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terça-feira, maio 19, 2015

A culpa disto tudo

Há uns dias o meu amigo Daniel mencionou esta notícia sobre o tamanho maior dos próximos boletins de voto. Nalguns casos (só alguns porque nem todos os partidos concorrem a todos os círculos) será maior que uma folha A4.
Depois da minha experiência de voto aqui o ano passado, isso nem me chocou nada. A imagem que está aqui é reciclada de outro artigo sobre o tema, e é do boletim de voto das eleições municipais aqui. Cada parte dobrada é quase do tamanho A4 por isso este boletim é maior que A3.

Mas não é do tamanho que queria falar. O boletim do voto ser maior é porque nas próximas eleições legislativas não vão faltar alternativas para votar em alguém diferente e mudar o poder instalado.

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Proteger-nos da nossa própria estupidez

Esta manhã ao deslocar-me do estacionamento para o edifício da IBM onde habitualmente trabalho, reparo, mais uma vez, num condutor que conduz o seu BMW com auscultadores brancos, sugerindo de um iPod, nos ouvidos. Não é a primeira vez que vejo disso por aqui na Holanda. E alias já em 2006 no Reino Unido reparei que alguns colegas de trabalho também entravam no estacionamento com auscultadores semelhantes nos ouvidos.
Ainda se poderia pensar que as pessoas fazem isso porque não tem rádios bons nos carros e precisam então de usar um leitor MP3 (seja em que variante for) para poder conduzir e usufruir das suas músicas favoritas. Esse argumento é valido não fosse a maioria das pessoas que vejo assim conduzirem carros de gama superior e recentes. Praticamente que é standard de há 5 anos para cá os sistemas de áudio dos carros terem um interface USB ou específico para um leitor MP3. E muitos carros de gama superior oferecem sistemas de áudio com imensas colunas e de fabricantes conceituados.
Por isso custa-me a entender a necessidade de se conduzir com os auscultadores nas trombas.

É que conduzir assim, anula ou reduz um dos sentidos que é também bastante importante na condução. Certo que é o mesmo que ir a conduzir com a música em altos berros, mas conduzir sem o sentido da audição parece-me contraproducente. Um condutor completamente alheio aos sons do próprio carro e dos outros que circulam na mesma estrada, aumenta os riscos para si e para os terceiros.
Eu digo mesmo que é estúpido.

E é por isso mesmo que existem muitas leis, tipo o Código da Estrada. Porque nós somos estúpidos e temos de ser protegidos da nossa própria estupidez.
Um gajo como o do exemplo da foto ali no canto, que pelos vistos foi uma situação real que aconteceu no Reino Unido, que acha que pode ir a usar um computador, o telemóvel e os 2 auscultadores nos ouvidos enquanto conduz, é estúpido e está a por-se em risco. Tem de ser protegido dele próprio, e sobretudo porque é um risco aos outros também.

Existe muitas regras difíceis de entender, e muitas vezes pensamos que servem apenas para dar dinheiro a alguém, mas ao pensarmos bem é mesmo como digo: proteger as pessoas burras que não tem consciência da gravidade dos seus actos e o risco a que se sujeitam.
Tal como as pessoas, com um conhecido meu, que andam sem cinto, e que pensam que é só uma regra estúpida para caçar multas. Ele tem sorte de nunca ter tido um choque frontal a uma velocidade mais normal. A maioria dos choques até a velocidades consideradas reduzidas podem causar danos graves e até mesmo matar quem não leva cinto de segurança. Até com airbag, que não pensem que o airbag salva alguma coisa (apenas ajuda a reduzir as lesões).
E pior ainda, a malta das motoretas e scooters que levam o capacete no braço ou só pousado no cima da cabeça. Uma queda até a 20 à hora e pode dar direito a lesão cerebral permanente. Agora é coisa que se vê menos, mas eu lembro-me de quando era mais novo e apareceu a lei da obrigatoriedade de usar capacete até nas motorizadas, muita gente levava-os ao braço apenas para cumprir a lei.
Como disse, as pessoas são estúpidas ao ponto de se sujeitar ao risco de morte e por isso a lei protege-os da sua própria estupidez, obrigando-os a tomar precauções sob risco de multa.
Infelizmente isso não impede pessoas como o meu conhecido de continuar a andar sem cinto quando dá as voltinhas na terrinha e se escandalizar com o desplante das autoridades de o quererem multar na sua própria casa...

Estas pessoas seriam candidatos ao novo prémio que criei hoje "Idiota da Semana" (mas em inglês que manda mais pinta e no Twitter) não fosse eu já o ter atribuído a um vizinho meu do 5° andar que vai buscar a correspondência à caixa do correio e depois deixa em cima do passeio as cartas que são referentes a publicidade.
Tenho de descobrir qual é mesmo a caixa do correio dele, para voltar a colocar a correspondência que ele deixar no passeio e para ser melhor, colocar a mesma referente a publicidade que estava na minha caixa do correio...

terça-feira, fevereiro 17, 2015

805 milhões de nomes

O meu texto anterior fala das coisas más que continuam apesar dos dias de amor ou festa que deveriam trazer algo de bom.
Mas ao mesmo tempo que a porcaria continua pelo mundo, aparecem coisas boas. Apesar de relacionada com um outro mal que afecta todo o mundo, é na mesma uma coisa boa.

Enquanto em Copenhaga se atentava contra a vida das pessoas com balas de AK-47, Zlatan Ibrahimovic, jogador da bola sueco de origem sérvia bósnia e croata, num jogo em Paris marca um golo, tira a camisola e mostra o seu corpo tatuado com nomes. Esta é a razão.
...


Zlatan não fala de nenhuma nova calamidade; não é um herói nem santo por associar-se ao Programa Alimentar Mundial para combater a fome no mundo. Mas na realidade nós, pessoas vulgares, precisamos de acções de pessoas famosas, que são exemplo para muitos miúdos e até graúdos.
Infelizmente nós vamos seguindo com as nossas vidas e ignorando os (muitos) problemas deste mundo. Problemas para os quais nós podemos contribuir positivamente, de muitas formas.
O Zlatan contribuiu de uma forma excelente, dando visibilidade ao Programa e apelando a muitos de nós.
Eu não consegui ficar indiferente ao gesto e ao vídeo. Fiz uma doação imediatamente depois de ver o vídeo e aceder ao site que aparece no final.

Parabéns Zlatan, és um grande jogador da bola e também revelaste ter um gesto de gigante.

segunda-feira, janeiro 12, 2015

França, Nigéria e o diferente mediatismo

Por um lado gostaria de escrever sobre outros temas e ir voltando de quando em quando a este que vai ser assunto dominante durante algumas semanas (digo eu),  mas por outro vão sempre aparecendo assuntos relacionados que despoletam em mim o processo dissertativo quase de imediato. Se estiver no computador com disponibilidade para escrever, começo logo a fazê-lo.

Várias pessoas têm-se questionado, e questionado os outros até, do porquê dos ataques de Paris desta semana originarem tanta mobilização a nível mundial, e ao mesmo tempo ataques do Boko Haram na Nigéria, sendo os ataques à bomba com meninas suicidas e o ataque total à cidade de Baga os acontecimentos desta semana, passarem para segundo ou terceiro plano.
É uma pergunta que faz muita lógica. Em Paris morreram ao todo 18 pessoas (descobriu-se que uma morte isolada na quarta-feira foi perpetuada pelo atirador de Montrouge e Porte de Vincennes), só no ataque bombista no mercado morreram 20 pessoas. O número de feridos é bem diferente. E o ataque bombista ao mercado foi com recurso a uma menina de 10 anos, certamente obrigada a isto, e quem sabe se não era uma das meninas raptadas pelo Boko Haram e que gerou a onda do #BringBackOurGirls.

Pode parecer indiferença; pode parecer hipocrisia do mundo ocidental e rico que só se interesse por tragédias no seu próprio quintal; ou simplesmente é o que é porque apesar de tudo existem diferenças entre os ataques em França, na Nigéria e mesmo os outros que vão acontecendo quase diariamente pelo resto do mundo. E essas diferenças explicam em parte o diferente tratamento.

Quando procurava uma imagem para acompanhar este post, encontrei este artigo no site da revista americana The Atlantic que aponta 2 diferenças. Listo aqui para quem não percebe bem o inglês, que são a falta de cobertura apropriada pelos media e o tratamento dado pelo próprio Governo da Nigéria ao Boko Haram que tem agido quase impunemente em partes do país e que até chega a ser ignorado em discursos de campanha pois a Nigéria vai a votos daqui a 1 mês.
O mesmo artigo menciona que o mundo não ignora propriamente essa zona do mundo pois gerou-se a onda do #BringBackOurGirls a uma escala nunca antes vista e, acrescento eu, essa onde foi muito maior do que a #JeSuisCharlie, mas também mais lenta a arrancar e mais duradoura.

