entender como ainda existem, tal como o Comunismo em geral sobretudo o Estalinista. Mas quando vejo o panorama político nacional e as coisas que dizem e fazem, só me apetece esganar toda a gente.

Os Socialistas tiram-me do sério com aquela mania deles, de serem os únicos que têm direito à democracia e o diabo a quatro.
O Mário Soares que conseguiu proibir o lançamento de um livro que descrevia podres seus e da sua família, berra quase sempre desde que o PSD e o CDS/PP chegaram ao Governo, que há défice democrático. E agora com a prisão preventiva de um dos seus, até põe em causa a mesma Justiça que tão bem lhe, e lhes, serviu no passado.
O Sócrates, cujo governo foi dos piores a manipular e pressionar os media, exercendo o seu controlo sobre várias empresas do sector; que ficava escandalizado quando se pedia a demissão de um membro do Executivo que fazia, ou dizia, merda da grossa; agora dispara em todas as direcções e faz-se de pobre coitado.

Mas não ficamos por aqui.
O Paulo Portas, praticamente a única cara do CDS/PP é aquela víbora que já muito critiquei.
Este PSD do Passos Coelho parece ser mais sério nestes tempos, porque está no Governo, mas está carregado de velhas glórias, daquelas que estiveram envolvidas em assassinatos dos próprio líderes (Camarate), que iniciaram o processo de asfaltar e cimentar o país de Norte e Sul, que foram pioneiros na promiscuidade entre negócios públicos e parcerias privadas e instauraram o esquema dos "jobs for the boys" (que o Partido Socialista tão bem assimilou e passou para o nível seguinte).

Dos partidos com representação parlamentar, resta Os Verdes mas esses estão sempre coligados com os Comunistas por isso é para esquecer, e o Bloco é um partido a desintegrar-se e apesar de ser importante que exista para trazer certas discussões e verdades à ribalta, é aquela chamada esquerda caviar que é muita muita parra, mas pouca pouca uva.

Verdade é que existem, ou existiram, partidos de gente que ainda não tiveram oportunidade para mostrar o que valem (ou não valem), gente que é aparentemente decente e discursos e programas interessantes, sem se poder designar como sendo de direita ou de esquerda, liberais ou conservadores, ou outra qualquer etiqueta. Mas a malta não parece lhes querer dar o benefício da dúvida e portanto esses gajos tendem a desaparecer.
E não estou a falar de um Marinho Pinto, para que fique esclarecido.

E é por isto que mesmo tendo fascínio pela política e como funcionam essas coisas, começo a não ter pachorra para acompanhar, comentar ou tentar fazer algo (muito pouco eu sei) a este respeito.
A imagem que escolhi é enganadora mas é um exemplo dos exemplos que a política mundial, não só a portuguesa, nos dão.
Apesar da notícia sobre o fim da ajuda aos sem-abrigo ser devido ao subir das temperaturas, o que leva à desactivação do plano de ajuda especial, é muito irónico que o Facebook sugira como notícia relacionada, logo por baixo, as doações da Câmara à Fundação Mário Soares. Mas temos casos em que uma entidade corta ajudas sociais a desfavorecidos mas ao mesmo tempo gasta dinheiro noutras coisas de interesse duvidoso.
E isto pode dar-se com o PS, com o PSD e com o CDS/PP, e até mesmo qualquer outro partido mais pequeno ou mais ideólogo! Exemplos disto não faltarão e eu até sei de uns poucos.

Como diz uma das definições da Porto Editora, política é a habilidade para lidar com qualquer coisa de forma a se obter aquilo que se deseja. Podem continuar a dizer que é uma coisa nobre e se serve o país e os cidadãos. Idealmente concordo, e por isso até gostava de ser político, mas é tudo conversa da treta e portanto há cada vez menos pachorra para isto.

domingo, janeiro 04, 2015

Estrela cadente

Acabou de acontecer por isso nem leva a imagem a acompanhar pois vai ser "uma rapidinha".

Ele: Ui, uma estrela cadente!
Ela: Pede o EuroMilhões, c*r*lho!
Ele: F*da-se! P*ta que pariu!
Ele (a pensar pra dentro, talvez em voz alta): EUROMILHÕES, EUROMILHÕES!
Ela: Se ainda não tinhas pedido nada, conta!

Portanto terça-feira vamos ser milionários ou excêntricos ou lá o c*r*lho...

sábado, janeiro 03, 2015

Jardim Suspenso da Madeira

Tão preocupados andamos nós com o final do ano, as festas ou o desastre do voo AirAsia QZ8501 que quase parece que este acontecimento histórico passou despercebido.

Alberto João Jardim deixou de ser o líder do PSD-Madeira, e como já tinha anunciado no início de Dezembro, vai deixar de ser o líder do Governo Regional a 12 de Janeiro.
Eu estava convencido que o João Jardim sempre tinha mandando lá na Madeira, mas afinal ele foi apenas o 2° Presidente do Governo Regional. Antes dele houve outro, por 2 anos, que "reinou" de 1976 a 1978. Em 78 foi quando João Jardim assumiu o cargo.

Apesar de ter havido um antecessor, João Jardim mandou durante todos os mandatos do Governo Regional pois assumiu a presidência a meio do primeiro mandato. E venceu 9 eleições regionais.
Depois de quase 37 anos a governar a Madeira como se fosse o seu próprio quintal (apesar de ele ser Jardim) sai finalmente.

Pessoalmente, tinha-me escapado completamente a notícia que ele se tinha já demitido da presidência do PSD-Madeira, ou que não se ia recandidatar novamente. Só soube mesmo que ele estava de saída ao ler a notícia de quem era o novo presidente do partido regional.
Isto é uma marco importante na história política de Portugal, sobretudo da Madeira. Os Portugueses e sobretudo os Madeirenses nem devem saber o que é não ter o João Jardim a mandar por lá e a mandar bitaites constantes para a malta do "Contenante".

