quarta-feira, novembro 19, 2014

O banco é caro e está cheio, mas serve para pouco

Tem gente que gosta de comprar um peça de mobiliário que é mais uma peça de arte do que algo para ser realmente usado. É um artigo de decoração. E existem bancos assim, todos pintarolas e estranhos, caros como tudo, mas na prática para pouco ou nada servem.

E o Banco de Portugal é assim, como uma peça de arte, sobretudo desde que estamos na Zona Euro, onde a maioria das funções, como a Política Monetária e e Estabilidade Financeira, são agora geridas pelo BCE.
Ao BdP cabe ainda uma função muito importante, se calhar aquela que é mais relevante nos dias de hoje para os portugueses, a da Supervisão.
Mas a esse nível nota-se que algo não está bem (ou nunca esteve) com o BdP.

Não li a Lei Orgânica, mas o site do Banco diz que:
O Banco de Portugal exerce a função de supervisão – prudencial e comportamental – das instituições de crédito, das sociedades financeiras e das instituições de pagamento, tendo em vista assegurar a estabilidade, eficiência e solidez do sistema financeiro, o cumprimento de regras de conduta e de prestação de informação aos clientes bancários, bem como garantir a segurança dos depósitos e dos depositantes e a protecção dos interesses dos clientes.

Depois de não saberem de nada da situação e problemas do BPN, veio a derrocada do BES que pelos vistos também ocorreu em apenas 3 semanas em que para o BdP estaria tudo bem e também não podiam "adivinhar" o que ia acontecer. E nem sequer falo de outros casos manhosos com bancos, como o BCP e o Totta (onde a actuação do BdP também foi questionada).
Pergunto-me então (e já não é de agora) o que raio andam lá a fazer aqueles gajos todos, que não devem ser tão poucos quanto isso, pois pela imagem a sede parece ser bem grande e ainda tem agências espalhadas pelo país mais as delegações regionais.


Tal como os bancos artísticos, o BdP parece ser uma coisa cara demais para a função que tem.
Será que serve de pouco mais que arranjar tachos e reformas a figuras conhecidas ligadas sobretudo à vida política, como o nosso Presidente que também é reformado deste Banco?

Muitas vezes se questiona a perda de soberania dos nossos órgãos mas este é um daqueles que acho que não se perdia nada se simplesmente desaparecesse. É que quase nem precisamos que outra entidade substitua as suas funções, pois pelos vistos estes gajos não conseguem fazer nada nos últimos anos e a vida tem continuado, com mais ou menos vicissitudes.

Nota: decidi escrever isto hoje (ontem) porque li mais uma notícia em que o Governador do BdP teria dito que estava tudo bem dias antes do colapso e o BdP não tinha formas de saber. Apareceu-me no Google News de manhã e depois já não a consegui encontrar, mas julgo que o que escrevi acima não está muito longe da verdade.

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