Mas no meu entender há mais diferenças/justificações: o próprio facto de na Nigéria, como na Síria, Iraque e Afeganistão existir um confronto aberto, uma guerra civil mesmo, envolvendo vários grupos, já desde há alguns anos. Isso vulgariza as tragédias que acontecem nesses países. Ao fim de algum tempo já ninguém considera notícia mortes no Médio Oriente, explosões na Palestina, trocas de tiros no Leste da Ucrânia, execuções de pessoas no norte do México. Torna-se tão vulgar como noticiar um acidente de viação com vitimas mortais; choca algumas pessoas, mas ninguém pára para reflectir sobre a coisa, no máximo abranda um pouco.

Para nós ocidentais, já se tornou habitual as tragédias nesses sítios. Quantos de nós não pensa quando se ouve noticias de mortes, ataques e confrontos em África ou Médio-Oriente "Lá estão aqueles gajos a matar-se outra vez. Andam sempre nisto."?

Mas quando acontece uma tragédia, um ataque terrorista mais perto de casa, em países onde se vive uma vida pacífica e normal com poucos acontecimentos desta natureza, isto choca mais e mobiliza a sociedade. Ajuda também o facto de quase no imediato e mesmo em directo estes acontecimentos entraram nos nossos olhos e ouvidos por um sem fim de meios, como os tradicionais media, e a Internet nomeadamente as redes sociais. O facto de vermos em vídeo, pouco tempo depois de ter acontecido, a execução do polícia Ahmed num passeio de rua em Paris, é como um soco directo que nos atinge com uma violência grande, pois apercebemos-nos mais facilmente que podia acontecer connosco. Paris é logo aqui ao lado!
Mas eu não tenho duvidas que se em França durante uns meses existirem ataques similares de quando em quando, os últimos a acontecer serão tratados quase como um fait accompli, recebendo o mesmo nível de atenção e mobilização pelo resto do mundo, como os ataques recentes da Nigéria.

E ao mesmo tempo que nos queixamos que ninguém fala da Nigéria, já "nos esquecemos" também dos ataques dos talibans à escola no Paquistão (pelo menos 141 mortos grande maioria crianças) que até já foi no ano passado. E já nos esquecemos da situação (que é ainda) de guerra civil no Leste da Ucrânia.
Como humanos que somos, temos quase todos as mesmas falhas e somos também influenciados pelos acontecimentos do agora e do que se fala nos media e pela Internet. Não nos esqueçamos disso.

Concluindo: sim é injusto que o mundo apenas se revolte com estes atentados quando crimes bem maiores acontecem no resto do mundo que apenas têm direito a um pensamento e uma nota de rodapé. Mas é compreensível que os casos sejam tratados diferentes, porque sendo iguais na essência, são diferentes no resto.

domingo, janeiro 11, 2015

"Voltem para casa se não gostam de aqui estar"

Parece que ainda impera uma certa ideia que o semanário Charlie Hebdo apenas satirizava o Islamismo e por outro lado tinha medo de o fazer com o Judaísmo por causa das acusações de anti-semitismo, que a bem de verdade, surgem muito rapidamente de vários sectores da sociedade quando alguém se vira contra os judeus. Comprova-se é que ninguém se chateia com a sátira ao Catolicismo...
Mas não é bem sobre isto que quero dissertar, isto foi só para começar com polémica.

Uma vez que estou a ver o directo da Marcha Republicana em Paris transmitida pela TV5 Monde, mas imagens da France 2 (canal público francês), é indicado voltar a dissertar sobre temas relacionados que surgiram na sequência dos ataques em Paris desta semana.

Foram perpetuados por franceses, de origem estrangeira. Aparentemente ligados a grupo(s) dito perigoso(s), composto(s) sobretudo por outros franceses de origem estrangeira.
De certa forma é chocante ver pessoas que cresceram e vivem numa sociedade ocidental democrática e livre, mesmo com todos os seus defeitos, virarem-se contra os próprios países. Não é só de agora, basta ver os milhares de europeus que se juntaram às fileiras do Estado Islâmico, trocando uma vida que nos parece boa por outra de violência, intolerância e extremismo.
Perante isto muitas pessoas afirmam, e com uma certa razão, que se as comunidades estrangeiras na Europa não gostam nem concordam com a vida e valores de cá, que regressem aos seus países.
Como disse, é um argumento válido mas que falha um aspecto importante: a maior parte dos jovens que se juntam a grupos extremistas e se viram contra os valores europeus e ocidentais não são realmente estrangeiros. O problema é que não são estrangeiros nem europeus. Na verdade, e sobretudo para eles próprios, não são ninguém.

Eu noto isso pela minha própria experiência, filho de emigrantes em França, e pelo que vejo da familiares meus que estão noutros países, assim como o que vejo aqui na Holanda.
Os 3 implicados nos ataques desta semana eram todos franceses. Sim, a sua origem era em África (Argélia e Mali) mas eles eram nascidos e criados em França. No entanto os seus pais não são franceses (julgo eu) e como muitos outros que eu vejo, apesar de crescerem em França e estudarem no ensino francês, eles deverão ter crescido, como muitos outros, numa comunidade que se considera ainda argelina ou mali ou outra coisa qualquer menos francesa!

Até os filhos de emigrantes portugueses não são nem franceses nem portugueses. Nascem em França mas são filhos de estrangeiros. Crescem, educam e vivem como qualquer outro francês, mas têm sempre o estigma de serem estrangeiros. No entanto de Portugal conhecem apenas as férias, a língua e às vezes nem isso, os familiares distantes, o futebol e com sorte parte da cultura. Conhecem também o símbolo da Federação Portuguesa de Futebol que parecem confundir com o Escudo de Portugal presente na bandeira...
Mas os portugueses e seus filhos são europeus. Partilham muitas coisas em comum com os franceses e integram-se muito bem. Desde há algumas décadas estamos todos unidos na mesma entidade europeia e agora até partilhamos a mesma moeda.
Por isso um franco-português é só uma curiosidade.

Mas aqueles que têm outra cor, outra religião e vêm de outro continente ou qualquer lugar mais distante e diferente, carregam sempre esse estigma praticamente a vida toda. Mesmo passados tantos anos ainda não são vistos como franceses. Mesmo que já o sejam à varias gerações!
Só os bem sucedidos, como os ricos, desportistas, políticos, etc, são vistos como franceses de pleno direito.
Os Kouachi e Coulabily são aqueles que não têm pátria. Por isso são presas fáceis dos radicais que os convencem que eles têm de destruir a casa actual e construir uma nova à imagem deles (deles dos radicais). Isto pelo menos até eles se aperceberem que não podem fumar cigarros ou cenas, ver fotos de gajas nuas, sacar músicas no iTunes ou usar roupas e calçado de marcas ocidentais porque é tudo proibido...

Portanto mandar os jovens que se radicalizam de volta para casa não é solução. Eles não têm casa para voltar, e o país onde estão é a coisa mais próxima de casa que na realidade têm.
A solução passa por fazer da Europa, dos seus valores e ideias, a sua verdadeira casa.
Mas como se faz isto? Eu sinceramente não sei e acho que só o tempo vai resolver este problema.
Mas ainda muitos conflitos vão haver e muito sangue inocente vai jorrar até o equilibro aparecer, e os interesses obscuros que manipulam as peças nos bastidores perderem poder.
Mas depois outro qualquer problema social vai aparecer para trazer este tipo de conflitos de volta à Europa ou a outra parte do mundo.

PS - Como comecei a escrever isto antes das 16:00 e estou a acabar às 19:00, devido às interrupções típicas de quem tem filhos pequenos, parece-me que a qualidade do texto decaiu ao longo dos parágrafos pois os pensamentos "brilhantes" que surgiram ao reflectir nestas vicissitudes duma vida actual na Europa destes tempos foram-se esbatendo ao bater do teclado...

Gustavo Santos e Ana Gomes e o direito à idiotice

Comecei a pensar neste texto logo depois de publicar a dissertação anterior pois foi-me surgindo enquanto tomava duche e quando acabei fui escrever o rascunho com os pontos principais. Entretanto já apareceram textos públicos de celebridades maiores que eu que abordam o mesmo tema, portanto ainda sou capaz de ser acusado de plágio. Que assim seja, têm direito a o fazer e me insultar até, sob o risco de receberem um insulto ainda pior de volta.

Sobre o que escreveu Gustavo Santos já quase toda a gente deve saber. Muita gente criticou e até apareceu a hashtag #GustavoVaiProCaralho por não concordarem com o que ele disse. Para mim ele disse uma idiotice, não tão grave como pode parecer pois realmente ele não afirmou que os cartoonistas mereceram o ataque, mas por insinuar que estas coisas acontecem quando se abusa das sátiras. Para mim a idiotice é não perceber que afirmar que as pessoas têm de se conter no que dizem pois vão existir represálias é aceitar pressões externas, neste caso vindo do terrorismo que nos verga pela imposição do medo, e por outro lado dar a entender que temos de ser todos insossos e politicamente correctos quando se fala de alguma coisa para não ofender ninguém pois isso é mau.