O novo líder, e que a 12 de Janeiro deverá assumir o cargo de Presidente do Governo Regional caso o Representante da Republica não dissolva a Assembleia Regional e convoque eleições antecipadas, de seu nome Miguel Albuquerque, já veio dizer publicamente que "não é aos berros que se defende os interesses da Madeira".
Pelos vistos o homem quer cortar com o Jardinismo, mas os opositores afirmam que ele é da mesma escola. O que aliás era de esperar pois se Jardim foi rei e senhor do PSD-M e da Madeira estes anos todos, não parece fazer grande sentido que os membros do partido escolhessem outro que não um sucessor já designado do anterior rei (o Jardim era o Verdadeiro Rei do Carnaval e espero que o Miguel Albuquerque assuma esse lugar também já este Fevereiro).

Por isso apesar de Alberto João sair de cena, eu continuo a pensar que ficará a controlar nos bastidores. Pelo menos a sombra de Jardim pairará sobre os novos dirigentes e por todo os Madeirenses.
Por isso é que o título deste post é Jardim Suspenso da Madeira.
Tal como a Maravilha do Mundo Antigo, Alberto João, que é um dinossauro da política portuguesa, vai continuar a espalhar a sua sombra por toda a ilha e quem lá vive. E no "Contenante" também, pois pelos vistos virá para a Assembleia da Republica, pelo menos de vez em quando.
Os Jardins Suspensos da Babilónia desapareceram e muita gente nem tem a certeza que alguma vez terão realmente existido, mas temo que o Jardim Suspenso da Madeira ainda dure muitos anos, e poucas dúvidas haverão sobre a sua existência.

Já agora, gostaram da imagem que arranjei? É uma das representações antigas dos Jardins Suspensos da Babilónia, com um Alberto João em traje de banho, e gigante tal como o seu legado, por lá. Giro não? Fui eu que fiz.

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Esta coisa da parentalidade...

... tem os seus momentos curiosos.
Desde que fomos pais que as passagens de ano foram passadas em casa só entre nós, muito calmas e com a malta (todos, gata incluída) a dormir ainda antes da meia-noite, acordando apenas (menos o puto) para ver o fogo de artifício.
Quer dizer, posto desta maneira até parece que já é uma tradição, mas na verdade só aconteceu nos 2 últimos anos, e o miúdo ainda nem tem 15 meses por isso é natural que assim tenha sido, quase que nem podia ser doutra forma.

Mas a curiosidade da parentalidade prende-se com os próprios comportamentos, ou momentos do miúdo.
Durante a passagem de ano, no meio do caos e terrorismo que é o fogo de artifício aqui pela Holanda, o puto dormiu o tempo todo como um verdadeiro anjinho, sem nem sequer dar um choro ou suspiro durante toda a noite.
E isto com autênticos morteiros a rebentar mesmo ao lado do quarto dele.
Passou impávido e sereno por este espectáculo todo:


O vídeo acima é uma amostra do que por aqui se passa nesta altura e apesar de ter feito o ultimo à 01:00, pelas 3:00 ainda havia gente a lançar foguetes nas redondezas e pouco antes das 4 rebentaram 2 morteiros mesmo junto ao prédio que mais parecia um ataque dos Israelitas na Faixa de Gaza.
Nada disto o perturbou, nem tampouco o facto de entrarmos 2 ou 3 vezes no quarto dele, uma delas para tirar uma selfie (que quase não apanha ninguém) com flash e tudo.


Ontem foi um dia animado, com 2 casais amigos com quem tínhamos partilhado a passagem de ano 2 anos antes e que também agora tem um rebento cada um, e o puto fartou-se de brincar e interagir com as 2 outras meninas. O revés da medalha é que com toda a comoção dentro de casa, ele não fez nenhuma soneca. Muitos diriam que o brincar a tarde toda o deixaria cansado e ele aterraria na cama. Mas não, apesar de perdido de sono foi uma chinfreira descomunal. A pior birra para dormir que alguma vez fez, apesar de já nem ser bem birra, mas sim cansaço extremo que deixa as crianças num estado tal que querem dormir mas nem conseguem. Depois de muitas tentativas (e stresses dos pais à mistura) ele lá aterrou e dormiu quase 12 horas (apesar de um chorito que passou sem intervenção às 3:00).

Mas quando ele adormeceu ontem à noite (ou anoitecer pois foi entre as 19:15 e as 19:30) pensei mesmo: Numa noite é uma maravilha e nada o perturba, na noite a seguir é um martírio para adormecer.
Mas tudo tem explicação. Nós já sabemos que quando ele não dorme nada durante o dia (mesmo que apenas meia-hora em cada soneca) está o caldo entornado ao final do dia. É só mais uma das maravilhas da parentalidade.

Uma nota extra: deixei o vídeo com a amostra da doideira desta malta com o fogo de artifício. Relembro que isto é tudo obra das pessoas que compram (em média €500 por habitante).
Queria partilhar com vocês 2 outros vídeos de conhecidos meus aqui, um em Nieuw-Vennep e outro filmado no centro a partir da Magere Brug, mas eles partilharam no Facebook apenas para os amigos, por isso enquanto não descobrir onde é que estão guardados em cache no meu disco, não posso partilhar outras visões do caos desta noite...

quarta-feira, dezembro 31, 2014

Vira o disco e toca o mesmo ... ou talvez não

Agora que estamos mesmo na recta final, e Samoa, Ilha do Natal e Kiribati até já entraram oficialmente em 2015, é a altura de falar do Ano Novo, ou do Ano Velho para ser mais correcto, pois nestas alturas é sobretudo tempo de retrospectivas.

Admito que pensei em deixar no Facebook o YearInReview (nome da funcionalidade), aquele com frase por defeito "Foi um ano espetacular! Obrigado por fazeres parte dele.", ou então aquela coisa engraçada que vi noutras páginas da aplicação My Times, que curiosamente parece que foi removida entretanto (provavelmente era maliciosa), mas logo pensei que minha vida vai muito além do Facebook (tem este blog, o Twitter, o YouTube e toda uma Internet :-D) e o ano vai muito além da minha própria existência.

