Hoje (ou ontem, vá) debateu-se ao almoço o Zwarte Piet. Já falei dele há quase 3 anos mas este ano há uma grande polémica em redor desta figura, como podem ver pela imagem ao lado (que aborda o tema e não é necessariamente a minha opinião da coisa).
Tal como uma colega holandês, que se mostrou bastante indignado pelas queixas, também me pergunto do porquê agora a discussão ter chegado a nível nacional e não antes.
Bem, adiante, o que realmente acho estranho nisto tudo é a justificação que alguns sectores querem dar a esta figura. Como querem desviar do tema racismo, dizem que o Zwarte Piet é preto por causa de passar pelas chaminés para distribuir presentes. Pelos vistos as autoridades de Amesterdão pensaram este ano em mudar a tradicional pintura para parecer menos um gajo preto e mais um gajo sujo de preto. E para mim é precisamente esta tentativa de inocentar a coisa que mostra que afinal é mesmo sobre o racismo. É que o Zwarte Piet não está só pintado de preto; tem cabelo encaracolado (estilo carapinha) e os lábios bem realçados. É sem dúvida uma caricatura de um individuo preto, tal como o Blackface (também usada por brancos) era na América do século 19.
E a minha pergunta é, porque é que o Zwarte Piet não é assumidamente um gajo de raça negra? Uma das teorias é que ele era um escravo da Etiópia que o São Nicolau (a base do Sinterklaas) libertou e empregou como ajudante, ou um mouro que estava em Espanha e que decidiu seguir o São Nicolau (presumo que por se ter convertido). E mesmo sendo um mouro podia ser um preto, pois também num filme do Robin Hood ele é ajudado por um mouro que estava preso com ele em Jerusalém e esse mouro era interpretado pelo Morgan Freeman...
Mas durante o debate, disseram que o problema era porque o Zwarte Piet era representado como um escravo e isso é errado. Como eu disse, eu não sabia dessa parte da história, mas a bem da verdade, a Europa teve muitos escravos e sendo isto baseado em tempos antigos, também faz sentido. Não devemos reescrever a história e se ele era mesmo escravo, pois que se admita que sim, mas realmente nas canções e histórias infantis, não se faça grande caso disso.
Mas curiosamente, muitos holandeses parecem não perceber que o problema de muita gente (não nativos) é que o Zwarte Piet é uma representação cómica de um negro, quase nunca interpretado por um verdadeiro negro e é isso que ofende algumas pessoas. Justificarem-se que é um gajo sujo das chaminés é uma prova que eles sabem que é um pouco, para não dizer de todo, racista.
Tal como usarem um termo que ouvi hoje pela primeira vez: Nigger Sweat, ou seja, Suor de Preto, que é um nome que pelos vistos davam ao café (eu acho que só podia ser usado por quem não gosta, porque independentemente de ser de preto, branco ou amarelo, uma bebida que é comparada a suor só pode ser fraca).
O gajo que estava indignado com a polémica também parecia chateado de não se poder dizer nigger sweat nos dias de hoje. Acho que ele tem graves problemas em topar discriminação, como racismo e xenofobia, sobretudo nele próprio.
E na realidade eu também um pouco. Porque para mim a revolta de algumas pessoas com o Zwarte Piet é um pouco exagerada. Sim, é uma representação estúpida de um preto, e pode ser ofensiva para os mesmos, mas também não acho que os putos ficam todos racistas só porque estão habituados a esta tradição.
Mas entendo e compreendo que se existem grupos que manifestam o seu desagrado, tem de haver discussão publica sobre o tema, de forma a chegar-se a um consenso e se minimize as ofensas.
Mas enquanto pensava nisto reparei que muitas vezes considero exageradas as opiniões das ditas minorias sobre problemas raciais ou xenofobia, ou outro tipo de descriminação.
Como para mim as diferenças (raça, etnia, orientação sexual) são só uma curiosidade, custa-me a perceber a extensão da discriminação. Mas eu, tirando o facto de ser estrangeiro e imigrante aqui, estou quase sempre do lado do ofensor, ou seja faço parto de grupo social que discrimina. E isso será um dos maiores problemas que existe na nossa sociedade, nós pensarmos que não há problema.
Fazer uma caricatura de um preto não tem mal porque é tradição e feito a brincar.
Mandar piropos e bocas a gajas desconhecidas não tem mal porque não estamos a ofender ninguém e é apenas comportamento normal.
Chamar todos os jovens marroquinos delinquentes não está errado porque temos a estatística do nosso lado.
Tal como no caso do Zwarte Piet, provavelmente a maior indignação das ditas minorias é porque a dita maioria, nós os brancos europeus, nega que tem comportamentos discriminatórios, e como não fazemos nada de mal, não gostamos das queixas.