Mas teve outra personagem que disse uma coisa ainda mais idiota, e pelos vistos passou bem mais incógnita pois só vi uma publicação no Facebook sobre ela. Foi a Ana Gomes, euro-deputada socialista, que disse que os ataques eram também resultado do excesso de austeridade (é isso que quer dizer austerismo) na Europa! Sim, a austeridade pode criar cisões na sociedade e levar a actos de revolta, mas estes actos terroristas não me parece. Cara Ana Gomes, estes ataques foram em França onde temos um Governo Socialista no poder cujo presidente queria romper com a tal austeridade e implementar políticas de crescimento.
Depois se a austeridade fosse realmente uma causa possível e factor relevante para levar alguém a cometer estas barbaridades porque é que não houve algo similar quando lá estava o Sarkozy a fazer austeridade com força e a gerar mais divisão social? E porque é que algo parecido não aconteceu ainda na Grécia, Portugal Espanha ou Itália, países que parecem ter sido bem mais afectados do que a França?
Acho que a Ana Gomes quis logo fazer um aproveitamento político de um acto terrorista com ligações extra-europeias, perdendo uma boa oportunidade para ficar calada e demonstrando outra grande idiotice.

Mas o ponto fulcral de toda a recente discussão está mesmo aqui. Apesar de achar idiotas os textos do Gustavo Santos e da Ana Gomes, respeito o direito que eles têm a dar a sua opinião. Aliás se não a dessem não tínhamos coisas para criticar a até insultar. E eles podem responder, com todo o direito, a nós que os atacamos. Podem até mesmo levar o caso à justiça se assim o quiserem.
E é mesmo assim que deve ser e se procede numa sociedade de direito, livre e democrática.

Eu tenho algumas máximas, ou dizeres, pelos quais me rejo a maioria do tempo:
  - Respeitinho (por mim e outros) é bom e eu gosto;
  - A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro.
Mas por outro lado
  - Nada é tabu nem imune à piada;
  - Do mesmo modo que perguntar não ofende, não nos devemos ofender pela resposta;
  - As opiniões são como as vaginas, cada um tem a(s) sua(s) e dá-la(s) como bem entender.

Sei que nem toda a gente segue as mesmas regras, mas acho que é bom que vivamos numa sociedade onde podemos seguir (certas) regras diferentes e mesmo assim conviver. Certo que de vez em quando a malta chateia-se e outros metem gente em tribunal por difamação ou agressão verbal. É mesmo assim que funciona e assim deve continuar a ser.

Só um outro apontamento: Tenho notado agora que a coisa arrefeceu o aparecimento de vários textos críticos em relação à onda do #JeSuisCharlie e todas as suas variantes. Tem razão quem diz que não somos todos Charlies. Não sei se tem razão em dizer que muitos são hipócritas ao utilizar estas palavras. Acho que estes críticos estão-se a esquecer que a utilização da imagem e destas palavras é também, e digo mesmo é sobretudo, uma forma demonstrar a sua tristeza pelo ataque e solidariedade e apoio às vitimas e pessoal relacionadas. Da mesma forma que o mundo inteiro escreveu #BringBackOurGirls sem que no entanto fossem pais ou familiares das raparigas sequestradas pelo Boko Haram, nem sequer ponderar ir até à Nigéria e ir buscar as raparigas.
Outros terão também usado a hashtag para dar visibilidade aos seus textos, tal como eu notei ao usar esta hashtag tão em voga, e ter de repente mais seguidores e twits re-twitados em poucos dias depois de anos quase no anonimato no Twitter...
Mas sim, também há aqueles que empunharam as palavras apenas para ter aproveitamento e fazer campanha política. Tal como a Ana Gomes tentou sugerir que com as suas políticas de crescimento, estes atentados não aconteceriam...

PS - Quem está a ler é livre de concordar com o Gustavo Santos e a Ana Gomes e eu sou livre de continuar a achar uma idiotice.

sábado, janeiro 10, 2015

A ausência da coerencia de todos nós

Todo este tema dos ataques em Paris tiveram um impacto um pouco maior do que o costume em mim. Como escrevi por ser 1/3 francês e por achar que a França, com a sua maior comunidade muçulmana na Europa, a sua diversidade e sociedade multi-cultural, e enfrentado já problemas étnicos desde há alguns anos, seria o exemplo do futuro da Europa depois de encontrar o equilíbrio semi-perfeito.

Não sei se algum dia chegarei a dissertar sobre isto, pois vários pensamentos já me passaram pela cabeça, já escrevi várias coisas do momento, seja aqui, no Facebook, em comentários a outros blogs e pelo Twitter que se tornou o principal meio de partilhar pensamentos e notícias.

No entanto quero apenas dissertar rapidamente sobre os comentários que tem surgido por todo o lado, e até o que eu tenho constatado e pensado por mim, pois sou por vezes tão incoerente como os outros.

A Carolina ontem disse-me que estava a seguir pela CNN e que era uma maluqueira porque eles só falavam que nos EUA nunca aconteceria isto porque os gajos já eram conhecidos dos serviços de vigilância, enfim o paleio do costume. Parece que os americanos se esqueceram dos irmãos Tsarnaev que fizeram o ataque da maratona de Boston. É certo que esses irmãos era muito mais low profile, mas estavam também referenciados, pelo menos o mais velho, nos serviços de vigilância.

Uma das coisas que mim me chocou é que 2 dos 3 supostos terroristas (terroristas porque espalharam o terror e não por serem necessariamente afiliados de organizações ditas terroristas) já terem estado presos precisamente por ligações a conhecidos, e condenados, terroristas. Li escrito no Le Figaro que o Amedy Coulibaly, de origem mali, que já tinha estado preso e tentou fugir em 2010, foi condenado em 2013 a 5 anos de cadeia. Curiosamente pouco mais de 1 ano e estava cá fora a matar pessoas. Bonito né? E as pessoas perguntam-se, incluindo eu, como é possível isto? Mas por outro lado, muitas outras vezes, às vezes as mesmas pessoas de agora, queixam-se que se vive num estado repressivo e policial e se prende demasiadas pessoas. Portanto Amedy Coulibaly estar cá fora e ter acesso a armas e continuar em contacto com outros malucos como ele, é normal e apenas o reflexo duma sociedade que acha que não se deve punir. Mas depois a mesma queixa-se que se pune pouco, quando as coisas correm para o torto. Tipo como o caso do juiz que mete um assaltante de carros 4 dias consecutivos cá fora apenas com termo de identidade e residência até que o mesmo assaltante, ironia do destino ou justiça celestial, rouba o carro do próprio juiz à saída do próprio tribunal (aconteceu em Aveiro)!

Temos também o caso das pessoas acharem que existe muita pressão sobre os media, e falta de verdadeira liberdade de expressão pois alguém que fale contra o poder estabelecido arrisca-se a perder o emprego ou a ser alvo de investigações e ameaças, mas depois quando 2 palermas levam essas ameaças por diante, muitas das mesmas pessoas já acham que tem de se ter cuidado no que se diz e que não se pode ofender certas entidades ou grupos.
Ao mesmo tempo que se pede liberdade diversas vezes ao longo do ano, estamos dispostos a abdicar de parte dela e ficar caladinhos e quietinhos em relação a certos temas dito polémicos, com medo de sofrer represálias. É esta a verdadeira vitória do terrorismo; basta nos impor o medo e com ele conseguir vergar as pessoas de bem.

E o reverso da medalha de todos estes ataques é que volta novamente a ganhar força as ideias que tudo tem de ser escrutinado e controlado. Falo mais especificamente nas comunicações, incluindo a Internet, e até mesmo da vida privada das pessoas. Já existe um abuso na monitorização das vidas privadas de certas pessoas, e muitos de nós sabemos disso e falamos sobre e contra isso, mas agora, como houve merda, lá vêm os "vira-casacas", que só andam ao sabor da maré, dizer que é preciso controlar, vigiar e escrutinar ainda mais.
Mas os mesmos que agora dizem isso, estarão daqui a uns meses a brandir aos céus a sua revolta por terem de demorar ainda mais tempo a passar a segurança nos aeroportos, que o Google e o Facebook controlam tudo e sabem tudo, e que os Governos estão a ser cada vez mais um Big Brother e ninguém é realmente livre...

Termino com o pensamento que me surgiu logo que li os primeiros relatos que os assassinos gritaram Allāhu Akbar quando atacaram a redacção do Charlie Hebdo.
É conveniente e simples que os atacantes sejam extremistas islâmicos. Da mesma forma que é natural em muitas cidades que um vulgar assaltante seja um negro. Mas o que pensei mesmo é que iriam surgir em pouco tempo as típicas teorias da conspiração que estes actos, tal como os 2 voos da Malaysia Airlines, tal como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico (ISIS), tal como o conflito na Ucrânia, são obra dos Americanos e Judeus (Israel). No caso da Al-Qaeda e do ISIS é verdade até certo ponto. Mas continuando, já era de esperar essas teorias. E na realidade têm pontos válidos, como o conveniente que foi um dos irmãos ter deixado o seu cartão de identidade no carro, eles terem sido cordiais com as pessoas que assaltaram e terem deixado instruções claras para dizerem aos media que eram da Al-Qaeda do Yemen, e como os 3 entraram em contacto com a BFM para repetirem a mesma mensagem, apesar do gajo na Porte de Vincennes dizer que era do Estado Islâmico. E depois são os 3 mortos para que não haja azo a negações e contradições durante o interrogatório (e mais tarde julgamento).
É tudo verdade e verosímil, mas não podemos deixar de notar que num caso como este as autoridades conseguem encontrar muitos indícios e existem várias testemunhas e vitimas que deram declarações. Todas estas pessoas tiveram de ser compradas e se o golpe é dos Americanos, temos de ter franceses e muitos deles críticos do poder, a fazer o joguinho de estrangeiros e do poder estabelecido.
Não se esqueçam que os membros do Charlie Hebdo já criticavam tudo e todos e duvido seriamente que os sobreviventes agora vão ficar calados e pactuar na maior com uma conspiração internacional.