O melhor é mesmo escrever uma pequena reflexão.
Não vou rever o ano na totalidade. A nível pessoal foi um ano de muito crescimento sobretudo devido ao crescimento da família e o passar de um adulto meio-irresponsável para um adulto menos-irresponsável, pois agora tenho a responsabilidade de um novo ser que trouxemos a este mundo.
Por alturas do Verão estive muito perto de voltar a Portugal e sei que para muitos recusei uma oportunidade de sonho. Mas não era realmente de sonho para mim e tinha menos de 1 dia para decidir. Não é uma decisão que se toma de ânimo leve por isso tive que recusar. O timing é que foi mesmo impecável pois logo depois de ter recusado, 1 dia mais precisamente, sou confrontado com a possibilidade de perder o actual emprego. Portanto podem imaginar que de repente me parecia que o mundo estava-me a pregar uma enorme e sarcástica partida. No final nada mudou a esse respeito, para mim pelo menos, e aqui continuo pela Holanda.

O ano teve muitas coisas interessantes, quer a nível local quer a nível global. Muita miséria, muita desgraça mas também coisas boas. Na verdade é o costume desta realidade a que chamamos Existência. Os anos passam, muitas coisas mudam, outras tantas ficam igual e muitas delas repetem-se em anos vindouros.
O fim de ano e começo de um novo pode ser visto como um simples virar de página, um bater dos ponteiros do relógio, o completar de um ciclo e início de um novo que na verdade é igual, como é o caso da órbita da Terra, aquilo que cientificamente define um ano.
Por isso escrevi no título: vira o disco e toca o mesmo.

Ou talvez não! Muitas pessoas fazem resoluções para o novo ano. Eu acho que raramente as fiz, e mesmo quando as fiz nunca dei valor a isso. As resoluções de Ano Novo é como o Natal, é quando um homem quiser. Apesar de tudo muitas pessoas tomam este reinício do ciclo como uma altura especial e ganham coragem e motivação para mudar algo (normalmente para melhor). Ainda bem para eles. Para os que conseguem mudar com um novo ano, dou os meus parabéns. Para aqueles que mudam sempre que querem ou precisam, dou os meus parabéns.
Eu sou a favor da mudança mesmo que pessoalmente esteja cada vez mais na mesma. Por isso parabéns a mim também e a todos aqueles que não mudam nem que o céu esteja a cair sobre a cabeça.

Em verdade, amanhã espero ainda aqui estar, e na realidade vai estar tudo igual a hoje e a vida vai seguir normal. Desafios vão surgir, adversidades serão ultrapassadas, mas isso é tão válido em 2015 como foi válido em todos os anos que passaram, e que foram muitos mais que 2014.

Termino voltando à parte que o ano vai muito além da minha pessoa. Deixo um vídeo que me tocou quando o vi. Não será o melhor nem é certamente o mais completo, até porque faltam coisas importantes que aconteceram nos últimos dias, mas eu gostei portanto espero que gostem também:


Aos meus amigos e a todos os que lhe são queridos, desejo Boas Saídas e Entradas e Feliz Ano Novo 2015!

terça-feira, dezembro 30, 2014

É um estrondo

Como disse há 2 dias, agora é uma altura barulhenta pois esta malta daqui, que gasta fortunas em fogo de artifício e petardos para a passagem de ano, gostam de testar ou simplesmente arrebentar alguns nestes dias que antecedem a grande festa.

Pensei que já tinha descrito a passagem de ano aqui na Holanda. Pesquisei aqui no blog e no Facebook mas não encontrei nada.
Bem, faço uma pequena descrição: a passagem de ano aqui é levada muito a sério. Não costuma haver grandes espectáculos de pirotecnia organizados pelos municípios, mas são os próprios cidadãos que os fazem. Como disse eles gastam fortunas e nas 12 badaladas é toda a gente a largar foguetes por todo o lado. Literalmente, todo o lado. Em 2012 passamos com amigos numa casa bem perto do centro de Amesterdão e subimos ao terraço e dava para ver, era fogo de artifício por cima de toda a cidade. E a durar à vontade mais de 30 minutos. Acabava num lado já estava outro a aparecer mesmo ao lado. Daí eu ter escrito que é o maior fogo de artifício desordenado de que tenho conhecimento. Na realidade é um caos. Mas para além do verdadeiro fogo de vista, rebentam petardos por todo o lado. E então nestes dias tem alturas que parece que estamos no Iraque, Síria ou mesmo Faixa de Gaza. Ouvem-se "tiros" e explosões que apesar de espaçadas são constantes. Parece mesmo os gajos do Estado Islâmico e os Curdos a trocarem tiros quando vêm um inimigo do outro lado da barricada, e a mandar umas granadas e obuses de vez em quando.

Eu sempre pensei que era tudo material comprado em lojas, mas hoje a conversar com 2 colegas holandeses sobre o ter cuidado e não rebentar com dedos (é muito comum malta ficar sem alguns nestes dias) fiquei a saber que nem tudo é material de pirotecnia.
Os holandeses têm uma longa de tradição de fazerem canhões caseiros com carbid (inglês calcium carbide, em português "carbite" ou "carboneto de cálcio"). Compram isto a €5 o quilo, ou então €2000 a tonelada, e divertem-se a fazer autênticas peças de artilharia como a que se vê na foto do canto.
Acho um pouco difícil ver-se disto aqui pela cidade, mas eu vivo paredes meias com campos de cultivo e descampados portanto imagino que os maiores estrondos possam provir das experiências com carbid que estes malucos fazem.

Deixo-vos uns vídeos do YouTube de utilizações do carbid aqui na Holanda, para terem uma ideia das proporções que esta "loucura" toma.





domingo, dezembro 28, 2014

Este período foi de novidades

Tendo aterrado, para ficar, em Amesterdão no dia 28 de Novembro de 2010, já passei por 5 Natais desde que aqui estou (apesar de estar praticamente só há 4 anos). Mas só este foi passado aqui, portanto temos logo a primeira novidade, um Natal passado na Holanda.

Em 2010 e 2012 foi em França com os meus pais; em 2011 e 2013 foi em Portugal (na minha casa lá).
Este ano é o primeiro com o miúdo fora de Portugal (ele já era nascido o ano passado mas tinha apenas pouco mais de 2 meses) e como é muito mais prático passar aqui em casa, veio a minha família directa (pais e irmão) e assim cá se passou o primeiro Natal nos Países Baixos.