Temos de ser como a malta do filme que acabei de ver. Ele era gente azul, rosa, verde, amarela, um racoon e até uma árvore, todos juntos e em harmonia aos tiros e à porrada.
Tal como uma colega holandês, que se mostrou bastante indignado pelas queixas, também me pergunto do porquê agora a discussão ter chegado a nível nacional e não antes.
Bem, adiante, o que realmente acho estranho nisto tudo é a justificação que alguns sectores querem dar a esta figura. Como querem desviar do tema racismo, dizem que o Zwarte Piet é preto por causa de passar pelas chaminés para distribuir presentes. Pelos vistos as autoridades de Amesterdão pensaram este ano em mudar a tradicional pintura para parecer menos um gajo preto e mais um gajo sujo de preto. E para mim é precisamente esta tentativa de inocentar a coisa que mostra que afinal é mesmo sobre o racismo. É que o Zwarte Piet não está só pintado de preto; tem cabelo encaracolado (estilo carapinha) e os lábios bem realçados. É sem dúvida uma caricatura de um individuo preto, tal como o Blackface (também usada por brancos) era na América do século 19.
E a minha pergunta é, porque é que o Zwarte Piet não é assumidamente um gajo de raça negra? Uma das teorias é que ele era um escravo da Etiópia que o São Nicolau (a base do Sinterklaas) libertou e empregou como ajudante, ou um mouro que estava em Espanha e que decidiu seguir o São Nicolau (presumo que por se ter convertido). E mesmo sendo um mouro podia ser um preto, pois também num filme do Robin Hood ele é ajudado por um mouro que estava preso com ele em Jerusalém e esse mouro era interpretado pelo Morgan Freeman...
Mas durante o debate, disseram que o problema era porque o Zwarte Piet era representado como um escravo e isso é errado. Como eu disse, eu não sabia dessa parte da história, mas a bem da verdade, a Europa teve muitos escravos e sendo isto baseado em tempos antigos, também faz sentido. Não devemos reescrever a história e se ele era mesmo escravo, pois que se admita que sim, mas realmente nas canções e histórias infantis, não se faça grande caso disso.
Mas curiosamente, muitos holandeses parecem não perceber que o problema de muita gente (não nativos) é que o Zwarte Piet é uma representação cómica de um negro, quase nunca interpretado por um verdadeiro negro e é isso que ofende algumas pessoas. Justificarem-se que é um gajo sujo das chaminés é uma prova que eles sabem que é um pouco, para não dizer de todo, racista.
Tal como usarem um termo que ouvi hoje pela primeira vez: Nigger Sweat, ou seja, Suor de Preto, que é um nome que pelos vistos davam ao café (eu acho que só podia ser usado por quem não gosta, porque independentemente de ser de preto, branco ou amarelo, uma bebida que é comparada a suor só pode ser fraca).
O gajo que estava indignado com a polémica também parecia chateado de não se poder dizer nigger sweat nos dias de hoje. Acho que ele tem graves problemas em topar discriminação, como racismo e xenofobia, sobretudo nele próprio.
E na realidade eu também um pouco. Porque para mim a revolta de algumas pessoas com o Zwarte Piet é um pouco exagerada. Sim, é uma representação estúpida de um preto, e pode ser ofensiva para os mesmos, mas também não acho que os putos ficam todos racistas só porque estão habituados a esta tradição.
Mas entendo e compreendo que se existem grupos que manifestam o seu desagrado, tem de haver discussão publica sobre o tema, de forma a chegar-se a um consenso e se minimize as ofensas.
Mas enquanto pensava nisto reparei que muitas vezes considero exageradas as opiniões das ditas minorias sobre problemas raciais ou xenofobia, ou outro tipo de descriminação.
Como para mim as diferenças (raça, etnia, orientação sexual) são só uma curiosidade, custa-me a perceber a extensão da discriminação. Mas eu, tirando o facto de ser estrangeiro e imigrante aqui, estou quase sempre do lado do ofensor, ou seja faço parto de grupo social que discrimina. E isso será um dos maiores problemas que existe na nossa sociedade, nós pensarmos que não há problema.
Fazer uma caricatura de um preto não tem mal porque é tradição e feito a brincar.
Mandar piropos e bocas a gajas desconhecidas não tem mal porque não estamos a ofender ninguém e é apenas comportamento normal.
Chamar todos os jovens marroquinos delinquentes não está errado porque temos a estatística do nosso lado.
Tal como no caso do Zwarte Piet, provavelmente a maior indignação das ditas minorias é porque a dita maioria, nós os brancos europeus, nega que tem comportamentos discriminatórios, e como não fazemos nada de mal, não gostamos das queixas.
Temos de ser como a malta do filme que acabei de ver. Ele era gente azul, rosa, verde, amarela, um racoon e até uma árvore, todos juntos e em harmonia aos tiros e à porrada.