Costuma se dizer que a explicação mais simples e que responde melhor a uma questão é, na grande maioria dos casos, a correcta. É fácil e é conveniente para muitos interesses, mas acredito por enquanto que os principais responsáveis por estes ataques foram os 3 palhaços mais os que os suportavam e influenciaram. Que há interesses maiores e obscuros por detrás de tudo isto, também não tenho dúvidas nenhumas.

O pior disto tudo foram as 17 vítimas mortais, os 12 no ataque ao Charlie Hebdo, a polícia municipal em Montrouge no dia seguinte e ontem as 4 no super-mercado kosher na Porte de Vincennes.
Paz à sua alma e que as suas mortes não sejam em vão e sejam infelizmente um passo triste na direcção correcta que é a vivência cordial e pacífica entre credos, etnias, raças e classes.
Mas até lá chegarmos vão continuar a haver mais vitimas, como continuaram durante estes dias na Nigéria, Iraque, Síria, Líbia, Ucrânia e tantos outros países onde as pessoas matam pessoas porque ainda não evoluímos o suficiente.

quarta-feira, dezembro 17, 2014

Gostar não é razão suficiente?

Há uns dias, semanas já, dizia um colega meu que tinha deixado de tomar café porque o café afinal não dava mais energia apenas fazia voltar à energia normal que se tinha antes de se ter viciado em café. Algo assim do género, admito que não me lembro bem dos detalhes pois nem estava 100% atento, mas lembrei-me logo de lhe dizer "então mas gostar de café não é razão suficiente para se tomar?" e acrescentei de seguida "eu não tomo café para me sentir melhor, tomo porque gosto de tomar um expresso no final da refeição".
Enquanto falava com o gajo, este tema começou "a crescer" em mim. Mas é preciso existir algum outro motivo superior para se fazer ou consumir algo, que não seja simplesmente o gostar?

Às vezes parece que vivemos numa sociedade que sente culpa em gostar de coisas e então tem de arranjar desculpas técnico-científicas para se justificar.
Basta ver o sem fim de notícias da treta (para mim são da treta) que enumeram novos estudos que, e apenas a título de exemplo, provam que chocolate faz bem, a cerveja tem propriedades benéficas, o vinho tinto contem propriedades que melhoram a condição cardíaca, e coisas assim do género.

Até para actividades (ou falta delas), arranjam-se motivos. Tem pessoas que são viciadas em exercício físico mas a justificação é porque faz bem. Ou então aqueles que não gostam, como deve ser caso da maioria e depois lá aparece um estudo para desculpar, pois diz que ir ao ginásio afinal tem resultados práticos muito baixos ou nulos.
São desculpas para que as pessoas se sintam bem com o que fazem. E por outro lado é por vivermos numa sociedade do politicamente correcto e não se poder simplesmente dizer que se gosta de comer porcarias, beber álcool e fumar umas cenas. Não se pode, parece mal, é errado, então come-se porque é anti-depressivo, bebe-se porque ajuda à circulação e fuma-se porque é um calmante natural que faz menos mal que as drogas químicas.
Qualquer dia não se pode dizer que nos sabe bem peidar (ou seja peidamos com gosto) mas porque precisamos de o fazer para libertar o corpo de energias negativas que nos arrasta o karma para baixo!

Isto chega-se a um ponto tão ridículo de se arranjar desculpas para tudo, que noutro dia deparei-me com um artigo publicado que apresentava umas 16 razões para se fazer sexo todos os dias. Mas porquê 16 razões?!?! Basta apenas uma e está logo no título: SEXO TODOS OS DIAS! É razão mais que suficiente para se fazer.
Obviamente não nos apetece todos os dias, ou apetece mas estamos cansados de comer chocolate e beber jolas que não conseguimos, mas é bom saber-mos que está previsto todos os dias.

O título desta dissertação é uma pergunta que se responde automaticamente e com o mesmo texto. ficou à minha escola usar o ? ou o ! e como não sabia se seria politicamente incorrecto, optei pela pergunta.
Conclusão é simples: O gostar devia ser razão suficiente e não deveríamos ter problemas em admiti-lo.

terça-feira, novembro 04, 2014

O mundo vai acabar à cornada, por isso...

Não posso falar por todos, mas posso falar por mim, mais especificamente daquilo que conheço de amigos, familiares e conhecidos.
Dizia um tio meu (já falecido, paz à sua alma) que o mundo ia acabar à cornada e por isso um gajo tinha de arranjar cornos. Esta tirada era muita vez o seu comentário quando nas conversas de Domingo à tarde em família lá se falava de sicrano ou beltrano que andavam a comer fora de casa.

Ao longo dos anos, com aquilo a que assisti, casos que foram acontecendo e mesmo histórias de tempos idos, formei a opinião que existe muita "putaria" neste mundo. E por putaria não quero dizer gajas que são oferecidas e envolvem-se com terceiros, quero dizer gajos e gajas que quase parecem que andam à procura da próxima pinocada com outrem (que não o parceiro).
Muito se fala da infidelidade, mas são tantos os casos que dou por mim a pensar se na realidade não será esse o comportamento normal das pessoas.
Isto é de tudo e é transversal às classes sociais e educação ou formação das pessoas.

De gente rica e famosa é mais que sabido os muitos casos de traição. Nas universidades, em todo o tipo de cursos, há sempre aquele e aquela que metem os cornos à namorada e namorado à força grande.
Em empresas fabris, tem malta que foge para os armazéns para mandar uma rapidinha às escondidas, no meio das caixas, com uma colega que é casada (e depois mais tarde vem o marido armar um banzé na entrada da fábrica).
No meio artístico são muitas as histórias dos amassos nos camarins e dos bacanais em quartos de hotel durante as digressões.
No sector de vendas e negócios é normal os jantares que são de negócios acabarem num clube de strip ou mesmo bordel. Ou então mandarem profissionais do sexo para os hotéis onde estão hospedados os clientes.
Até na agricultura existem histórias de trancadas no meio dos campos de milho ou de encontro a um pinheiro que estragam a roupa obrigando a arranjar desculpas quando se chega a casa.
Ou a senhora casada, que trabalha na farmácia, que tem 2 amigos (também eles em relações) à espera no final do turno e a levam para o meio dos canaviais para experimentar quantas posições conseguem fazer dentro de um Alfa Romeo.
E obviamente a malta que trabalha na construção e viaja por todo o país, e que têm sempre de ir noite sim noite não a um clube qualquer, ou a um apartamento que vem listado nas páginas dos contactos dos jornais, porque um homem trabalha no duro durante o dia e precisar de dar no duro à noite e a mulher ou namorada estão longe.

Enfim, uma pessoa repara que o meu tio é que sabia bem como rolava a febra, e por isso dava esse conselho estranho.
Mas o que realmente fica a bater na minha cabeça é que no universo de conhecidos, apercebemos-nos que existe uma grande percentagem, quase 50%, de pessoas que não são fieis nas suas relações.
Mas por outro lado pensamos que isso são só mesmo conhecidos, que os nossos amigos e colegas, as pessoas com quem nos damos mais frequentemente, são diferentes. Como é habitual em nós seres humanos, supomos que é só com os outros e não connosco (neste caso o connosco engloba o circulo mais próximo de amizades).
Mas será que é mesmo assim? Se pensarmos bem, será que todos os nossos amigos, ou mesmo nós próprios somos assim tão melhores que os outros?
Mais uma vez, não gosto de falar por quem não conheço, mas estatisticamente é impossível. Estatisticamente temos de ter gente próxima que é precisamente como os outros, e se mete ou gosta da putaria (rever o meu conceito deste termo ali em cima).
E ao pensarmos bem, vemos que afinal somos todos iguais. Também temos alguém que é muito amigo ou amiga, mas que gosta de "mijar fora do penico". Conheceremos também amigos próximos que até já se terão divorciado oficialmente por diversas razões mas infidelidade será muito provável. Até conheceremos alguém na família que gosta de ser moralista mas mantém uma relação extra-conjugal de longa data.
E isto sem falar daquilo que garanto toda a gente ter, um amigo/a que foi traído/a pelo parceiro.