Apesar de ter sido cá não faltou nada do "costume". O Natal, à boa maneira da nossa família, foi um misto de ementa Portuguesa com Francesa. Não houve bolo-rei porque esta família nem costuma comer, mas teve rabanadas, aletria (uma estreia para as cozinheiras) e quase que teve sonhos. Digo quase porque pouco antes da ceia de Natal, quando fui buscar o meu irmão ao aeroporto, comprei a única coisa típica holandesa, olliebolen que são parecidas com os sonhos. A minha mãe gostou e disse que eram iguais aos sonhos da vizinha dela (em França). Mas mais ninguém comeu. Como comprei uma dúzia (à dúzia é mais barato) a maioria acabou por ir para o lixo no dia seguinte, pois estavam intragáveis.

Como este ano o Natal calhou à quinta-feira e por conseguinte a sexta-feira era também feriado (Tweede Kerstdag) passei 4 dias sem trabalhar. Isso não é uma novidade mas foi a primeira vez que passei 4 dias consecutivos sem trabalhar e sem estar doente aqui na Holanda. Todos os outros períodos de duração igual ou superior foram passados fora. Foi algo estranho porque ontem já me estava a parecer tempo demais por casa (mesmo saindo acabamos por estar em casa todos os dias). E logo eu estar com sentimentos destes, eu que sou das pessoas que adoro férias e feriados e só ao fim de muito tempo me volta a vontade de trabalhar (muitas vezes só me volta semanas depois de já ter voltado ao emprego!).

Mas como é sabido tudo o que é bom tem um fim, e amanhã é o regresso ao trabalho. Deverá, e espero que assim seja, calmo pois este é um período tradicional de férias e sei que muitos dos meus clientes só regressam depois do 5 de Janeiro. Mas nunca se sabe o que o Murphy, o das Leis, me reserva para os próximos 3 dias + sexta-feira.
Quanto aos dias atarefados e barulhentos, de ter o dobro das pessoas em casa, também acabam. Os meus pais já regressarem hoje à região parisiense e amanhã de manhã, antes do meu regresso ao trabalho, deixarei o meu irmão no aeroporto para regressar a Portugal.

E assim voltaremos à rotina do quotidiano, eu e a Carolina, o puto e a gata, até à Passagem de Ano e ao Ano Novo. Mas esse não será uma completa novidade, pois já antes passamos aqui.
Esperam-nos dias barulhentos no exterior e de susto durante a noite, com a miudagem e outros mais graúdos a irem estoirando peças de pirotecnia, no aquecimento para o maior fogo de artificio desordenado de que tenho conhecimento...

sábado, dezembro 27, 2014

Ainda cá estou

Pois, não ganhei na terça antes do Natal, como já sabiam, mas continuei sem ganhar no 2° dia de Natal, ontem. Segundo porque tal como expliquei no Facebook, aqui nos Países-Baixos (tal como noutros mais altos) existem 2 dias de Natal, o Primeiro que é a 25 e o Segundo que é a 26. Ainda não me deu para pesquisar a história por detrás desta duplicação do Natal.

Voltando ao EuroMilhões, e para ser correcto, eu ganhei nas 2 tiragens. Não ganhei foi nenhuma fortuna, em ambas foi apenas o 13° prémio, o mais baixo de todos que nem cobre os custos da aposta (eu jogo €6 e só o 12° prémio costuma cobrir esses custos).
Parece quase que o EuroMilhões está a gozar comigo. Sabe que quero ganhar e pica-me ao receber a mensagem da Santa Casa da Misericórdia a dizer "Parabéns, esta semana é um dos premiados" e depois vou ver e vejo lá os míseros 3 euros e tal e penso "Dasse, para esta merda nem valia a pena mandar mensagem".
Por outro lado dizem que não há 2 sem 3, e à terceira é de vez, e portanto próxima terça pode ser que tenha a sorte grande.
Cuidado malta, pode ser o último post do BaKano que lêem ... na qualidade de não-milionário (não podia dizer excêntrico porque há quem ache que já tenho essa qualidade).

Mas pensando melhor, será que é mesmo sorte grande? A sorte grande e terminação já tenho na verdade, está aqui comigo em casa (uma parte deitada ao meu lado e outra na cozinha a fazer a comida dessa parte para os próximos dias).
E este Natal, sendo o primeiro em que o mais pikeno já tem a sua personalidade, foi mágico. Pode-se comprovar facilmente por esta foto, que é carregada de magia e nem sequer foi alterada (a não ser ligeiramente recortada):


Apesar da foto ser uma forma muito bonita de se terminar, deixo-vos um apontamento sobre esta época.
Pensava eu que o tuga era especialista em fazer as coisas à última hora, como as compras do Natal, mas na manhã do 24, deixei o miúdo na creche (aproveitar que estava aberto e já pago) e passei no super-mercado para umas compritas pequenas de última hora. Pouco passava das 9:00 quando cheguei ao estacionamento e havia fila grande para entrar. Ao estacionar no piso da entrada para a loja, eram já muitas as pessoas que se dirigiam para as viaturas com os carros carregados (raramente se vê um holandês com um carrinho das compras carregado a não ser quando levam grades de cerveja). A loja tinha todas as caixas abertas e era difícil circular nos corredores. Só tinha visto algo parecido um Sábado neste tempo que estou aqui.
Na realidade não eram compras de última hora porque era ainda manhã, mas fiquei surpreendido por ver os holandeses (naturais ou emprestados) em azáfama tamanha na véspera de Natal. Nem sequer era por virem os 2 dias de Natal, porque ontem o mesmo super-mercado estava aberto.

Agora sim, terminei por hoje. Já estou com fome e é tempo de aproveitar as comidas de mãe, que tive a família toda (a directa) a passar estes dias em casa, mas já começam a ir embora amanhã.
Mas até ao lavar dos cestos é vindima, e ainda há muito vinho e champagne para beber...

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Mensagem de Natal de sonho

É tempo de Natal, paz e amor e desejos de boas festas a toda a gente, mas eu tou-me a cagar. Ganhei o sorteio do EuroMilhões e por isso a malta que se lixe. A partir de agora não conheço ninguém. Fui...

Não me importava nada de ser rude e parvo, para não dizer estúpido, e deixar isto como mensagem de Natal nas redes sociais. Mas na verdade não ganhei por isso tenho de me conter e ser mais comedido e conservador nos votos de Natal para os meus amigos, reais e virtuais. Não preciso de ser muito efusivo pois ninguém ganhou o 1° prémio, nem tampouco o 2°, por isso não estou a arriscar afastar um milionário que até podia ser generoso aqui com este grande compincha que é o BaKano.

Por isso malta, Bom Natal para quem esteja a ler. Com muitos presentes seja em bens seja em pessoas que amem, e tudo de bom nesta época especial para vocês e aqueles que vos são mais próximos. Ficarei emocionado, e com orgulho, se eu estiver incluído nesse grupo.

Votos de Ano Novo ficam para a semana, mas considerando que tenho ainda 2 hipóteses de ganhar o EuroMilhôes até lá e sexta-feira tem jackpot, pode ser que desapareça entretanto... Era bom era...


terça-feira, dezembro 23, 2014

O Google conhece-me bem

Ao procurar uma imagem com o texto "Winter is coming" para falar do dia do solstício de Inverno, o Google apresentou-me nos resultados da pesquisa esta imagem, que parece completamente desenquadrada da pesquisa:

Poder-se-ia pensar que o Google decidiu me apresentar isto pois conhece-me bem, sabe o meu gosto (ou fetiche) por ENORMES SEIOS e na sua suprema clarividência pensou "toma lá isto que vais gostar". E é verdade, gostei.

Mas na realidade a imagem faz todo o sentido, pois foi colocada num site com o título (do tópico) "Brace yourself! Winter is coming!", ou seja as mesmas palavras que a imagem que depois usei no meu post.
Esta moça chama-se Ariel Winter e como é facilmente comprovado pela foto, ela está, como dizem os anglófonos "coming of age", expressão que significa a transição da adolescência para a maioridade, mais especificamente para a maturidade sexual. E insinuação sexual é o que não falta na indumentária da moça (digam o que disserem, aquele decote não é inocente).

Sim eu sei, parece mal pois ela é ainda menor e só tem 16 anos, mas nesta idade ela já sabe bem, ou julga saber, o que quer. E temos que ver que para muitos homens é impossível simplesmente ignorar raparigas atraentes, que se apresentam de forma sensual, mesmo quando são menores, e quando pela indumentária e comportamento não se distingue logo à primeira que ela é menor. A Ariel Winter nesta foto parece muito crescida.

Imaginemos o seguinte: estamos num bar e vemos uma rapariga muito atraente, vestida de forma atrevida e que namorisca os rapazes que se metem com ela. Alguém nos diz que ela tem 17 anos ainda, então é menor e nós imediatamente a vemos como uma menina com totós e a brincar com bonecas. Entretanto chega às 2 da manhã e alguém lhe canta os parabéns. Fez 18 e agora é maior. Imediatamente a vemos como uma bomba sexual que desperta a libido e a malta faz fila para lhe pagar um copo e ver se a leva para casa...
Se calhar às vezes até acontece isto, 1 em cada 1000, mas nas realidade a rapariga é exactamente a mesma, por isso quando a vemos pela primeira vez ainda com os 17 anos desperta a libido na mesma.
Acho que não se pode criticar os homens por sentirem desejo por uma rapariga ainda menor mas "crescida", mas sim apenas quando eles não conseguem controlar esse desejo sabendo que ela é ainda menor.

A outra dúvida prende-se com as motivações para a Ariel Winter se apresentar desta forma tão sensual nos últimos tempos (basta procurar fotos e ver que ela anda claramente a mostrar-se). Haverá quem ache que ela apenas veste aquilo que gosta ou como ela própria afirmou, anda à procura do seu estilo.
Eu sendo um homem e muito básico no que toca a estas coisas, acho que ela claramente sente a influência de trabalhar com a Sofia Vergara (outra mulher voluptuosa que desperta muito desejo nos homens) e como a sua personagem mais famosa é a rapariga nerd do Modern Family, ela quer mostrar ao mundo que é muito mais que isso.

Eu vou continuar as minhas pesquisas por diversas coisas pela net, confiando que o Google, conhecendo-me bem, me mostrará de vez em quando imagens como esta. Espero que tenha mais cuidado no futuro e me mostre apenas de raparigas maiores, para afastar pensamentos pecaminosos (e criminosos) da minha ideia...

segunda-feira, dezembro 22, 2014

Sócrates, não estudes mais, por favor!

Nota-se que estamos em época festiva. Estou a trabalhar mas está tudo muito calmo logo tenho tempo para dar liberdade aos dedos e escrever os vários pensamentos que me vêm à ideia.

Neste caso, estava a ler as notícias de Portugal através do Google News.
Faço aqui um parêntesis, como uso sempre o Google News estou limitado à selecção que eles fazem mas tendo em conta que eles me conhecem bem (vai sair uma dissertação amanhã sobre isto) acho que estou bem servido a continuar a ser escravo da Google.

Voltando ao tema, estava a ler as notícias do dia e abri as que falavam sobre o carro do Sócrates que pelos vistos só saiu de Portugal para ir fazer a revisão a Badajoz. Isto deixou-me logo intrigado, porquê ir-se a Badajoz fazer uma revisão? O meu amigo Daniel disse-me logo que se fosse um Volvo a revisão saia a metade do preço em Espanha. A malta do Norte ia a Vigo e a da região de Lisboa ia a Badajoz. O Sócrates, acreditando em notícias de 2013 e se ainda não trocou de carro, tem um Mercedes Classe S, mas se calhar as revisões da Mercedes também saem a metade do preço em Espanha. Apesar de tudo seria uma desculpa mais fácil de aceitar se fosse um Volvo.
Mas depois lembrei-me, José Sócrates tinha realmente de poupar dinheiro nas contas do carro. Aliás, o carro já lhe saia tão caro que tinha de alugar outro sempre que ia fazer a sua coluna semanal na RTP. Como não podia dispensar o motorista ou arranjar outro mais barato, optava por fazer as revisões em Espanha, a metade do preço.
E essa necessidade de poupar é porque tinha contraído um empréstimo ao BES para o curso (ou pós-graduação) de Filosofia em Paris.