E nestas alturas, quando faço estas contas e chego a estas conclusões, começo a traçar cenários curiosos. Naquela malta impecável que vamos conhecendo, estatisticamente existe uma forte probabilidade de encontrarmos pessoas dispostas a trair o parceiro. Aquele gajo que trabalha alguns dias até mais tarde, se calhar anda a malhar numa colega de trabalho. Aquela rapariga que fica em casa porque ainda não encontrou emprego, se calhar recebe visitas de um moço que conheceu há pouco tempo, enquanto a mulher desse mesmo moço tem uma relação homossexual com a professora de música da filha deles, porque o marido da professora é um frouxo e não lhe dá o que ela precisa. Aqueles 2 colegas de trabalho que vão sempre tomar café juntos e têm uma certa cumplicidade, se calhar não são apenas bons amigos mas na verdade andam-se a comer enquanto os seus conjugues combinam jantares e saídas para os fins-de-semana pelo Facebook.
Enfim, um sem fim de cenários que me deixa as vezes a olhar de forma curiosa, e por vezes mesmo assustadora, para os conhecidos que vou encontrando.
E se calhar agora, vocês também vão olhar para os vossos da mesma forma.


Só para terminar, um apontamento completamente diferente, mas deixo agora para não ficar atrasado como da outra vez.
Falei aqui há dias do aparente desfasamento entre as más notícias sobre o Ébola e os dados positivos.
Pois eu também estava desfasado. Comentei que tinham aparecido as notícias da redução da taxa de contágio e já ela estava em queda há umas semanas, mas afinal os dados mostraram um novo aumento dos novos contágios. Repetiu-se o que tinha acontecido em Maio e tivemos nova inflexão na taxa de crescimento. Será que apenas tivemos a ilusão que o surto estava controlado? Ou estava mesmo mas mais uma vez perdeu-se o controlo? E perdeu-se por falhas nas medidas de contenção, desleixo ou o vírus terá mudado? Volto a esperar que as autoridades continuem atentas e actuem devidamente. E não andem ao sabor da opinião publica e dos media, porque parece que a percepção geral é sempre ao contrário da realidade.
Espero não ter que escrever daqui a uns tempos a tal dissertação "A morte que virá de África".

quinta-feira, outubro 30, 2014

E foi quando "toda" a gente começou a ficar histérica...

... que a a luz ao fim do túnel surgiu.

É curioso que quando começaram a aparecer novos contágios de Ébola fora de África (Europa e América) e os media do dito mundo ocidental começaram a reportar à doida, foi precisamente quando os primeiros dados positivos sobre este surto surgiram.
Apesar de apenas agora aparecer na discussão publica as notícias que a taxa de crescimento do contágio está a reduzir, de acordo com alguns dados a taxa de crescimento começou a reduzir a partir de 15 de Setembro (há mais de 1 mês).
Nos inícios de Outubro, quando o resto do mundo que parecia desinteressado pelo Ébola porque não se transmite facilmente (mas afinal o suficiente para profissionais de saúde teoricamente com os métodos e cuidados correctos apanharem, e depois sem saber, poderiam obviamente contaminar as pessoas próximas) ficou em alerta, já havia quem achasse que estávamos finalmente safos.

Curiosamente foi através do blogue do Prof. Cosme Vieira que fiquei mais atento a este surto, pois sendo ele um professor de Economia olha para os números e factos. Este surto do Ébola parecia que estava controlado mas de repente descontrolou-se (devido sobretudo ao aperceber da realidade no terreno). E um surto epidémico é considerado descontrolado quando a taxa de crescimento, o aumento do número de novos contágios, aumenta. Do mesmo modo está controlado quando essa taxa começa a diminuir.
Vamos lá clarificar uma coisa: a taxa de crescimento reduzir não quer dizer que não há novos infectados, apenas que de um dia para outro, ou de uma semana para outra, o numero de novos infectados não aumenta tanto como no período anterior.

Uma da coisas que me preocupava no Ébola é que se não conseguíamos controlar a coisa com milhares de infectados (depois dezenas de milhar), como é que se iria conseguir quando esse número chegasse às centenas de milhar? Aquele aviso da ONU e da OMS que arriscávamos-nos a chegar ao final do ano com 1 milhão de infectados não era descabido; era um cenário possível substanciado pelos números
De notar que este surto apareceu em Dezembro de 2013 e andou-se uns meses em que nada ou pouco se fez e permitiu-se que se espalhasse e ficasse fora de controlo.
Felizmente as medidas parecem que começaram a surtir efeito ainda antes da "histeria" pública ocidental.
E apesar de concordar com opiniões que surgiram que as pessoas estavam a fazer uma tempestade em copo de água, combater este surto tinha e tem de ser feito de forma séria e aplicada pelas autoridades mundiais. Deixar andar porque é lá em África e o risco de contágio é reduzido resultou num risco maior do que alguma vez deveria ter sido. Ao mesmo tempo permitiu-se depois o aparecimento de interesses como a industria farmacêutica a falar de vacinas, e nessa altura interessa então deixar toda a gente com medo, tal como aconteceu com a Gripe das Aves.

Mas agora vou confiar nas notícias positivas e achar que o surto está no caminho de ser contido e em breve não há novos contágios. Assim safamos-nos de mais uma "ameaça", esta que vinha de África.

Nos inícios de Setembro tinha começado a escrever esta dissertação sobre o tema. Era na altura em que estava mesmo preocupado, até porque para a Europa haviam várias ameaças. a vários níveis.
Só escrevi o paragrafo seguinte:
Estava eu aqui a pensar em cenários apocalípticos sobretudo para o Continente Europeu, pois vários acontecimentos parecem ser um repetir da História e temos outras ameaças internas a aparecerem.
ara além dos problemas típicos da Europa, com as quezílias internas e problemas económicos, ainda temos a ameaça Russa a Leste e a ameaça dos fundamentalistas islâmicos dentro da próprio território e a Sul e Sudeste (Líbia e Tunísia ficam mesmo a Sul).
E para juntar à festa temos a epidemia do Ébola.


O título era para ser "A morte que vem de África" e ia abordar também um ponto interessante: que a taxa de morte e de contágio entre não-africanos era muito reduzida, o que podai ter a haver com a natureza do vírus, para alem de todas as outras condicionantes, como os não-africanos estarem por regra melhor nutridos e ter acessos a melhores cuidados de saúde. A ideia seria terminar a dizer que como de costume os desgraçados dos africanos é que estavam fodidos.
E na verdade mesmo agora com as boas notícias, eles é que continuam a estar fodidos, como de costume, porque se não é o Ébola é outra doença, é a fome, a pobreza ou um qualquer conflito...

Quanto a nós aqui na Europa, continuamos a ter "muitos" problemas, mas como dizia uma colega meu, é problemas de rico. Um gajo queixa-se porque há crise económica; porque o miúdo anda mal e não deixa dormir há várias semanas; porque precisa de desanuviar a cabeça do stress do trabalho; porque desde o ultimo update do tablet que o Facebook não funciona; porque não se encontra tanta variedade de cerveja no super-mercado como no Luxemburgo, etc...
Bem, de volta ao trabalho que já desanuviei que chegue.

terça-feira, agosto 12, 2014

São parecidos, mas tão diferentes ao mesmo tempo

A navegar pelas notícias do dia, deparei-me com esta reportagem que me despertou a curiosidade para comparar com a minha experiência, uma vez que faço também esta viagem (apesar de me parecer que usam um trajecto diferente já em Espanha).

Aqui na peça temos uma família emigrada há relativamente pouco tempo. Pai com 37 anos, como eu (quase). Mãe com 32 anos ,como a Carolina. 1 filho e 1 gato, como nós, apesar do nosso ser filho ser bem mais novo e termos uma gata.
Em verdade, também nunca fizemos esta viagem os 4, pois é muito dura para o bebé.

Mas a curiosidade para mim foi muito mais além da viagem. Temos um casal com a mesma idade que também não cresceu numa cidade, mas acabam aí as semelhanças. curiosamente olhando para as fotos do artigo vejo-os bem mais velhos do que nós. eles aparentam a idade que têm, da forma como eu via as pessoas com mais de 30 anos quando era novo. Eu não nos revejo naquele casal.

Mas passando essa parte das imagens, há algumas semelhanças. Vamos de carro para Portugal. Levamos GPS e temos ambos Renault. Eu até tive um Laguna que fez várias vezes esta mesma viagem!
Algumas diferenças é que eu raramente sintonizo a estação 107.7, pois de nada me serve saber que vamos demorar X horas a passar um determinado ponto do trajecto, pois não há grandes alternativas...
Também não me rio a ouvir GPS (ouvir GPS, que raio de coisa), mas é verdade que se leva um farnel para comer pelo caminho.

Tenho é a certeza que a família, Maggie incluída, não aguentaria quase 20 horas de viagem...

sexta-feira, maio 30, 2014

Também em pimbeiro dá 15 a 0

Por alturas de um Mundial ou Europeu os países participantes costumam encher-se de um espírito pimbeiro, típico para estes ambientes de festa onde se gostam de coisas animadas. Isto nota-se muito nas decorações e nas canções que invadem as TVs e as rádios.