Ao longo destas minhas deduções apercebi-me de um efeito dos estudos do Sócrates. Sempre que ele tira um curso, fode qualquer coisa.
Reparem bem, tirou o curso superior na Universidade Independente que assim quase de repente em 2007 passa por uma crise e cessa actividade.
Depois decidiu ir tirar outro curso, e pede um empréstimo ao BES, que passa também por uma crise abrupta e na prática cessa actividade.
Conclusão: Sócrates estudar (ensino superior) é nefasto às entidades nacionais envolvidas. E conforme mais estuda pior é. Imaginem se o Sócrates decide ir tirar um doutoramento ou assim? Vai a GALP ou a SONAE pró catano?

Por isso faço este pedido, que é um bocado estúpido porque implicaria que ele já o tivesse feito alguma vez na vida, mas cá vai: Sócrates, por favor, não estudes mais nem tentes tirar qualquer outro curso ou grau académico. Para o bem de Portugal, quiçá para o bem da humanidade!

E é assim que o meu cérebro funciona, de ler notícias sobre carros passo a cursos superiores e calamidades económicas.
Amanhã explicarei então porque é o que o Google me conhece bem (já está meio-escrito).

6 pelo 9

Eu moro no 6° andar. Trabalho no 9°. Em prédios diferentes. Às vezes no trabalho carrego no botão do 6°. Em casa não posso fazer a troca porque não tenho o 9°.
E prontos, achei que era importante partilhar isto.


domingo, dezembro 21, 2014

Hoje foi o dia

Apesar do mote dos Stark de Winterfell, tornado famoso na série Game of Thornes ("A Guerra dos Tronos" em português) hoje pode-se dizer que o Inverno já chegou.
Enquanto isso pode ser considerado má notícia porque é em teoria a estação mais fria do ano, para mim prefiro olhar para o lado positivo. É que a partir de agora os dias voltam a crescer.
Hoje foi também o dia mais curto do ano, e por isso as coisas só vão melhorar. Dou mais valor às horas de luz solar do que o suposto frio, até porque as coisas nem devem mudar muito assim no que a frio diz respeito.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Gostar não é razão suficiente?

Há uns dias, semanas já, dizia um colega meu que tinha deixado de tomar café porque o café afinal não dava mais energia apenas fazia voltar à energia normal que se tinha antes de se ter viciado em café. Algo assim do género, admito que não me lembro bem dos detalhes pois nem estava 100% atento, mas lembrei-me logo de lhe dizer "então mas gostar de café não é razão suficiente para se tomar?" e acrescentei de seguida "eu não tomo café para me sentir melhor, tomo porque gosto de tomar um expresso no final da refeição".
Enquanto falava com o gajo, este tema começou "a crescer" em mim. Mas é preciso existir algum outro motivo superior para se fazer ou consumir algo, que não seja simplesmente o gostar?

Às vezes parece que vivemos numa sociedade que sente culpa em gostar de coisas e então tem de arranjar desculpas técnico-científicas para se justificar.
Basta ver o sem fim de notícias da treta (para mim são da treta) que enumeram novos estudos que, e apenas a título de exemplo, provam que chocolate faz bem, a cerveja tem propriedades benéficas, o vinho tinto contem propriedades que melhoram a condição cardíaca, e coisas assim do género.

Até para actividades (ou falta delas), arranjam-se motivos. Tem pessoas que são viciadas em exercício físico mas a justificação é porque faz bem. Ou então aqueles que não gostam, como deve ser caso da maioria e depois lá aparece um estudo para desculpar, pois diz que ir ao ginásio afinal tem resultados práticos muito baixos ou nulos.
São desculpas para que as pessoas se sintam bem com o que fazem. E por outro lado é por vivermos numa sociedade do politicamente correcto e não se poder simplesmente dizer que se gosta de comer porcarias, beber álcool e fumar umas cenas. Não se pode, parece mal, é errado, então come-se porque é anti-depressivo, bebe-se porque ajuda à circulação e fuma-se porque é um calmante natural que faz menos mal que as drogas químicas.
Qualquer dia não se pode dizer que nos sabe bem peidar (ou seja peidamos com gosto) mas porque precisamos de o fazer para libertar o corpo de energias negativas que nos arrasta o karma para baixo!

Isto chega-se a um ponto tão ridículo de se arranjar desculpas para tudo, que noutro dia deparei-me com um artigo publicado que apresentava umas 16 razões para se fazer sexo todos os dias. Mas porquê 16 razões?!?! Basta apenas uma e está logo no título: SEXO TODOS OS DIAS! É razão mais que suficiente para se fazer.
Obviamente não nos apetece todos os dias, ou apetece mas estamos cansados de comer chocolate e beber jolas que não conseguimos, mas é bom saber-mos que está previsto todos os dias.

O título desta dissertação é uma pergunta que se responde automaticamente e com o mesmo texto. ficou à minha escola usar o ? ou o ! e como não sabia se seria politicamente incorrecto, optei pela pergunta.
Conclusão é simples: O gostar devia ser razão suficiente e não deveríamos ter problemas em admiti-lo.

segunda-feira, dezembro 15, 2014

Filosofia de WC - I

Nestes dias outonais e invernais, em que a cada rotação da terra, as horas de luz abreviam e a escuridão expande o seu domínio, apraz-me sempre ver sombras durante o período entre a alvorada e o crepúsculo. Tal vista indica, na maioria dos casos, que o sol nos agracia com a sua presença no céu, mesmo que encoberto por algumas nuvens.
E isso é bom, aquece o coração e me deixa contente.

Depois puxo o autoclismo, lavo as mãos e parto para outra...

sexta-feira, dezembro 12, 2014

Várias espécies de pequenos animais peludos reunidos numa caverna e curtindo com um Picto

Terá sido o Ummagumma, o disco de estúdio, o primeiro álbum de uma banda a conter músicas estranhas, basicamente sons gravados misturados com instrumentos, numa verdadeira onda de experimentação? Não sei se será, daí a pergunta, mas sei que é uma coisa que se vê volta e meia em vários álbuns; estamos a ouvir as faixas normais e de repente toca uma estranha com pessoas a falar ou sons de um quotidiano e onde os instrumentos da banda estão em segundo plano tocando uma melodia simplista e hipnótica.

Já ouviram o Ummagumma? Aquilo é de doidos. É um álbum dos Pink Floyd de 1969 com 2 discos. Um deles é de musicas tocadas ao vivo e é relativamente normal. Mas o segundo disco, o disco de estúdio é obviamente o resultado da época em que foi feita. Muito ácido metido naquelas veias. Só para terem uma ideia, a faixa do Roger Waters chama-se "Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict" (em Português "Várias espécies de pequenos animais peludos reunidos numa caverna e curtindo com um Picto") e ele simula barulhos de animais através dos instrumentos e da voz. Não se pode chamar sequer uma música é uma experiência. É uma cena tipo "Branca de Neve" do João César Monteiro mas feita 31 anos antes e sem mandar foder o público.
Este álbum, apesar de ser produto certamente de grandes trips de ácido ou heroína, revela por outro lado a genialidade e criatividade que apareceu no Reino Unido nos anos 60. Nos EUA também aparecerão alguns génios criativos, mas prefiro pensar que só na Ilha é que surgiram aqueles artistas marados com músicas e sons que não lembram ao diabo! Ou então que vêm do diabo!
Ter a coragem para experimentar estas coisas, e para mais vendo esse trabalho editado, mostra que a malta naquela altura andavam por trilhos nunca antes desbravados. Da mesma forma que desbravam trilhos em raparigas que iam ter aos camarins depois dos concertos.

O Ummagumma foi o primeiro (e único) álbum dos Pink Floyd que me ofereceram, já eu trabalhava, e editado em CD. Conhecia o The Wall, mas mais por partes, e conhecia relativamente bem os trabalhos mais recentes, na altura. Para mim Pink Floyd era mais uma daquelas mega-bandas que faziam espectáculos enormes com músicas épicas que duravam vários minutos na versão ao vivo. Curiosamente na altura em que me ofereceram o Ummagumma eu já tinha descartado os Pink Floyd e andava noutras ondas mais modernas. Demorei anos, tenho a certeza que foram anos, a abrir o CD e ouvir a coisa, e foi mais fruto das minhas conversas com colegas que eram fãs da música britânica destes tempos, o que me fez ficar curioso sobre o álbum. Eu conhecia mal os tempos do inicio dos Pink Floyd, apesar de quando era miúdo ter encontrado, numa caixa com coisas do meu tio mais novo que entretanto tinha ido para o Brasil, um vinil do Dark Side of The Moon (álbum que só ouvi por inteiro a primeira vez há poucas semanas).
Não sei o que passou pela cabeça das minhas primas que me ofereceram o Ummagumma, como é que escolheram este álbum e pensaram que eu gostava de Pink Floyd. Presumo que estivesse em promoção (é um álbum mal amado por muita gente, banda inclusive, e compreende-se bem porquê), mas eu agradeço essa ironia do destino, porque apesar de pouco ouvir (nem sei onde andam os CDs agora) foi dos álbuns que mais gozo me deu ouvir, por tudo o que representa.

segunda-feira, dezembro 08, 2014

O indicador de dia de feriado

Para quem vive noutro país, os feriados em Portugal muitas vezes passam em claro. Ou uma pessoa só se lembra deles a meio do dia ou depois.
Curiosamente existe um indicador quase infalível para se notar que deve ser dia de feriado em Portugal. A actividade online (IM's ou redes sociais) é muito mais reduzida em dias de feriado. Se isto não bastar para sugerir a ideia que os nossos amigos, familiares, conhecidos que lá deixamos estão a gozar o feriado é esperar pelas fotos ou em casa ou fora de casa durante o dia, confirmando que não estão a trabalhar (ou estudar) como seria habitual.

Não deixa de ser curioso que uma actividade pessoal, que se deveria fazer no nosso tempo livre, é sobretudo feita durante o expediente. Dias de trabalho normal, são cheios de actividade nas redes sociais e as pessoas estão ligadas em IMs. Dias de feriado a malta tem mais que fazer, sobretudo num que calha a uma segunda e significa fim-de-semana prolongado.

Eu não estou aqui a tentar dar lições de moral. Para que eu note que o Facebook está calmo, eu também tenho de lá ir, e várias vezes ao dia. E estou a escrever isto ainda no local de trabalho. Eu faço o mesmo que os outros. E agora que sou pai, muitas noites e muitos fim-de-semana completos têm passado que nem me ligo à net, portanto o tempo livre e pessoal é usado para coisas importantes (passar em família ou tratar de todas as coisas que precisam de ser tratadas e não aparecem feitas) e durante o trabalho, essa coisa trivial e chata, é que aproveitamos para ver o que os outros andam a fazer, e conversar com os amigos.

E por isso é que em dias de feriado num país, ou países pois há feriados comuns a vários, quem está a trabalhar e por isso sempre ligado nas redes, nota menos actividade e recebe menos notificações.

Não sei se Portugal é um dos países onde se notará mais este fenómeno, uma vez que em Portugal notamos certos exageros comportamentais, mas de maneira nenhuma é exclusivo (como certos moralistas afirmam, que os portugueses ou malta do sul da Europa são pouco profissionais) porque também com gente daqui noto isso e muitas pessoas, de várias nacionalidades, consultam e actualizam as redes sociais durante o horário de trabalho.

Mas pronto, apeteceu-me escrever esta baboseira, e se calhar já não é a primeira vez que escrevo sobre esta coisa.
Para além das actividades do Facebook e ligação nos IMs, eu tenho outro método para detectar feriados, mas aplicado mais especificamente a França. O facto de não ter respostas algumas dos meus clientes e um dia mais calmo. Curiosamente hoje também foi um desses dias apesar de não ser feriado em França...

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Se calhar ainda dá, mas vai ser à justa

Pedro Fernandes canta no seu último vídeo que "para presidente já não dá", mas eu não tenho tanta certeza assim.
Tendo em conta que o Isaltino Morais esteve pouco mais de 426 dias detido, ou preso, e o Sócrates já caminha para os 13 dias, ainda existe "esperança" que ele esteja cá fora em Janeiro de 2016, altura das próximas presidenciais. Afinal de contas ainda faltam 409 dias até meados de Janeiro (considerei o dia 17 como data provável para as eleições), ou se conseguirem empurrar mais um bocadito, 423 para o último Domingo de Janeiro.
Feitas as contas e considerando os dias que já está detido, Sócrates tem muitas probabilidades de já estar solto aquando das eleições.