Em Portugal depois de uma "Dança do Campeão" com ritmos africanos, temos a música oficial "Vai Portugal" feita por um estrangeiro e também a lembrar ritmos de World Music fundido com Pimba e onde até a Kika nem parece estar a cantar normalmente (nem tom nem sotaque). As músicas parecem ser fraquinhas, mas a do Unas ainda tem a desculpa de (poder) ser uma piada.

Mas se há coisa que nunca podemos subestimar é o nível pimbeiro deste povo aqui dos Países Baixos. Não sei o quão oficial é este tema, é pelo menos um usado por uma cadeia de supermercados também chamada Jumbo mas nada a ver com o Jumbo de Portugal:


Isto deixa-me a pensar que a música do Festival Eurovisão que eles mandaram, que dava 15 a 0 à da Susy, terá sido uma anormalidade.

Já agora só mais alguns exemplos do que aparece por aqui, em termos de músicas para o Brasil 2014.
Do mesmo género da de cima mas filmado no Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=WoarNtKdg1k
Uma bem ao estilo de balada épica pimbeira de outros tempos:  https://www.youtube.com/watch?v=mDSMut-rUyM
Ou ainda pior, usar-se uma música em espanhol, pois Brasil, América do Sul é tudo igual: https://www.youtube.com/watch?v=HeopBeuX6Zk

Pensando melhor as músicas de Portugal nem são tão más assim...

quinta-feira, maio 15, 2014

Ser, ou não ser, anti

Estava para partilhar a minha teoria antes do jogo de ontem sobre esta coisa dos adeptos dos clubes rivais que apoiam os adversários, mas achei que já era falar demais sobre futebol.
Mas depois um comentário no Facebook abriu a porta a eu soltar a língua (os dedos neste caso) e acabei por "dissertar" num comentário em resposta.

Assim como já escrevi umas dezenas de palavras sobre a coisa, passo agora para o local próprio, o das minhas verborreias mentais:

(...)aproveito a tua dica para falar um pouco desse fenómeno do apoio aos adversários do rival.
Quando era mais novo achava mau esse comportamento, apesar de pessoalmente nunca apoiar verdadeiramente o SCP ou o FCP em jogos internacionais. E era normal a malta dizer que só em Portugal é que as pessoas eram mesquinhas, por não apoiarem os portugueses em jogos internacionais. Depois fiquei a saber que lá fora é bem pior. Um "verdadeiro" adepto do Everton por exemplo, festeja sempre e com muito agrado uma derrota do Liverpool em competições europeias. E isto tem a sua lógica pois o sucesso do rival contribui para o desapontamento com o insucesso do nosso clube.*
Agora que estou mais velho e (in)sensato, já tenho uma opinião finalizada sobre o assunto:
Não se pode pedir exigir às pessoas que apoiem clubes rivais em competições estrangeiras. Um portista tem direito a querer que o Benfica perca, e isso agora já não me faz espécie, considero até normal por causa da rivalidade entre os clubes. O que já acho desnecessário, e de mau gosto, são as manifestações, muitas vezes excessivas, públicas disso mesmo. Seja de que clube for. Até porque julgo que qualquer pessoa normal tem amigos adeptos de outros clubes, logo é uma falta de respeito com os nossos amigos estarmos a festejar, e ainda atirar sal para a ferida, os desaires e desgosto deles.
Mas na mesma as pessoas são livres de quererem uma derrota e até de comentarem algo nesse sentido, desde que evitem o gozo e a humilhação.
Infelizmente, como já escrevi no blog em tempos, julgo que existem demasiados desses comportamentos, mais do que deveria ser normal, na minha rede de "amizades"...

* Frase acrescentada já após publicação.

terça-feira, maio 13, 2014

Ganhou a música ou a barba?

Para mim ganhou a barba. Um Festival onde cada vez mais ganha a coisa que causa mais impacto, a barba da "mulher" foi o que se destacou mais.
Pois e tal, os pós-modernos até dizem que é uma coisa muito linda. Alguns dos quais criticam, forte e feio, bigodes em mulheres, já acham bonito uma barba num travesti, ou drag queen, ou lá o que o gajo quer representar.
Para mim é simples: se um gajo quer ser gaja está à vontade, assim como uma gaja querer ser gajo. Agora ser as 2 coisas ao mesmo tempo ainda não me entra. Será mais uma das "evoluções" da sociedade? Pessoas que parecem os 2 géneros ao mesmo tempo?

Bem isso leva a outro tipo de reflexões e discussões. Para mim este caso da Conchita (nome latino para um austríaco) só é mais uma prova que no Festival da Eurovisão muita coisa importa, menos a música. Mas admito que a "Rise Like a Phoenix" parece mais música e melhor interpretada que o "uauaué uaué" que os tugas escolheram...

Mas na realidade, mais do que deixar umas ideias sobre mulheres de barba e músicas foleiras, criei isto para deixar um apanhado de fotos giras relacionadas (são poucas, só 34) com o tema.
Aí vão elas:





segunda-feira, maio 05, 2014

12 Anos Escravo

Não li o livro, se bem que será certamente muito interessante, mas acabei de ver o filme. Não há muitas coisas que se possam dizer. Muitos pensamentos me passaram durante o filme, alguns risos sarcásticos pelo comportamento humano, outros momentos de contemplação pela fotografia e pela "nudez" de certas cenas.
No final não consegui evitar umas lágrimas no canto do olho e de ficar parados uns minutos a pensar apenas num longo: FODA-SE.

E prontos, é isto...

quinta-feira, abril 10, 2014

Todos os dias é dia de algo

Navegando pelo Facebook hoje, comecei a ver publicações referentes ao Dia do Irmão. Admito que era coisa que desconhecia e fiquei a pensar se era mais um movimento cibernético ou na realidade existe um Dia Internacional designado por alguma entidade tipo ONU ou assim como existem tantos outros.

Fui investigar e comecei por encontrar logo no Ask.com uma resposta que é celebrado no último Sábado de Março. E havia uma referência ao site brotherandsisterday.com e tudo.

Mas a data não coincide! Como podem estar tantas pessoas no Facebook enganadas? Será que para os portugueses isto é outro dia?
Continuei a investigar...

O cute calendar fala do mesmo dia com o mesmo nome, diz que é celebrado internacionalmente, mas é apenas a 2 de Maio de 2014, ou seja, falam ainda 22 dias!
Mau, assim não pode ser. Um site diz que já foi, outro diz que falta. E a malta do Facebook continua enganada? Hummm...

Toca a ir ver o que diz a my beloved Wikipédia. E aqui está a prova que faltava! Afinal no dia 10 de Abril celebra-se mesmo nos States o Sibling Day, que traduzido dá no Dia do Irmão.
Curiosamente tanto este como o Brother & Sister Day foram criados há poucos anos e por mulheres para homenagear os irmãos que morreram.
Mas uma coisa parece-me clara. Dia 10 de Abril é dia nacional do irmão nos States. Portanto a malta não norte-americana celebrar no Facebook parece-me um pouco precipitado.

E resta saber quando é que é realmente o Dia Internacional. Tem de existir porque todos os dias é dia de alguma coisa.
Tentei encontrar rapidamente mas não me apareceu logo, mas haverá certamente também o Dia Internacional da Merda e o Dia Internacional do Esgalhanço do Pessegueiro. Este último, tal como o Dia do Irmão, pelo menos já existe nos States...

sexta-feira, março 28, 2014

Embaraçados com as pensões

Então os membros do Governo estão chateados porque saíram notícias a falar sobre cortes permanentes nas pensões para substituir a CES, que pelo próprio nome, era uma medida Extraordinária.
Coitadinhos, têm mesmo razão para ficarem embaraçados. É mais uma prova que não existe seriedade, honestidade nem coragem para fazer o que é necessário. Ao invés de se reformar o sistema de pensões, continua-se a ir pelo caminho de se cortar apenas. A CES vai-se transformar na CPS. E do mesmo modo volta-se a assumir que quem ganha mais de €1000 euros é rico, pois será a partir daí que haverá cortes. Isto até se aperceberem que a nível de salários cortaram acima de €650 e mais uma vez corta-se mais em quem trabalha do quem já trabalhou... Ou não...

Eu já defendo há muitos anos uma grande alteração no sistema de cálculo das reformas. Mas há quem sempre diga que mexer nas reformas é atacar uma classe desfavorecida e desprotegida. Que precisam para ajudar os filhos e netos (que pagam elevados impostos em parte para manter as reformas actuais). Que os reformados têm direito à sua reforma porque descontaram para ela. E em linha com o anterior, que os reformados são credores do Estado e a reforma é apenas o receber do empréstimo (descontos) que fizeram quando trabalhavam!

Isso é tudo muito lindo fosse verdade. Na verdade a nossa Segurança Social não funciona como um vulgar Fundo de Pensões em que a nossa contribuição é colocada de parte a capitalizar e depois quando nos reformamos vamos recebê-la. Poderia ser assim, é verdade, mas aí as pessoas iriam notar que não receberiam tanto como com as actuais regras.
Na verdade a SS é um sistema solidário de transferência inter-gerações em que o que é descontado hoje serve para pagar as pensões de quem está reformado hoje. Não existe capitalização dos descontos porque são imediatamente entregues aos actuais reformados.
E foram decididas regras de cálculo das reformas para as quais se sabia que os descontos não eram suficientes. Mas funcionava porque na altura havia poucos reformados e muitos contribuintes, assim como descontava-se 45 anos e só se recebia reforma uns 15 (o que permitia que a reforma fosse 3x superior aos descontos sem o sistema entrar em falência). Mas de há uns anos para cá existem cada vez mais reformados, e com o aumento da esperança média de vida, estão muitos mais anos a receber. E como as pessoas começam a trabalhar (com descontos) cada vez mais tarde estamos numa situação em que financia-se a SS durante menos anos, mas recebe-se dela mais. Isto é insustentável digam o que disserem!

E ainda pior quando temos casos como a Assunção Esteves. Ela, que não é caso único, consegue ser um exemplo para várias coisas erradas com as regras das pensões (algumas corrigidas entretanto).
Trabalhou mais ou menos 10 anos (pois só concluiu a carreira académica em 1989), reformou-se aos 42 (em 1998) e está este tempo todo a receber uma reforma que agora é de €7255! Admito que me custa a entender como chegou a este valor, porque quando se reformou (como na notícia abaixo) "só" tinha uma reforma de pouco mais de €2300 (em escudos na altura):

Mas aqui temos um caso de alguém que descontou menos de uma dúzia de anos, e depois estará pelo menos 50 anos (ela está bem estimada, chega claramente aos 90) a receber. Mas alguém pode dizer que ela descontou na sua curta carreira contributiva dinheiro para receber os mais de €7000? Nem para receber os €2300 quanto mais...

E a Assunção Esteves não é caso único. Muitas outras pessoas beneficiaram das regras que lhes permitiram aferir uma pensão de valor equivalente (alguns casos superior até) ao seu salário, quando o desconto desse salário seria sempre na ordem dos 34%. Eu conheço pessoalmente várias pessoas que recebem actualmente de reforma mais do que alguma vez ganharam por mês quando trabalhavam. E estão para durar uns largos anos, tal como a Assunção Esteves...

Se eu ganhasse uma média de 1000 euros mensais durante 30 anos, descontaria por mês na ordem dos €345 euros para SS (que serve para tudo não é só reforma). Se me quisesse reformar com 80% do meu salário, €800, os meus descontos dariam só para 13 anos. Se o dinheiro fosse colocado num fundo de pensões, a render juros a uma taxa média de 5%, então daria para receber 80% do meu anterior vencimento durante 30 anos também.
Isto se a SS funcionasse como uma vulgar fundo de pensões, mas não funciona até porque a TSU serve para pagar todos os apoios sociais, não é só para as reformas.
Mas nenhum sistema do mundo permite que se receba mais durante mais anos, a não ser que se consiga taxas de juro elevadas, mas essas nunca são garantidas e pode-se mesmo perder dinheiro em certos anos.

Com tudo isto quero dizer que os governantes têm de sentir embaraçados sim. Embaraçados porque não conseguem mais uma vez alterar um sistema que é deficitário e insustentável pelas actuais regras mas ao invés de se reformar esse sistema com novas regras e novos métodos, apenas usa-se um corte em cima do que já existe. Não é nenhuma medida estrutural nem sequer é a mais justa, mas é a única que estes gajos sabem implementar...

domingo, março 23, 2014

As pessoas são estupidas

Eu sei que tenho a mania que sou inteligente. Neste caso não vou ser modesto, eu sei que o sou e já tive durante a minha vida imensas provas disso mesmo. E para alem do mais costumo ter facilidade em discutir sobre quase tudo pois consigo entender a maioria dos assuntos rapidamente e tenho imensa facilidade em encontrar fontes de informação válidas (então agora com a net é uma maravilha, mas é preciso saber filtrar o lixo), e consigo reter muita coisa de assuntos variados.

Acredito plenamente que em conversas, sobretudo com pessoas que me conhecem pouco, darei a imagem de ser arrogante, convencido e outras adjectivos similares que significam basicamente "um mete-nojo".

E portanto vai sair muito mal o que vou dizer a seguir, pois vou ser completamente honesto cagando no chamado "politicamente correcto":
Ao longo dos dias, vendo diversas situações, tendo várias discussões em pessoa ou cibernéticas, chego à conclusão que muitas pessoas, bem mais do que deveria ser normal, nos tempos recentes agem de maneira estúpida. E cada vez mais!
Mas é curioso que muitas vezes não é por não terem inteligência, é porque decidem ser malandras e consumir a propaganda que lhes é metida debaixo dos olhos sem sequer reflectir ou pensar nas coisas.

Vê-se isso conforme as pessoas reagem à actualidade e como de repente uma pessoa segue a tendência de criticar fulano e logo a seguir como a tendência muda, já se critica sicrano.
Partilha-se todo o tipo de noticias e opiniões, as vezes copia-se o que se vê noutro sitio, porque agora toda a gente tem uma opinião formada sobre tudo, mas nem se apercebem que o que dizem são barbaridades.
As pessoas abdicam de ler, pensar, estudar e formar a sua própria opinião. Ainda para mais na era da informação as pessoas apenas caem na propaganda que soa melhor, seja dos media, dos "textos bonitos" que abundam nas redes sociais, ou a propaganda populista de muitos partidos políticos.

Para mim é claro que muitas pessoas apenas lêem títulos e cabeçalhos de notícias, acreditam no diz-que-disse, e limitam-se a usar a sua percepção do estado das coisas para atingir as suas conclusões. E como disse atrás, abdicam de ver, analisar, reflectir e criticar (não no sentido de falar mal) e finalmente entender.

Só isto explica que veja pessoas cheias de razão a dizer que 24 mil milhões é mais que 90 mil milhões:
Só isto explica que veja no Facebook alguém indignado por ter comprado uma coisa nos States e ter sido obrigado a pagar custos alfandegários;
Só isto explica que as pessoas constantemente digam que tudo é mau (saúde, crime, economia) mas quando se pergunta da sua própria experiência digam que nunca tiveram problemas até à data;
Só isto explica como podem pessoas de bicicleta jogarem-se para a frente de um tram que vem depressa, porque nesta cidade toda a gente diz que as bicicletas é que têm prioridade;
Só isto explica que pessoas que trabalham comigo há (muitos) mais anos que eu, continuam a repetir os mesmos erros e a fazer as mesmas perguntas de sempre;
Só isto explica porque quando alguém na net recebe o site de um local público de encontro com morada e detalhes, pergunte "mas como é que se vai para lá?";
Só isto explica que um gajo que ande sempre a dizer que é o que mais trabalha, consegue incutir essa ideia nos outros, chegando-se ao cúmulo do chefe, a mostrar estatísticas que provam o oposto, dizer "como vêm ele é o que trabalha mais";
Só isto explica que tu digas uma coisa e logo a seguir vem alguém que diz "não" mas repete precisamente aquilo que acabaste de dizer;
Mas nada disto explica que as pessoas deixem sacos do lixo no passeio ao lado de um contentor que está cheio, mas com um contentor vazio 10 metros ao lado.

E quanto mais vou vendo estes tipo de comportamento, este agir de forma estúpida, acabo por pensar cada vez mais para mim: as pessoas estão (são) estúpidas!

domingo, março 09, 2014

Afinal os ricos até pagam impostos

Há uns tempos circulou pela net uma imagem do "Cassete" Carvalhas com a sua profecia sobre a moeda única onde ele, obviamente, repetia a "cassete" que a mesma ia trazer mais pobreza, mais desemprego mais desigualdade social e beneficiar os ricos e os bancos. Obviamente parece que o gajo tinha razão e afinal a cassete não era cassete nenhuma. Na altura nem comentei, não valia a pena, mas é óbvio que a cassete acerta de vez em quando. Este discurso do PCP é continuo para qualquer medida diferente do que eles defendem. E como um qualquer arauto da desgraça, a profecia acerta de vez em quando, mesmo que por motivos terceiros.

A "cassete" serve de introdução a esta dissertação por 2 motivos: primeiro porque a lenga-lenga de sempre não é bem aquilo que se pensa; e depois, ao contrário destas propagandas de esquerda que soam bem, ninguém partilha esta notícia sobre os factos que confirmam uma verdade diferente.

E essa verdade é tal como referi brevemente há coisa de 2 semanas, apareceu um documento com os dados das declarações de IRS (e IRC, mas dessas não vou falar) do ano de 2012 onde se ficou a saber que afinal os ricos pagam impostos. Nem sequer falando do IVA (onde quem consome mais, normalmente quem pode, paga mais) mas o próprio IRS, sobre os rendimentos englobados, onde vemos que o 1% dos mais ricos (com os maiores rendimentos) são responsáveis por 30% do total das receitas. E, ao contrário do que diz a "cassete" comunista, 65% dos contribuintes, com o menor rendimento, pagam apenas 4% do total da receita!
Portanto quando se diz à boca cheia que quem paga a maioria dos impostos em Portugal são os mais pobres é mentira!