Uso o Isaltino como referência pois também ele foi detido pelo mesmo juiz, numa operação algo mediática, e também andava a braços com a justiça há vários anos.

A maior dúvida prende-se com a data de apresentação das assinaturas, se ele tem de estar presente nessa altura e a campanha. Se José Sócrates precisa de estar cá fora 2 meses antes para cumprir os trâmites e poder ser candidato, então a coisa fica mais complicada.
Claro está que não haverá problema algum se ele for solto daqui a pouco tempo, para ir passar o Natal a casa com a mãezinha, ou depois em 2015, para ir desfilar no Carnaval de Estarreja ou refrescar-se numa das Paris Plages no Verão.
Qualquer uma destas hipóteses é tão válida quanto ele passar perto de 420 dias detido ou preso.

A menor dúvida de todas é saber, se ele estiver solto e tiver a "coragem" (alguns dirão lata) de se candidatar, quantos votos vai obter e se dará para ganhar à justa ou nas calmas...
Para mim surpresa mesmo é se ele ainda estiver detido, ou preso, em Janeiro de 2016, mas já vi coisas mais incríveis.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

"Ouvi dizer que tás mais perto dos 40"

Isto foi a frase que um pancão de um holandês lembrou-se de dizer quando me ligou esta manhã. Como ele até admitiu depois, ainda estou mais perto dos 35 do que dos 40, e apesar da idade não me assustar porque não acho que esteja "pior", estou alias com menos juízo de acordo com algumas pessoas, ao por as coisas desse modo já deixa um certo susto. Entrar nos entas ainda mete algum respeito...

Como é apanágio dos tempos modernos recebi a maioria dos votos pelo Facebook. 136 escreveram na minha página, 7 enviaram mensagens e 4 ou 5 deram os parabéns em comentários de outras pessoas. Até o meu pai me deu os parabéns antecipados num comentário que fez a uma publicação minha da véspera!
Recebi 3 e-mails a dar os parabéns, 2 deles de pessoas que também o fizeram pelo Facebook. O outro só chegou hoje mas foi para a minha conta do trabalho o que é um luxo. E veio de Brazzaville no Congo, outro luxo!
Depois de no ano passado não ter respondido a nenhuma mensagem de parabéns, nem sei sequer se fiz "Gosto", este ano decidi responder a todos e como felizmente a maioria veio de pessoas que conheço, pude dar uma resposta personalizada a quase todos.

A nível de contactos mais pessoais tive 3 chamadas, mas uma foi pelo Skype (do meu irmão) e acabamos por não falar e sim trocar mensagens, pois atendi no telemóvel e não podia falar alto por causa do miúdo estar para adormecer.
Já que falei em trocar mensagens por IM, também tive alguns votos por esse meio, mas como durante o dia só tenho o G-Talk e o SameTime que é o usado na IBM, foram poucos.

Pessoalmente tive poucos votos no próprio dia, porque só anunciei no trabalho no dia seguinte, quando levei bolos para a malta. Só quem almoçou comigo me deu os parabéns e o casal com quem fomos jantar à noite. Claro que a esposa também me parabenizou em pessoa.
Por falar em bolos, levei um bolo Brigadeiro de chocolate e um Pão-de-ló húmido, feitos por uma portuguesa que tem um negócio de Comes & Bebes aqui em Amesterdão. Levei sumos Compal comprados no Neves, uma garrafa de vinho tinto do Douro e para honrar o meu lado francês, uma garrafa de Beaujolais Nouveau. Só ouvi elogios enormes aos bolos, em especial ao Brigadeiro, ainda por cima tendo aspecto de caseiro, muitos pensaram que tinha sido feito em casa. O Douro também acabou mas o Beaujolais sobrou mais de metade. Mais uma prova que os produtos portugueses fazem sucesso.

No total recebi 2 prendas e uma delas veio da meteorologia pois um dia depois, no dia em que levei os bolos, senti-me bastante mal, febril e com dores na garganta e corpo. Cheguei a casa todo rebentado mas às 21:30 já estava a dormir no sofá e apesar de umas horas conturbadas, pois a febre faz-me ter uns sonhos esquisitos e pensar sempre na mesma coisa, neste caso estar sempre a ouvir o inicio do refrão da música "I Lived" dos OneRepublic, acordei bem melhor e em condições de ir trabalhar.

Falta dizer que o aniversário foi na segunda, dia 1, na terça foi quando levei os bolos e fiquei adoentado e hoje, quarta, que estou a escrever isto. E hoje jantei antes das 19:00 o que acho que foi uma estreia, tirando os dias de fim-de-semana que passei sozinho em que almoçava a meio da tarde e já servia de jantar.

terça-feira, dezembro 02, 2014

Tese da teoria da orientação aplicada ao papel higiénico

O meu amigo Daniel mandou-me esta manhã um post noutro blog (ou site) sobre a orientação do papel higiénico. Como esse post tem esse título, eu senti-me obrigado a arranjar um título algo diferente, ate porque o foco deste meu texto não é a orientação em si (eu uso o "por cima" se ficaram curiosos), mas sim o artigo da Wikipédia (em Inglês) referido no post. Esse artigo sim é que é uma coisa simplesmente fantástica.
Eu acho que há teses de fim de curso ou de pós-graduação menos completas que este artigo.
Reparem bem nos números avassaladores:
- Está organizado em 13 secções, 2 delas com sub-secções;
- Contém um total de 130 anotações;
- Tem mais de 100 (não contei ao certo mas parecem que ultrapassa claramente esse valor) referências bibliográficas;
- Apresenta valores de um estudo feito sobre o assunto, dividido por temas como Idade e Género, Classes e Política, e Carácter;
- Menciona outras controvérsias similares;
- Apresenta soluções, tanto mecânicas como comportamentais;
- Lista preferências de pessoas famosas;
- Tem versão em 10 outras línguas, apesar de duvidar que esses artigos sejam de igual calibre ao em inglês.

Não contei o número de palavras mas deve ser igualmente impressionante.
E eu que pensava que gostava de dissertar sobre a merda, descubro agora que gostam de fazer autênticos trabalhos académicos, e dos bons, sobre o papel que a limpa.

Mais do que curioso sobre as vossas preferências, eu estou curioso sobre as reacções a tal preciosidade.