Mas esquecendo essa cena da propaganda, o que este estudo me revelou e que considero impressionante é que 65% dos contribuintes em Portugal vivem com um rendimento até 10000 euros brutos anuais! Considerando a tradicional formula de 14 salários por ano, isto representa que 65% dos agregado familiares em Portugal vivem com menos de €715 brutos por ano! E como isto são agregados familiares, estamos a falar de famílias. Reparem que uma família de 4 pessoas, como 2 adultos empregados a ganhar cada um o salário mínimo (uma miséria já) cada um, já vai ter um rendimento anual de mais ou menos 14000 euros, ou seja, não estão nesta percentagem,
O Paulo, com quem debati este tema na sua página do Facebook, acha que estes valores são explicados pelo facto de existirem muitos jovens a viver em casa dos pais, logo apesar de entregarem o seu IRS em separado, dividem a despesa da casa entre mais contribuintes, resultando num orçamento familiar superior ao sugerido por estes dados.

No entanto eu não tenho tanta certeza. Usei dados estatísticos do PORDATA (por sua vez vêm do INE) e apesar de existirem discrepâncias para os dados do IRS, o que é normal pois um agregado familiar para o INE é diferente do número de declarações entregues, não acho que a larga maioria das famílias nestes 65% têm jovens a contribuir para o orçamento familiar. Mas essa é só a minha impressão.

De qualquer forma, estes dados mostram um dos grandes de Portugal. Uma grande maioria das famílias ganham, ou declaram, rendimentos baixíssimos, e como esses pagam pouco impostos, uma das falhas da nossa economia está demonstrado aqui.
Portanto para mim, ao contrário do que dizem muitos políticos, estes agora de direita, é um problema termos salários declarados tão baixos. Não admira que a economia tenha dificuldades em crescer, com tanta gente a viver com tão pouco.

Mas existe para mim outro factor que fica demonstrado por estes números. Uma vez que me custa a crer que 65% das famílias portuguesas conseguem viver com um rendimento tão baixo (basta-me olhar para o lado e ver como as pessoas aparentemente conseguem viver), considero que estes números revelam que existem muitos rendimentos não declarados. A economia paralela tem de ser bem maior do que estimado, e isso é outro problema enorme. Com tanto dinheiro a passar por fora das contas, o nosso PIB é mais baixo, todos os indicadores baseados no mesmo são mais baixos e logo tomam-se imensas medidas fiscais e económicas com base em premissas erradas.
E medidas como aumento de impostos costumam resultar em mais economia paralela, logo piorando ainda os indicadores e resultando em dados de IRS com cada vez mais pessoas a ganharem na fatia mais baixa e a pagar cada vez menos impostos.

Admira-me que só agora tenham decidido começar a estudar os dados para que se tenha uma imagem real do país. Este Orçamento Cidadão poderá ser uma ferramenta muito útil para se identificar problemas na economia e na política fiscal do país. Eu tenho ainda de o estudar com mais detalhe, por curiosidade apenas pois gosto de estar informado sem ser apenas com resumos (e facciosos muitas vezes) oriundos dos partidos (e do próprio Governo) e dos órgãos de comunicação social. Tenho é receio é que seja apenas (mais) uma coisa que vai ficar na gaveta e as decisões continuarão a ser tomadas mais em base para o lado que sopra o vento (da troika ou dos votos).

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Porque é que estou preocupado com a crise na Ucrânia

Quem me acompanha pelas redes sociais, nota que tenho seguido atentamente os desenvolvimentos na Ucrânia desde que a malta decidiu começar à estalada. Tenho usado sobretudo o Twitter onde partilho umas curtas (sempre em inglês pois é uma situação internacional), e menciono notícias que para mim são chave. Como o Twitter "publica" directamente no Facebook (noblesse oblige) a maioria das pessoas podem ver os meus receios por lá.

Antes de mais quero fazer uma listagem cronológica do que tenho dito:
18-Fev às 09:30: E assim se iniciam as revoltas violentas na Europa? Quem se segue? Não se deve tomar de ânimo leve http://bbc.in/Ma6edA
22-Fev às 22:06: Muita gente aliviada por Yanukovich ter sido demovido na Ucrânia. Parece ser uma boa notícia mas eu receio que uma guerra a civil venha a caminho :-\
22-Fev às 22:19 no Facebook em seguimento do twitt anterior: A Rússia não encarou, nem vai encarar, com ligeireza estas mudanças recentes. Lin na BBC que os líderes da Ucrânia oriental (maioria de origem Russa) disseram que vão tomar controlo da sua terra até que a ordem constitucional seja restaurada em Kiev. Temos todos os ingredientes e a receita completa para um desastre. A Rússia já interveio militarmente num antigo estado Soviético (lembram-se da Geórgia?). O Putin, com as suas ambições de um Grande Império Russo, pode pensar que é boa ideia tomar o controlo da Ucrânia Oriental para "proteger o povo de origem Russa de uma 'invasão' da Europa Ocidental". Mas a Ucrânia não é a Geórgia e a UE faz fronteira com a Ucrânia... Estou a levar isto muito mais a sério que há 4 dias atrás!
24-Fev às 16:47: Rússia a preparar o tabuleiro ou a fazer a primeira jogada? http://bbc.in/1jtPbiM
26-Fev às 18:22: Aqui vamos, depois das primeira movimentações (discurso político) agora o novo Czar começa a mexer os seus piões: http://nyti.ms/1fGYsn3
27-Fev às 08:00: Começou. Preciso de preparar mudança para o Hemisfério Sul (Brasil boa escolha): "Homens armados ocupam o parlamento da Crimeia" http://gu.com/p/3n5ac/tw
27-Fev às 10:13: Escrevam o que vos digo: Se as tropas da Ucrânia tentam restaurar a ordem na Crimeia, a Rússia vai intervir e depois o diabo fica à solta :-(

Agora mesmo acabei de ler que na BBC que um grupo armado, auto-intitulado Milícia Popular da Crimeia, patrulha o aeroporto da capital desta região autónoma.

Porque é que eu estou mesmo preocupado com esta situação? O meu comentário em itálico e alguns dos twitts dão indícios do porquê.
Primeiro temos os interesses do Putin. O União Soviética foi-se mas antes dela tivemos um Império Russo. O Putin tem ideias de que é um novo Czar e quer fazer renascer esse Império. Já "perdeu" países do antigo bloco soviético para a União Europeia, só que a Ucrânia, tal como no passado já é "longe demais" (ou perto demais). Por isso temos de um lado as ambições expansionistas de um líder que não é nada de se fiar.

Depois temos a própria Ucrânia. Uma terra que apenas é uma nação há relativamente pouco tempo. Quase sempre na sua história foi ocupada ou governada por outros. E o seu povo é dividido. Como agora é sobejamente conhecido, o leste da Ucrânia é maioritariamente povoado por gente que veio da Rússia depois da Segunda Guerra Mundial, malta que na realidade não se sente muito ucraniana, nem sequer falam a língua.

A situação política do país também é um barril de pólvora. Tudo bem, temos agora um governo de união mas estão agora juntos fascistas e comunistas, sem descontar os outros moderados. Quando o inimigo em comum (antes o anterior presidente) desaparecer vão começar à estalada uns com os outros. Alguém acredita que os fascistas vão andar muito mais tempo de mãos dadas com comunistas?

Do ponto de vista económico o país está mal e não vai melhorar tão cedo, o que vai levar depois a mais manifestações, e eventualmente revoltas, contra os novos líderes quando os mesmos, numa tentativa de combater os problemas, tomarem medidas impopulares que afectam inicialmente as pessoas (antes de se verem os resultados positivos).

E finalmente a Crimeia. Um caso ainda mais particular em tantos casos particulares nesta situação. A Crimeia calhou pertencer à Ucrânia por acaso. O povo original desta península são os tártaros (muçulmanos) pois a Crimeia pertenceu ao Império Otomano por muitos anos. Os tártaros são agora a minoria e a Crimeia é praticamente russa em termos de população desde a WWII, mas integrada na Ucrânia, apesar de ser uma região autónoma (designada mesmo por Republica)
É na Crimeia, onde os Russos têm baseada a sua frota do Mar Negro, que se espera que ou vá ou rache! As primeiras movimentações são no sentido de rachar.

E relacionado com a Crimeia vem aquela "verdade universal" que a história tem tendência a se repetir. Há 160 anos o Império Russo invadiu a Crimeia para se expandir, aproveitando a fragilização do Império Otomano. Duas potências da Europa Ocidental (Reino Unido e França), entraram em guerra para parar as ambições do Czar russo. A guerra acabou por envolver vários países e deixou muitos assuntos inacabados no teatro europeu o que levou mais tarde às duas guerras mundiais (muita gente diz e eu concordo que a segunda guerra foi a conclusão da primeira, apenas com outros actores nos mesmos papeis). A Primeira Grande Guerra foi há coisa de 100 anos...